Melissa, apesar de ter dormido pouco, acordou bem cedo. Porém, não se atreveu a sair do quarto. Ficou ali respondendo algumas mensagens e procurando algo sobre o casamento na internet. Até então, não havia nada. Ligou para sua tia para saber do estado do seu pai, mas não teve coragem de contar que havia se casado. Ficou feliz por saber que ele havia melhorado e em dois dias ia ter alta. Avisou que não poderia ir naquele dia, mas prometeu ficar com ele o mais breve. Já passava das nove horas quando resolveu tomar um banho. Procurou no closet uma roupa que lhe servisse e vestiu um vestidinho simples e confortável com estampa de flores, que lhe caiu muito bem. Depois foi até a janela e ficou contemplando o dia que estava lindo. A janela dava vista para o belo jardim, todo florido e bem cuidado. Melissa sentiu a brisa tocando-lhe o rosto e fechou os olhos. Respirou profundamente se preparando para enfrentar tudo o que viria dali para frente. Ficou um tempo refletindo sobre tudo e ouvindo o canto dos pássaros, até que batidas na porta chamou sua atenção. Ela se apressou em abrir. Era Isabela.
— Bom dia, cunhadinha! — Falou ela sorridente.
— Bom dia!
— Dormiu bem?
— Sim, a cama é muito confortável!
— Que bom! Vim te buscar para tomarmos café. Um brunch, na verdade — Avisou Isabela já puxando Melissa pelo braço fazendo-a acompanha-la. — O papai e a mamãe já estão aguardando.
— Espera! Não sei se é uma boa ideia! — Exclamou Melissa parando de andar.
— Por que não?
— Parece que seus pais não gostaram muito de mim.
— Que nada! Meus pais são supertranquilos e eles nem te conhecem direito ainda! Como pode achar que eles não gostam de você? Vamos!
Mel, meio a contragosto, acompanhou a cunhada. Elas desceram as escadas e logo Eugênia veio ao encontro das duas.
— Oh, Melissa, minha querida, bom dia! Como passou a noite? — Perguntou ela toda simpática.
Mel olhou para sua sogra meio surpresa e respondeu:
— Bom dia! Passei muito bem, senhora!
— Ah, que bom! Venham, a mesa já está posta!
Isabela olhou para a mãe de uma forma curiosa, deixando bem claro para ela que sabia que estava fingindo, mas não disse nada. Eugênia empinou o nariz ignorando o olhar da filha e seguiu na frente delas na sua pose de sogra do ano. Giovani já se encontrava à cabeceira da mesa tomando o seu café. A mesa estava farta com vários pães, bolos, frutas, sucos, entre outras coisas. Um verdadeiro exagero. Melissa olhou para tudo aquilo deslumbrada e cumprimentou seu sogro timidamente.
— Bom dia, Seu Giovani! — Apesar da timidez, era evidente a admiração estampada no rosto de Mel pelo homem que se tornara seu sogro.
— Bom dia, querida! — Respondeu ele cordialmente com um sorriso no rosto. E vendo que ela estava em pé sem ação, convidou: — Sente-se, minha filha!
— Senta aqui, Mel! —Falou Isabela, mostrando a cadeira ao seu lado.
Ela obedeceu, mas estava visivelmente muito nervosa. Eugênia ocupou seu lugar de sempre e começou a se servir.
— Quer que eu peça para Zefa preparar algo em especial pra você, Melissa? — Perguntou sua sogra toda atenciosa — O que você costuma comer no café?
— Não, não precisa! E eu sempre como pão com manteiga, café puro ou café com leite.
— É bom comer frutas de manhã, querida! Ou algo mais nutritivo — Eugênia lhe empurrou a tigela de salada de frutas. — Sirva-se, está uma delícia e vai te fazer bem!
— Obrigada, não precisa se preocupar! — Melissa respondeu meio sem jeito, começando a estranhar tanta cordialidade.
Ela não sabia o que usar, pois a mesa estava posta com louças e talheres confusos para ela. Isabela percebeu seu embaraço e a cutucou com o cotovelo.
—Relaxa! Come o que você quiser! Eu vou de pão com manteiga! — Falou ela pegando um pãozinho francês cortando ao meio e passando manteiga.
Melissa sorriu e também se serviu de um pão. O que se seguiu depois foi bem tranquilo. Ela pensou que eles iriam enche-la de perguntas, mas não. Eles apenas comentaram sobre o casamento. Eugênia reclamou das flores e da iluminação. Elogiaram o vestido de noiva desenhado por Isabela. Comentaram o quanto Melissa estava bonita nele e agradeceram a ela por ter ajudado a evitar um grande vexame se casando com Henrique de última hora. Eles pareciam sinceros. Melissa arriscou a comentar como se sentiu no dia anterior e como foi pega de surpresa com o pedido, mas não se atreveu a contar detalhes do encontro ou que nem mesmo conhecia o
filho deles.
— Parece coisa do destino! Seja bem-vinda à família, minha filha! — Falou Eugênia, olhando-a com ternura.
Melissa estava mais tranquila e à vontade, mas estranhou o fato deles não se mostrarem curiosos em saber quem ela era, quem era sua família, onde morava, ou em que trabalhava. Começaram a contar histórias da família, distraindo-a de seus pensamentos negativos. Giovani parecia ser piadista e Eugênia muito risonha. Isabela tinha um pouco dos dois. Parecia um bom começo.
...
Henrique resolveu se jogar na noite de Miami. Passou a semana bebendo e
saindo a cada dia com uma mulher diferente. Às vezes com mais de uma. Melissa
fez o que ele lhe pediu. Leu o tal livro/Lei da esposa perfeita e também,
juntamente com Isabela, fez compras. Comprou roupas novas, bolsas, sapatos.
Tudo de marca. Também. foi ao salão de beleza e mudou o visual. Drica ficou em
choque quando ela lhe contou.
Mel:— Comprei umas coisinhas pra você também. Assim que eu puder te levo!
Drica: — Ai, amiga, não precisava!
Mel: — Precisava sim! Você é uma irmã pra mim!
Drica: — Tá bom, então!
Mel: — Ah, quero que mande um recado pro Romeu. Vou pagar ele essa
semana.
Isabela pediu a Dirce, a empregada de Henrique, que arrumasse o apartamento para receber o casal e retirasse todas as coisas da Marcela de lá, como ele havia pedido. Dirce colocou tudo em uma caixa grande.
— Dona Isa, o que eu faço com essas coisas? — Questionou Dirce — Eu perguntei pro seu Henrique e ele mandou eu tacar fogo em tudo!
— Então, faça isso, ué!
— Mas tem muita coisa boa aqui, dona Isa!
— Faça o que quiser, só tira isso daqui!
Melissa recebeu o dinheiro das mãos de Arthur e foi até Romeu para fazer o pagamento da dívida. Marcaram de se encontrar em uma padaria de um bairro neutro. Ela levou o dinheiro em uma das sacolas de compras do shopping. Sentou-se à uma mesa mais reservada e esperou pelo agiota olhando no relógio a cada cinco minutos. Ele estava atrasado. Mel estalava os nós dos dedos ansiosa. Romeu chegou com seu gingado, exibindo suas tatuagens numa camiseta regata. Era um homem de cabelos escuros, moreno claro, forte, rato de academia. Se achava o
gostosão. Até que era bonito, mas era insuportável. Ao avistá-lo, Mel ficou tensa. A raiva que sentia dele se manifestou. Ele parou diante dela com um risinho debochado.
Romeu
— Olha, só! Quem te viu, quem te vê? — Falou ele a comendo com os olhos
— Ganhou na loteria, gatinha?
Mel o olhou com frieza e não lhe respondeu. Ele sentou-se de frente para ela, jogando um charme que não existia. Ela virou-se e pegou a sacola, depositando-a na mesa.
— Aqui está o seu pagamento! Pare de atormentar a minha família!
Romeu olhou a sacola superficialmente e perguntou:
— São os cento e vinte mil?
Mel sobresaltou-se:
— Você disse que eram cem mil!!!
— São os juros, princesa!
— Não vem com essa não, Romeu! De oitenta você passou pra cem. E agora tá querendo cento e vinte? Não, de jeito nenhum! Aqui estão os seus cem mil! Eu não vou te dar nem um centavo a mais! Eu quero a minha dívida paga hoje! — Esbravejou ela com firmeza.
Romeu mastigou a língua e fez cara de “ninguém merece!”
— Tudo bem, eu vou considerar, — Ele pegou um maço do dinheiro discretamente e deslizou as notas pelo polegar — Mas pra compensar, bem que você podia me dar...
— O quê?
—Me dar uma noite de prazer! O que acha?
— Você só pode tá ficando doido! Me respeite, seu depravado! — Mel ficou de queixo caído com a proposta.
— Ah, qual é, garota? Prometo que você vai gostar!
— O seu dinheiro tá aí — disse ela empurrando a sacola— E agora quero o meu recibo.
Romeu suspirou desanimado e tirou um papel dobrado do bolso de trás da calça. Ele assinou o recibo onde afirmava que havia recebido o dinheiro e entregou a Mel. Ela confirmou se estava tudo certo e guardou em sua bolsa.
— Pronto. Não temos mais nada pra acertar! — Falou ela com o semblante fechado, levantando-se para sair.— Nunca mais chegue perto do meu pai! — Avisou ela antes de sair.
Romeu pegou a sacola, levantou-se e a seguiu. Ele a alcançou na porta
da saída, colocando-se diante dela.
— O que mais você quer, Romeu?
— Você sabe, Mel! — Ele a agarrou pela cintura e puxou-a de encontro ao seu corpo sem nenhuma delicadeza— Não quer reconsiderar minha proposta?
— Me solta, Romeu! — Ordenou ela, tentando se desprender dele. — Já disse que não!
— Por que não, hein? Me fala! Não sou bom o bastante pra você?
— Me solta, desgraçado!
—Ah, já sei! Você é uma mulher casada agora, né? Seu maridinho sabe que você está aqui?
Melissa empalideceu e parou de lutar. Romeu começou a rir.
— Re-re-re! Quem diria? A pobretona Melissa Alves se casou com um ricaço! Nem me convidou!Como é mesmo o nome dele? Ricardo, não, Henrique?
— Isso não é da sua conta!
— Isso é o que você pensa! — Ele passou a mão pelos cabelos dela e falou: — Você virou uma mina de ouro, menina!
— O que quer dizer com isso?
— Quero dizer que tem muito mais de onde saiu esses cem mil, não é mesmo?
— Nem pense nisso! O Henrique vai te colocar na cadeia se tentar alguma coisa contra ele, seu idiota!
— Não, meu amor, ele não vai saber de nada, porque se você falar de mim pra ele, eu juro que seu pai não vai resistir a próxima surra! — Ele a ameaçava como se estivesse falando palavras doces.
Melissa encheu os olhos de lágrimas.
— Não! Seu bandido de quinta! Você não vai chegar perto do meu pai de novo!
— Só depende de você! — Falou ele ao seu ouvido, ao mesmo tempo que fungava em seu pescoço.
— Me solta, desgraçado!
Ele se afastou dela ainda com o sorriso debochado na cara, sacudindo a sacola de dinheiro e, antes de virar a esquina, falou:
— Pensa direitinho na minha outra proposta!
Melissa levou a mão ao peito e não conseguiu segurar o choro. Chorou de desespero. A sua situação ficou pior do que estava. Ela não esperava por isso.
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Atualizado até capítulo 76
Comments
Priscila Eleutério
pq essas meninas é burra ? ao invés de contar fica aí se fazendo de espertas aff
2024-11-18
1
Bernadete Lopes
Ela vai ter que contar ao Henrique e ao advogado dele.
2024-11-18
0
Silvia Moraes
Deveria ter enviado outro com o dinheiro e ficava espiando de longe
2024-10-10
2