Capítulo 19

Melissa foi pega de surpresa com aquele beijo arrebatador, cheio de sofreguidão. Suas pernas bambearam. Nunca tinha experimentado algo tão intenso.

Henrique a envolveu mais em seu corpo e a conduziu até ao muro próximo à calçada e começou a deslizar as mãos sobre as curvas do corpo dela, sequioso.

Mel já estava quase sem fôlego. Henrique desceu a boca para curva do seu pescoço.

— Henrique... — Ela falou o nome dele quase como um gemido. Estava desejosa dele também, mas não sabia muito como reagir. — Estamos na rua, tem

gente olhando!

Ele a ignorou e voltou a beijar sua boca com um beijo avassalador. Mel apenas fechou os olhos e deixou se levar. Em meio a sua excitação, Henrique balbuciou:

— Te quero... Marcela!

Ao ouvir a frase, Mel abriu os olhos e se esquivou. Henrique parou o beijo e abaixou a cabeça envergonhado, soltou o ar pela boca e fechou os olhos desanimado. Ciente da besteira que tinha acabado de fazer, tentou se explicar, mas ao abrir a boca apenas disse:

— Desculpa! — Foi a única palavra que saiu.

Ele escorou o antebraço esquerdo no muro, enquanto com a mão direita tentava fazer Mel olhar para ele, mas ela seguia olhando para o chão.

— Eu entendi. — Falou ela o empurrando e passando por ele, indo em direção ao carro. — Obrigada por responder.

— Entendeu o quê? — Perguntou ele a seguindo.

— É muito óbvio! Você tem raiva de mim porque eu não sou ela!

Henrique estalou a língua chateado.

— Não é nada disso! Eu só me equivoquei! São nomes parecidos!

Mel parou diante da porta do carro com a mão na maçaneta e olhando para ele com um olhar triste, falou:

— Está tudo bem Henrique. Eu te entendo. Eu sei que você ainda é apaixonado por ela. É tudo muito recente. Não precisa se envergonhar disso, muito menos esconder.  O que me deixa confusa é você achar que tudo isso é culpa minha e descontar a sua raiva em mim!

— Melissa!

Mel entrou no carro e Henrique também.

— Eu não tenho raiva de você! De onde tirou isso?

— Não é o que parece — Reclamou ela. — Eu tenho feito de tudo pra te agradar... Não tem sido fácil, mas parece que você carimbou na minha testa uma

pecha de pessoa desprezível e não importa o que eu faça, você só espera o pior... Tudo isso é uma perda de tempo!

— O que quer dizer com isso?

Ela tirou um lencinho de sua bolsa e enxugava os resquícios das lágrimas do seu rosto, se preparando para controlar um novo possível choro.

— Isso não vai dar certo, Henrique!

Henrique massageou a testa com a ponta dos dedos como se isso o induzisse a pensar e falou compassadamente:

— Se você está falando em separação, nós já conversamos sobre isso. Eu não vou te dar o divórcio!

— Mas Henrique...

— Já disse que não! — Gritou ele. E percebendo que ela tinha se assustado, abrandou-se.— Eu não posso. Pelo menos não agora.

Henrique suspirou e ligou o carro.

— Olha, desculpa! — Continuou ele — Desculpa pelo beijo também! Eu não devia... Não sei o que deu em mim. Esquece o que aconteceu aqui hoje... Enfim, melhor irmos.

Ele deu a partida e os dois permaneceram calados. Melissa olhava em direção à sua janela pensando na confusão em que a sua vida tinha se transformado. Henrique tentava entender por que a mensagem daquele cara despertou tanta fúria nele. Estava com ciúmes. Ele não tinha dúvidas. Estava com ciúmes de Melissa e não conseguia entender porque. Talvez porque a tivesse como sua propriedade. E agora ainda tinha que lidar com a lembrança daquele beijo. Ainda estava com o sabor dela em sua na língua. Olhou de soslaio para conferir como ela estava. Mel continuava calada e cabisbaixa. Henrique limpou a

garganta prenunciando que iria começar a falar.

— A propósito, você se saiu muito bem essa noite e acredito que se sairá bem no evento da semana que vem. Será o lançamento da revista Atitude desse mês. É uma revista muito importante, sobre empreendedorismo. É bom que participemos.

Mel seguia calada. Assim que chegaram em casa, Mel disse boa noite e se dirigiu ao seu quarto.

— Melissa! — Bradou Henrique fazendo-a parar— Vai ficar nessa de não conversar?

Ela o olhou confusa.

— Acabei de dizer boa noite!

Henrique cruzou os braços na frente do peito e disse:

— Mas está me evitando durante todo percurso. Não gosto disso!

— Só estou com dor de cabeça. Preciso dormir.

Ele a olhou impaciente e tentou não falar mais nada, mas não conseguiu.

— Espera!

— Sim, Henrique!

— Quem é esse tal de Romeu? — Ele precisava tocar no assunto ou não dormiria aquela noite.

Mel olhou para ele amolecida pelo estresse, o cansaço e a dor de cabeça e respondeu entre um suspiro:

— Já disse que não é ninguém!

Henrique estava desconfiado. Ele estreitou a distância entre eles e falou:

— Não insulte a minha inteligência! Essa sua carinha inocente não me engana!

Ela o olhou desafiadora.

— O que você quer que eu diga, hã? Qual resposta vai te agradar?

— A verdade.

Mel empinou o nariz tentando controlar a respiração e respondeu com voz trêmula:

— Então tá! O Romeu é um cliente! Um cliente frequente! O meu favorito, já que você quer a verdade!

Henrique trancou os dentes e fechou os olhos tentando conter a raiva. Colocou um sorriso nervoso na cara, enquanto ouvia o que ela ainda estava dizendo.

— Ele é musculoso, tatuado... É muito bonito! Um gato! Ah, e muito competente, se é que me entende! Satisfeito?

Henrique balançou a cabeça positivamente e falou:

— Ok. Muito bem! Obrigado pela honestidade!

— De nada! — Respondeu ela virando-se para sair.

Ele a puxou pelo braço e aproximou seus rostos. Passeou o olhar por cada canto do rosto dela e ordenou:

— Eu quero que você bloqueie todos os contatinhos dos seus clientes do celular e delete todos eles da sua lista.

— O quê?

— Aliás, vou fazer melhor. Me dê o celular!

— Não!

— Me dê o seu celular, Melissa!

— Por quê? — Ela estava indignada.

— Me dê o celular, agora! — Gritou ele nervoso.

Ele estendeu a mão livre para que ela lhe passasse o aparelho. Mel com uma cara emburrada como uma criança contrariada, pegou o celular da bolsa e

depositou na mão dele. Ele apertou os lábios satisfeito e colocou o aparelho no bolso da sua camisa.

— Está confiscado até segunda ordem!

— Isso não é justo! Eu preciso do meu celular!

— E eu preciso evitar que você me envergonhe! Você é uma mulher casada, precisa se comportar como tal! Se você precisar de dinheiro, não precisa

recorrer a isso. Eu vou deixar um cartão ilimitado com você pra comprar o que quiser. E se precisar da outra coisa, — Ele a agarrou colando seu corpo ao dele — Eu estarei bem aqui, prontinho pra você e garanto que depois de mim, nem vai se lembrar desse tal de Romeu. Mas primeiro quero que se limpe, porque eu não estou afim de sentir o cheiro dos outros caras! Eu quero ser o único, entendeu?

Mel olhou para ele com muita raiva e o empurrou.

— Me solta! Eu não quero nada de você! Nada! Não quero seu dinheiro, muito menos seu...— Ela o olhou dos pés à cabeça com repugnância — Muito menos

o seu corpo! Eu quero o divórcio!

— Nunca!

Ela apontou o dedo indicador para ele e falou confiante

— Eu vou conseguir os duzentos mil e você vai sim me dar o divórcio!

Tendo dito isso, retirou-se para o seu quarto.

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Comments

Hanna

Hanna

isso é bom. pra tonta da Melissa que acabou de ser chamada de piranha cair na real... o cara vive humilhando e ela responde os beijos dele dessa forma

2025-04-01

0

Hanna

Hanna

pronto. já que é pra ficar com ciúmes, vamos dar motivos kkkkkkkkk

2025-04-01

0

Ana Lúcia

Ana Lúcia

você não tinha cem imagina duzentos amenos que peça para o agiota kkk

2024-10-18

0

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Atualizado até capítulo 76

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