Capítulo 13

Henrique chegou no dia seguinte e encontrou a casa com um clima tranquilo. Ao passar pela porta de entrada, Isabela, como sempre, grudou em seu pescoço em um abraço caloroso. Seus pais também o recepcionaram com alegria e agiam com naturalidade. Já passava das três horas da tarde.

— Meu filho, você nem se despediu de mim antes de viajar! — Reclamou sua mãe.

— Me perdoe, mas aquele dia foi tudo tão corrido!

— Estava com saudade! Você está bem? — Disse ela o abraçando também.

— Estou ótimo, mamãe!

Henrique passeou os olhos ao redor procurando por Mel.

— Onde está a minha esposa? — Perguntou ele em um tom de leve ironia.

— Ela já vai descer. — Respondeu Isabela.

Mel surgiu no alto da escada.

— Estou aqui! — Disse ela sorrindo.

Ela tinha caprichado no visual para recebe-lo e estava linda. Usava um vestido casual e um casaquinho Chanel em tom pastel. Cabelos soltos, bem alinhados, emolduravam seu rosto que estava maquiado com uma maquiagem discreta. Henrique não conseguiu disfarçar seu deslumbramento. Atitude que o fez se odiar, pois estava determinado a não mais se envolver emocionalmente com mulher alguma.

— Melissa! — Exclamou ele.

— Henrique! — Respondeu ela, enquanto descia a escada tentando não parecer ansiosa.

Ele a acompanhou com o olhar, até que ela estava diante dele. Ficaram parados diante um do outro sem reação.

— Tá diferente! — Observou ele.

— Mudei um pouco o visual como me pediu.

—Ok. Pegue suas coisas pra gente ir.

Eugênia protestou.

— Não antes de tomarmos o café da tarde. A Melissa até preparou um bolo pra te esperar.

— Mesmo? — Perguntou Henrique olhando para Mel, com curiosidade, mas com o semblante fechado.

— A Zefa me ajudou — Respondeu ela timidamente.

— Ela está sendo modesta — Informou Giovani — Me fez uma pasta ontem digna de nona!

Henrique olhou para seus pais e em seguida para Isabela, como se perguntasse o que estava acontecendo. Isabela encolheu os ombros como se dissesse que também não estava entendendo a atitude amável de seus pais. Henrique olhou para Mel e falou:

— Tudo bem, vamos provar o tal bolo, então. Mas não vamos demorar muito, porque eu tenho uma reunião ainda hoje.

Seguiram para área externa, onde a mesa estava posta. As mulheres foram na frente. Henrique se aproximou de seu pai e eles seguiram conversando em passos mais lentos.

— O que o senhor está aprontando, hein, papai? — Perguntou Henrique desconfiado.

— Do que está falando?

— Quase teve um infarto quando lhe contei que me casei com uma garota de programas e agora tá todo alegrinho!

Giovani sorriu de lado e falou:

— Ah, eu realmente fiquei chocado, mas depois de conhece-la, vi que ela é uma boa moça!

Henrique olhou para o pai com olhos semicerrados de curiosidade e falou:

— Não me diga que o senhor e ela...

Seu pai sobressaltou-se.

— O quê? Do que está falando?

— Pai, por acaso o senhor usufruiu dos serviços que ela oferece? — Henrique se mostrou muito irritado.

— Ficou louco? Claro, que não!

— Porque se foi isso, eu juro que...

—Que conversa é essa, Henrique? Me respeite! Está com ciúmes do seu próprio pai!

— Ora, papai, convenhamos! É no mínimo muito estranho o comportamento de vocês! E eu não estou com ciúmes!

— O que você queria? Que estivéssemos tratando a Melissa como a gata borralheira?

— Não, claro que não! Mas na nossa última conversa, o senhor deixou bem claro que não reconheceria o nosso casamento.

— Sim, mas eu mudei de ideia.

— E posso saber por quê?

— Eu só quero paz, Henrique! Eu só quero paz!

Henrique pensou um pouco e disse:

— Então eu devo supor que o senhor já decidiu me passar a presidência.

Giovani colocou a mão no ombro do filho e suspirou.

— Eu tomei uma decisão sim, mas conversaremos sobre isso amanhã na empresa.

Henrique o olhou mais desconfiado, mas não questionou mais nada. Os dois se juntaram às mulheres e passaram uma tarde agradável. O bolo de Melissa

foi muito elogiado. Depois desse momento de interação entre eles, Mel pegou suas malas e os dois seguiram para o apartamento de Henrique, onde seria sua nova casa. Ela estava tensa. A mudança em sua vida estava sendo muito radical.

Eles trocaram poucas palavras durante o percurso:

— Você está bronzeado. — Observou ela.

— É, peguei uma praia.

— Onde você estava?

— Miami. Passei dois dias em Cancun também.

— Nossa, lá parece ser lindo!

— Gosta de praia?

Mel sorriu sem graça e respondeu:

— Não sei...

— Ué, como assim, não sabe?

— Eu não conheço. Nunca tive oportunidade de conhecer uma praia.

— Mas o litoral é logo ali!

— Sim, mas eu sou de Goiás. Só tem quatro anos que moro aqui e... Gente pobre tem prioridades. Não é tão fácil quanto parece.

— Mas isso é só uma questão de se programar.

— É, talvez um dia...

Ao chegarem, Henrique apresentou Melissa ao porteiro como sua esposa e nova moradora do prédio. Henrique a ajudou com as malas. Ao entrarem no

apartamento, ele percebeu que este já estava arrumado de forma diferente e se notava o toque feminino.

— A Isa e eu viemos aqui pra ajeitarmos algumas coisas com a ajuda da Dirce. — Informou Mel.

Henrique não disse nada. Apenas passeou o olhar pelo ambiente e seguiu para seu quarto carregando sua mala. Ao abrir o guarda-roupas do closet, notou

que já havia coisas de Melissa lá. Mel, entrou em seguida, empurrando uma de suas malas.

— O que significa isso? — Perguntou Henrique.

— Eu já tinha trazido algumas coisas...

— Aqui não será seu quarto!— Exclamou ele com rispidez.

Mel ficou sem reação. Henrique começou a arrancar os cabides com as coisas dela e jogar no chão no meio do quarto.

— Tire tudo isso daqui! Seu quarto será o outro!

— Desculpa! — Falou ela quase sussurrando, abaixando-se para catar suas coisas.

— E esse forro florido na cama?

— Faz parte do enxoval que a Isa me ajudou a comprar...

— Não quero nada disso aqui! Leve tudo para o outro quarto! É lá que você vai dormir!

Mel pegou tudo o mais rápido possível e saiu do quarto dele. Chegando no outro quarto, fechou a porta atrás de si e percebeu que estava trêmula.

Tentou controlar a respiração para se acalmar. Se sentiu envergonhada. Colocou as coisas sobre a cama e olhou envolta para observar seu quarto. Era

aconchegante, mas bem menor que o outro. Fechou os olhos e lutou contra a vontade de chorar, respirando profundamente. Até que ouviu a voz de Henrique a chamando. Se recompôs e respondeu:

— Estou indo!

Henrique a esperava na sala.  Ela chegou diante dele sem fazer contato visual.

— Sente-se, por favor!

Mel obedeceu e sentou-se na poltrona em frente a dele, separados por uma mesinha de centro.

— Bem, essa agora será sua casa, mas como disse antes de viajar, precisamos estabelecer algumas regras e colocar tudo por escrito. Se lembra disso?

— Sim, desculpa por invadir seu quarto. Eu...

— Está tudo bem. Você leu o manual que eu te dei?

— Sim.

— OK. — Ele percebendo seu desconserto, acrescentou: — Não precisa ficar constrangida. Você como minha esposa tem alguns privilégios, mas como já tínhamos conversado, quero que veja essa condição como um cargo, um emprego. Quero que aprenda a ter uma vida social, regras de etiqueta, como receber, essas coisas... E Por que tudo isso? Porque você vai ter que me acompanhar em diversos eventos e tem que se comportar à altura da esposa de um CEO. Você está me entendendo, Melissa?

— Sim, mas é que eu me confundi... Você disse que seria um casamento normal... Que eu seria a mãe dos seus filhos...

— Mas é exatamente isso! Aqui dentro você também vai ter algumas obrigações como deixar a casa organizada, minhas roupas sempre limpas, entre

outras coisas e sim, no momento certo vai ter que gerar meus filhos.

Mel olhou para ele confusa. Ele notando a dificuldade dela em entender, explicou:

— Melissa, eu quero que entenda uma coisa: Não quero que tenha expectativas comigo. Principalmente amorosas. Você está aqui pra me servir como

esposa, colocando em prática tudo o que aprendeu naquele manual. Se tivermos relações, será apenas pra você engravidar, entendeu? Mas isso vai demorar, porque não pretendo ter filhos agora. E também, você precisa de um tempo pra se limpar, desintoxicar da vida que levava...

— Mas eu não...

— Sinto te dizer isso, mas você é uma garota suja. Por mais que você tenha tido seus cuidados, a sujeira não é só de corpo. Tem a alma, as emoções...

— Pois fique sabendo que eu sou...

— Não quero saber de nada! Não me venha com aquela conversinha de que “Sou um ser humano que merece respeito! ”, porque não é assim que a banda toca aqui! E não me venha falar que por ser pobre precisou se rebaixar a esse nível, porque tem muita gente pobre e decente por aí! Você está recebendo uma oportunidade de ouro pra mudar de vida, apesar de não ser digna.

Ela ia lhe contar que não era prostituta, mas diante das palavras dele, mudou de ideia. Ele a olhava com nojo, como se ela fosse uma poça de vômito. Mel,

com um nó na garganta, lhe perguntou:

— Por que me escolheu pra ser sua esposa, se não me acha digna?

Ele a olhou com certo desprezo e revelou:

— Porque, você é o tipo de mulher por quem eu nunca me apaixonaria.

As palavras dele foram como um soco em seu estômago. Ela engoliu um choro que lhe atravessou a garganta e nesse momento Mel tomou uma decisão. Decidiu que deixaria ele pensar que ela era mesmo uma prostituta . Seria aquela mulher que ele pensava que ela era e não lhe contaria a verdade. Ela levantou-se determinada e falou:

— E você é o tipo de cliente que eu dispensaria! Estamos quites!

Henrique levantou-se também a encarando, um pouco ofendido.

— Como é que é? — Questionou ele.

— Que bom que estamos sendo sinceros um com o outro! Se não tem mais nada a dizer, vou arrumar minhas coisas! — falou ela.

Henrique a encarou com o maxilar trancado e disse:

— Pode ir!

Melissa entrou em seu quarto e não mais conseguiu segurar o choro.

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Comments

Silvaneide ferreira

Silvaneide ferreira

fico contrariada é que quando acontece isso do cara humilhar a mulher as autora coloca logo a mulher morrendo de amor pelo cara sofrendo horrores sendo humilhada e ainda aceitando tudo, ao meu ver como ele e escroto gosta de humilhar só pq tem dinheiro quer pisar na mel falando que ela e suja ele é quem deveria se apaixonar por ela e correr atrás sofrer pra sabe que sujo é ele um ser desprezível que acha que pode pisar nas pessoas

2025-04-05

0

Hanna

Hanna

eu espero que ele sofra, sofra e sofra horrores pra ficar com ela... sei estúpido, babaca, idiota e imbecil

2025-03-31

0

Hanna

Hanna

o tanto de vontade que eu tô de vê esse escroto de 4 por Mel não tá escrito.

2025-03-31

0

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Atualizado até capítulo 76

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