...Clara Lua ...
Acordei bem cedo e fui até a casa da Manu, de lá fomos juntas para a entrevista no Instituto Samer, eu estou muito empolgada.
O maior sonho da minha da vida é abrir um instituto para crianças com traumas, com preços acessíveis e algumas bolsas de gratuidade. Quero muito que crianças pobres como eu tenham acesso a educação.
Trabalhar no Instituto Samer vai me dar a experiência necessária pra esse sonho se tornar realidade no futuro.
Tenho muito que agradecer a Manu, se não fosse ela eu não teria essa oportunidade, pois o Grupo Samer é muito fechado, é difícil conseguir uma vaga lá.
— Ai Manu eu tô nervosa. Será que vamos ir bem nessa entrevista? — Eu tava até tremendo.
— Acorda Lua, essa entrevista é só formalidade. Meu pai já garantiu o emprego. Temos que nos preocupar em nos manter nele.
— Como assim, nos manter?
— Meu pai garantiu que vão nos contratar, mas não disse nada sobre nos demitir depois de um mês. — A Manu deu de ombros.
— Demitir em um mês? É serio Manu? — Imagina se sou demitida em um mês? Estaria perdida.
— É, mas você não tem que se preocupar, é uma excelente profissional, ninguém é tão estudiosa e dedicada quanto você.
— Quer saber, você tem razão, eu sou competente e vai valer a pena. — Com certeza eu ia fazer dar certo, essa era a oportunidade da minha vida.
— É assim que se fala!
Entramos na sala de entrevistas e o próprio CEO do Grupo Samer veio nos receber.
— Senhorita Manuela Silva Ramos, o seu pai nos deu boas referências suas e de sua amiga Clara Lua de Assis, então estão contratadas. — 4le disse isso simples assim, de fato o pai da Manu já tinha garantido tudo.
— Muito obrigada, senhor...? — A Manu foi cumpimentar o CEO.
— Antônio Lira, sou o CEO do Grupo Samer. Vocês podem trazer os documentos para o registro de trabalho. E se apresentem para começar na próxima semana. Vamos fazer uma ambientação para instrui-las sobre como funcionam as coisas por aqui. E começam a trabalhar de fato no início do próximo ano letivo.
— Certo senhor Antônio, estamos muito empolgadas com a oportunidade de trabalhar aqui. — Falei super feliz!
— Sim, super empolgadas, então até segunda senhor. — A Manu respondeu fingindo uma empolgação.
Saímos do Instituto e nem sei expressar o quanto estou feliz.
— Ainda bem que esse ano letivo já está no fim e só começaremos mesmo no próximo ano, eu não tô preparada pra estar em sala de aula ainda.
— Ué Manu. Por que estuda educação se não quer trabalhar com isso?
— Minha mãe era professora, diretora de escola, na verdade. Meu pai queria que eu seguisse os caminhos dele e trabalhasse naquela construtora, aff, a única coisa que ele não me negaria era ser como a mamãe, então cá estou. — Nossa, eu não conhecia essa parte da vida da Manu.
— Entendi, mas você tem muito conhecimento Manu, vai se dar bem.
— Tomara. Vamos almoçar juntas pra comemorar?
— Vamos, mas tem que ser rápido, pois preciso voltar ao trabalho.
— Já vai pedir demissão ao chefe gostosão? — A Manu não tinha jeito.
— Já disse pra parar de chamar ele assim. Ainda não vou me demitir. Vou esperar a documentação sair certinha e aviso.
— Quando for se demitir faz assim, olha nos olhos dele e diz "meu amor, agora não sou mais a sua empregada, pode vir seu gostoso" e dá o maior beijão nele.
— Você não tem jeito Manu. — Falei morrendo de rir.
— O quê? Ia ser top demais, ele não ia entender nada. — Ela ria junto comigo. — No seu lugar eu faria bem assim.
— Tá bom Femme fatale, vamos almoçar.
Eu cheguei toda sorridente na casa do Gabriel, é chega de chamar ele de senhor, se tudo der certo ele será o meu Gabriel.
E pra minha surpresa lá estava ele, sentado na sala mexendo no celular. Por que ele não foi trabalhar hoje? Será que aconteceu alguma coisa?
— Gabriel? Aconteceu algo? A Belinha está bem?
— Oi Lua, boa tarde. Não aconteceu nada. Por que achou isso?
— Me desculpe, é que você não costuma estar em casa nesse horário.
— Eu decidi voltar a usar o meu escritório aqui de casa, pelo menos alguns dias na semana, pra ficar mais perto de vocês.
Ele vai voltar a usar o escritório daqui. Disse que quer ficar mais perto de mim. Ele tá tentando se reaproximar. Ele não ta mais com raiva de mim. Que alegria.
— É bom ter você por perto. — Falei com um sorriso de orelha a orelha.
— Não está mais me chamando de senhor?
— A Gabi me convenceu de que essas formalidades são desnecessárias. Mas se te incomodar eu volto a chama-lo de senhor.
— Você sabe que me dá nos nervos te ouvir me chamando de senhor.
— Então tudo bem Gabriel. — Disse enfatizando o nome dele.
— Bem melhor. — Ele chega bem perto de mim e fala quase no meu ouvido. — Eu amo o jeito que o meu nome sai da sua boca.
Meu pai São Francisco, eu fico toda arrepiada. E meu rosto não desfarça nem um pouco, fico toda vermelha.
— É... E-eu... V-vou ver a Belinha.
Eu saio de lá quase correndo. No final ele tá certo, eu fico agindo feito uma beata puritana. Acho que deveria seguir a ideia da Manu, mas do meu jeito é claro.
No final da tarde eu juntei todos os meus documentos e fui até a casa da Manu deixar tudo lá. Ela se responsabilizou de entregar tudo no Instituto Samer. De lá fomos pra faculdade.
No dia seguinte
Durante o café da manhã o Gabriel me contou que o Daniel, namorado da Gabi, nos convidou para um evento que iria acontecer na quinta-feira a noite em sua galeria de arte, e ele fazia questão da minha presença.
— Mas você vai levar a Belinha? — Perguntei.
— Não, acho melhor não.
— E ainda assim quer que eu vá?
— Sim, o convite foi pra você e não para a Belinha, e então? Sei que tem aula a noite, então tem como você ir?
— Tem sim, eu estou adiantada nos estudos, não tem problema faltar um único dia. — Realmente não havia problema e eu queria muito passar um tempo com o Gabriel.
— Certo então, hoje e amanhã terei encontros com clientes importantes, se precisar de algo é só me ligar.
— O que devo vestir na galeria?
— Vou pedir a Gabi pra te ajudar com isso.
— Certo.
O dia passou muito rápido, na faculdade a Manu me disse que os documentos já haviam sido entregues e que amanhã iríamos lá para assinar.
Na manhã seguinte fui com a Manu até o Instituto e assinamos os documentos. Agora era oficial eu era professora no Instituto Samer.
A tarde fui encontrar a Gabi no shopping, levei a Belinha junto comigo, só de pensar que não teria mais a Belinha por perto todos os dias me partia o coração.
A Manu teve uma brilhante ideia, a Belinha poderia estudar no Instituto, assim ficaríamos juntas. Eu só precisava convencer o Gabriel.
No shopping
— E então, como estão as coisas? — A Gabi me perguntou bem faceira, eu sabia fo que ela estava falando, mas resolvi desconversar.
— Que coisas?
— Não se faz de boba, sabe muito bem do que estou falando.
— Ai Gabi, ta tudo bem, o clima em cada está bem melhor. Eu e o Gabriel estamos nos comunicando mais, enfim.
— E tem chances de você ainda se tornar minha cunhada?
— Gabi! Mais que pergunta! — Eu fico sem graça em falar do Gabriel assim com a gêmea dele.
— É só curiosidade, juro que não vou dizer nada ao Gabriel, pode confiar Lua. — Não sei por que, mas decido confiar nela e conto sobre o Instituto. — Então quando não for mais funcionária dele, pretende se declarar?
— Isso mesmo.
— Eu não vejo a hora se sermos cunhadas. Você foi a melhor coisa que aconteceu a essa família Lua. — Nós abraçamos.
Eu gosto muito da Gabi, ela me apoiou desde o início, quando ainda era faxineira na empresa dela. É uma boa amiga.
Escolhemos nossos vestidos para ir ao evento na galeria. A Gabi escolheu um vestido curto tubinho preto e breco com detalhes em prata. Eu escolhi um vestido curto plissado com decote em V e manga longa na cor azul.
Também fizemos as unhas no salão, a Belinha que gostou, ela ama pintar as unhas, a Gabi escovou os cabelos, eu prefiro deixar os meus ondulados mesmo e fazer uma trança, até porque o Gabriel já disse que gosta então, vou continuar usando assim.
Na quinta-feira
Hoje é o dia do evento na galeria, o Gabriel foi trabalhar na empresa e passei o dia brincando com a Belinha, estou me despedindo aos poucos desses momentos com ela.
No domingo vou me mudar pra casa da Manu, e depois vou procurar um apartamento pra alugar aqui na Cidade.
Amanhã já vou conversar com o Gabriel sobre a demissão e falar tudo o que sinto. Eu fico nervosa só de pensar, mas não vou ser a beata puritana nesse momento, preciso encarnar aquela Lua que arrancou a camisa dele na cozinha. Que São Francisco me ajude.
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Stephanie Aparecida Cristovao
que amiga... que tem conselho bom /Slight/
2025-03-18
1
Adriane Alvarenga
Tadinha da Belinha....vai sentir falta da Lua....
2023-10-30
4
Nazare Albuquerque
está ficando interessante
2023-06-26
1