Gabriel Santini

...Gabriel...

A vida tem sido difícil, faz dois anos que a Leticia faleceu, eu fiquei completamente perdido, me afundei em bebidas e muitas mulheres, me enchi de problemas, deixei a minha filha de lado e quase perdi a minha empresa "O Grupo Santini".

Mas finalmente retomei a minha consciência, parei com a bebedeira e as festas, voltei a trabalhar e a cuidar da minha Belinha, ela parou de falar, de sorrir de ser criança desde a morte da mãe. E eu só piorei as coisas deixando ela com a minha mãe e a minha irmã Gabriela.

A Gabi me pediu pra passar dois meses cuidando da Belinha, "como nos velhos tempos", ela disse, tempos esses em que eu não ligava pra minha filha, mas deixei.

1 mês depois

Bateu saudade da minha filha, chega de ficar na casa da Gabi, assim que sair da empresa eu vou passar na casa da Gabi e pegar a minha Belinha.

Na casa da Gabriela

— Ta fazendo o que aqui Gabriel? Combinamos que a Belinha ia passar 2 meses comigo. — A Gabi ja foi me destravando na entrada da casa.

— É, mas a filha é minha e mudei de ideia, cadê a Belinha? — Respondi tenso, tinha algo errado no modo como a Gabi estava.

— Papai! — A Belinha entrou correndo e... falando?

— Ela falou? Ela disse papai?

Minha filha falou, eu nem lembrava mais como era a voz da Belinha, ela estava ainda aprendendo as primeiras palavras, quando a Leticia faleceu. Eu não consegui conter as lágrimas e abracei ela bem forte. Minha filha falou, ela finalmente falou.

— Como você conseguiu isso Gabi? — Eu mal podia acreditar que isso estava acontecendo.

— Eu conheci uma moça, Clara Lua, ela trabalha na minha empresa de design como faxineira, acredita, mas é uma psicopedagoga incrível, ela veio pra São Lázaro pra fazer mestrado, ela tem trabalhado aqui com a Belinha todas as noites. — A Gabi foi explicando. — Porém, em 1 mês as aulas dela irão começar e teremos que suspender esse trabalho.

Quando a Gabi me contou tudo fiquei louco, não podia aceitar que a pessoa que ajudou minha filha a falar iria se separar dela em apenas alguns dias. Eu tinha que ir atrás dela.

Eu nem pensei, peguei a Gabi e ordenei que me levasse até essa moça.

Chegamos num bairro bem pobre aqui da Cidade, um apartamento pequeno e bem mal localizado. Sai do carro às pressas, o porteiro era um ignorante, não queria me deixar subir, quase dei um soco no imbecil, mas a Gabi conseguiu a autorização.

Subi as escadas num pulo e bati na porta como um louco, nem sei por que agi assim, mas algo me dizia que não poderia perder essa garota. Foi quando ela abriu a porta, e minha nossa ela é tão linda, que todo meu nervoso cessou.

— Quem é você? E que desespero é esse? — Ela era linda, morena, cabelos ondulados presos numa trança embutida, estava de toalha, nossa que corpo perfeito, e com os olhos arregalados.

— Sou Gabriel Santini, você salvou minha filha.

...Clara Lua...

Meu coração disparou quando ele disse quem era, "ai meu Deus, era ele o pai da Belinha" bem ali na minha frente, e como podia ser tão lindo, bem alto, forte, tipo desses que da pra ver os músculos pelo terno, os cabelos ondulados e castanhos claros, como os da dona Gabriela, olhos azuis e penetrantes, os olhos pareciam me comer viva, "ai caramba lembrei que tô só de toalha, que vergonha".

— O senhor quer entrar? É eu vou trocar de roupa, me desculpa é que eu achei que fosse uma emergência e abri a porta do jeito que eu estava.— "Por que eu tinha que estar de toalha, ninguém nunca me viu de toalha antes. Senhoooor!"

— É claro, eu que peço desculpas pelo modo como bati na sua porta. Mas eu precisava muito falar com você.

Nessa hora a dona Gabriela apareceu na porta e entrou, aproveitei a chegada dela e fui correndo trocar de roupa.

— Pronto, então a que devo a honra dessa visita?

— Clara me desculpa ta, o Gabriel é louco, me arrastou pra cá essa hora da noite, sendo que eu disse que amanhã você estaria lá em casa. — A dona Gabriela foi explicando, mas eu só conseguia pensar nesse homem na minha frente.

— Tá, eu já pedi desculpa, eu sou assim, sou intenso as vezes, mas quando a Belinha falou, eu sabia que não podia perder você. — Ele se aproximou de mim, tipo dava pra sentir a respiração dele. — Clara Lua você não é uma faxineira, você é uma cientista, uma intelectual e profissional de educação. Eu proponho que você saia da empresa da Gabi e venha trabalhar na minha casa. A Gabriela me falou que você quer abrir um instituto pra crianças como a Belinha, eu pago muito bem, bem mais que a faxina, e você vai adquirir bastante experiência, vai sair desse lugar horroroso, com todo respeito, e vai ajudar minha filha. Então o que me diz?

Ele tava certo, eu não sou uma faxineira, sou uma cientista, educadora, e nunca tinha pensado nisso, como um sujeito que nunca me viu, me conhece melhor do que eu, e me valoriza tanto. É era a oportunidade perfeita, eu senti que minha vida ia mudar ali. E eu já amava a Belinha, ia ser muito triste me afastar dela.

— Eu aceito, eu vou trabalhar na sua casa. — Disse com entusiasmo.

— Maravilha, faça as malas, vamos agora.

— Agora? No meio da noite? Mas eu preciso me demitir na empresa e acertar as contas aqui do apartamento. — Caramba ele era mesmo intenso, eu não podia simplesmente sair assim. — Não posso ir amanhã depois de resolver essas coisas?

— Besteira, vamos agora, faça as malas.

— Meu Deus homem, você não tem jeito. — A dona Gabriela tomou a frente e veio falar diretamente comigo. — Ta tudo bem Clara Lua, amanhã você acerta tudo aqui e passa lá na empresa, já leva as suas malas que eu peço ao motorista pra te levar na casa do Gabriel. Ok?

— Muito obrigada dona Gabriela.

— Ta, mas chega o mais cedo possível. Nos vemos amanhã então. Boa noite Clara Lua.

Quando eles saíram eu ainda tava zonza, caramba, era o emprego que eu queria quando cheguei aqui. Antes de dormir deixei tudo arrumado pro dia seguinte, pra minha nova vida.

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Comments

Maria Aparecida Samocrainic Couto

Maria Aparecida Samocrainic Couto

começando em 26/3/25. a autora coloca a foto de um lindo homem loiro de olhos azuis, e descreve outro totalmente diferente. kkk

2025-03-26

1

Carmem Nayone Orlandeli Do Valle Pereira

Carmem Nayone Orlandeli Do Valle Pereira

começando a ler 20/3/2025

2025-03-21

0

Andreia Jesus Silva

Andreia Jesus Silva

começando a ler 30/03/24 e estou gostando bastante

2024-03-31

5

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Atualizado até capítulo 51

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