Arrependida

5 meses depois

...Clara Lua...

Passaram 5 meses desde que rejeitei definitivamente o pedido do senhor Santini e 9 meses que estou trabalhando aqui com a Belinha, desde então temos nos visto muito pouco, basicamente só no café da manhã. Ele voltou a trabalhar na empresa, então ele acorda cedo, toma café com a Belinha, depois sai pra trabalhar.

Ele passa o dia todo na empresa e só volta pra casa a noite, quando eu já saí pra faculdade, quando volto todos já estão dormindo, nos fins de semana ele leva a Belinha pra passear, algumas vezes ele até viaja com ela e me deixa de folga.

Só nos falamos o estritamente necessário, sempre sobre a educação da Belinha e nada mais.

Isso tem sido horrível pra mim, se não fosse a Belinha eu já teria ido embora, pois é insuportável viver assim.

Eu achei que com o tempo eu ia ficar bem, esse sentimento iria diminuir aos poucos até sumir, mas ele só cresce e dói demais. E não sei o que fazer, afinal fui eu quem provocou tudo isso, e agora é tarde, acho que o senhor Gabriel só sente raiva de mim.

Falta apenas 1 mês pra terminar o segundo semestre do mestrado, eu tenho me dedicado muito aos estudos e minha dissertação está bem adiantada, mergulho nos estudos pra tentar esquecer meu sofrimento.

No início do mês será o aniversário da Belinha, o senhor Santini decidiu fazer uma festa pequena aqui na casa mesmo, só para a família e amigos próximos, ele quer evitar fazer uma festa grande e ter que convidar os clientes que ele não gosta. Então, vou finalmente conhecer os avós da Belinha.

No sábado, a dona Gabriela veio almoçar aqui na casa do senhor Santini, ela veio apresentar o namorado pra ele.

Ela conheceu o Daniel numa exposição de artes plásticas, ele abriu uma galeria recentemente e parece ser um negócio bastante promissor, e a dona Gabriela está tão feliz. Ela me disse que fazia anos que ela não se permitia viver uma história de amor.

Eles formam um belo casal, o Daniel é um cara bonito, ele é uns 5 anos mais velho que a dona Gabriela que tem 35 anos. Ele veio de Paris, trabalhou por muitos anos com artistas europeus e agora decidiu voltar ao Brasil e fundar a sua própria galeria de arte.

— Estou muito feliz em te conhecer Daniel, mas vou avisando que se magoar minha irmãzinha, você vai se ver comigo, pois na máfia família é sagrada. — O senhor Gabriel sorria satisfeito.

— Deixa de palhaçada Gabriel, e relaxa Dan, a minha família é italiana, mas não tem nada a ver com a máfia. — A dona Gabriela respondeu rindo, ela estava radiante em apresentar o namorado.

— Acredite como quiser parceiro. — Senhor Gabriel ria de sua piada, foi um dia feliz!

— Pode deixar, vou tratar a Gabi com todo o amor. — O Daniel parecia ser um homem de bem e gostava da Gabriela. — primeiro porque ela merece e segundo porque não quero a máfia na minha porta (risos).

— Sabias palavras cunhado.

Depois do almoço todos foram para a sala e eu decidi voltar para o quarto, afinal não sou da família e a Belinha estava muito bem com o pai e a tia.

De repente a senhora Santini bateu na porta do quarto.

— Posso entrar, Lua?

— Claro, dona Gabriela.

— Eu disse que pode me chamar de Gabi. Por que insiste nessas formalidades?

— É porque não quero misturar as coisas. Depois de tudo que houve.

— Eu já lhe disse que entendo os seus princípios e tudo mais e no final é você que escolhe com quem quer namorar. Mas eu gosto de você e quero que sejamos amigas, Lua. Então me chama de Gabi, poxa!

— Ai eu tô me sentindo uma insuportável agora. — Nós duas começamos a rir. — Tudo bem Gabi, eu também quero ser sua amiga. Estou muito feliz de te ver assim apaixonadinha.

— Ai eu também, eu estava muito focada em cuidar do Gabriel, da Belinha, manter a família unida, mas agora graças a você eu posso cuidar de mim.

— Eu fico feliz em ter ajudado tanto com o meu trabalho.

— Você nem imagina o quanto ajudou. Bom, vamos sair hoje e só voltamos amanhã à noite. O Gabriel pediu pra você arrumar as coisas da Belinha. Se quiser pode vir junto.

— Eu prefiro ficar, tenho umas coisas pra fazer.

— Tudo bem então!

Arrumo tudo e eles saem. No dia seguinte eu decidi ir até à casa da Manu pra conversar.

......................

...Gabriel...

Tem sido irritante e insuportável conviver com a Lua sem poder me aproximar dela. Eu não consigo aceitar essa rejeição e por besteira, ela pode chamar de princípios e bla bla bla, mas pra mim não faz o menor sentido. Nos amamos, isso deveria ser suficiente.

Mas eu não posso insistir, pois, se viver assim com ela tem sido difícil, nem posso imaginar como seria se ela fosse embora, só de pensar em não olhar pra ela todos os dias eu fico louco.

E também tem a Belinha, ela tem se desenvolvido muito e precisa da Lua por perto.

No sábado a Gabi trouxe o Daniel pra conhecer a minha casa e fomos passar o fim de semana na casa de praia dele.

— Como você está? — A Gabi chegou perto de mim.

— Feliz por você ter finalmente desencalhado.

— Idiota. — Ela me deu um soquinho no ombro e riu. — To falando de você.

— Eu tô na merda. — Suspirei. —Mas vou ficar bem.

— Ta deixando a Lua respirar em paz?

— Eu mal estou falando com ela tá! Estou respeitando essa merda de decisão.

— Ela gosta de você, mas ela é uma menina que foi criada num convento, tem muitos princípios de certo e errado.

— Isso eu sei, e agora odeio conventos. Mas o que você quer que eu faça?

— Tenta se reaproximar. — O que?

— Mas você mesma me disse pra deixar ela em paz.

— Eu sei, mas algo me diz que ela está arrependida e que precisa de um empurrãozinho.

— Serio? Então volto pra casa agora.— Me virei em direção a saída da lancha, mas a Gabi me segurou.

— Assim também não, com calma, ela está lutando contra os próprios princípios, então não ativa o Gabriel maluco tá!

— Ai droga! Ta legal, então soberana, guru do amor! Me diz o que fazer.

......................

...Clara Lua...

Cheguei na casa da Manu e decido me abrir com ela, preciso falar pra alguém tudo que estou sentindo e ouvir conselhos de como ajustar a minha vida maluca.

— Menina, mas você é muito boa em guardar segredo. — A Gabi me olhava impressionada. — Eu não conseguiria esconder isso tudo.

— Eu sempre fui muito reservada.

— Até demais. Eu sabia que tava rolando algo entre você e seu chefe.

— É, tava rolando, mas acabou.

— Mas você não ta feliz, você ta arrependida de ter dado o fora nele. Agora precisa reconquistar o cara.

— A questão é que nada mudou, ele continua sendo meu chefe, e eu continuo uma órfã pobre. — Falei frustrada me afundando no sofá da Manu.

— Mas pela sua cara, isso não importa mais. Alias o problema do chefe pode ser resolvido, com um simples pedido de demissão. — Demissão? Ela tava louca.

— Aí eu vou ficar ainda mais pobre.

— Vou te ajudar a arrumar um emprego. Alias nós duas vamos.

— Você vai trabalhar? — Me ajeitei no sofá. — Achei que tava satisfeita em viver da mesada do seu pai.

O pai da Manu é o Alexandre da Silva Ramos, dono da Ramos Construtora, uma empresa bastante rica, que funciona em todo o Brasil.

— Eu te ajudo e você me ofende? Nojenta! — A Manu me deu um tapinha na coxa.

— Deixa de drama vai. Que história é essa de emprego?

— O meu pai disse que não tô me decidido ao mestrado e só quero saber de festas, e agora com o Lucas tudo só piorou.

— Ele não ta errado. — Fui sincera e ela revirou os olhos.

— É, mas agora ele quer cortar a minha mesada, a menos que eu vá trabalhar. Então ele fez amizade com o dono do Instituto Samer, e disse que eu teria uma vaga lá.

— Nossa, o Instituto Samer é referência em educação inclusiva. Seria perfeito trabalhar lá.

— É, e o salário não é ruim, é bem menor que a minha mesada. Mas fazer o que. Bom, vou dizer a meu pai que aceito a vaga se você também for contratada.

— E é possível? — Agora eu já estava super animada com ideia de trabalhar no Samer.

— Pro meu pai é, e pra você vai ser perfeito, pois é muito difícil conseguir uma vaga num lugar assim. E você não será mais a funcionária do senhor gostosão.

— Para de chamar ele assim tá. Ai Manu, se você me conseguir essa vaga, eu vou te amar pra sempre.

— Vou ligar pro meu pai.

Volto pra casa do senhor Santini, e eles já voltaram da praia, vou ver a Belinha e em seguida vou conversar com o senhor Gabriel, preciso avisar que não estarei em casa amanhã de manhã, pois vou fazer a entrevista no Instituto Samer com a Manu.

— Oi Lua, precisa de alguma coisa? — Ele estava lendo sentado no escritório.

— Sim senhor, amanhã pela manhã eu preciso sair pra resolver umas questões do mestrado com a Manu. Tem algum problema?

— Não, tudo bem, pede pra Maria ficar com a Belinha.

— Obrigada senhor. — Me preparo pra sair, mas ele levanta e vem até mim.

— Lua, você está muito bonita hoje, gosto muito dessas tranças que você faz no cabelo. — Ele se aproxima e passa a mão com delicadeza no meu cabelo.

Por que ele está agindo assim? Faz tempo que ele não se aproxima, isso faz meu rosto ficar vermelho e meu coração acelera.

— O-Obrigada senhor... É... com licença, boa noite.

Talvez isso significa que ele ainda gosta de mim, talvez a Manu esteja certa, essa diferença social entre nós, não importa mais pra mim, e com o novo emprego ele não será mais meu chefe. Eu posso fazer isso, enfrentar até meus princípios pra viver esse amor. Ta decidido, vou me reaproximar do Gabriel.

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Comments

Graça Araújo

Graça Araújo

garota idiota dos inferno 😡

2025-03-09

1

Dora Silva

Dora Silva

cansei dessa idiota

2024-03-26

2

Alessandra Epifanio

Alessandra Epifanio

muito bobinha mesmo

2023-09-26

2

Ver todos
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Atualizado até capítulo 51

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