A semana passou voando, eu mal percebi, até porque depois do incidente da prova na segunda-feira me tornei o centro das atenções não só dos professores mas também dos alunos, a fofoca sem dúvida partiu de alguém da minha turma... Quando passo nos corredores percebo os cochichos e por vezes algumas risadas, na sexta o rumor que a Ceci ouviu ao meu respeito é que na verdade tenho um caso com o diretor e por isso tenho passe livre para quebrar qualquer regra, que história "mais absurda",eu disse quando ouvi, mas para alguns parece ser real, se soubessem a verdade...o pior é que a verdade consegue ser ainda mais terrível que isso! Casar com um herdeiro da máfia, um cara que sem dúvidas deve ser totalmente inescrupuloso, a única coisa que eu queria era que alguém me salvasse dessa encrenca enorme, confesso que passou pela minha mente contatar a polícia,mas isso seria um erro já que a máfia não é discreta... certamente a polícia deve ter algum tipo de ligação com eles, homens infiltrados, essas coisas que vemos nos filmes seria o meu fim e com certeza o fim da dona Irmínia, que não merece morrer por uma atitude egoísta minha.
Hoje é o dia que o Lucca vem me buscar, não tenho ânimo para pôr os pés no chão, ontem com muito custo e ajuda da dona Irmínia arrumei minhas coisas, na hora de dormir chorei compulsivamente, rejeitei as ligações da minha mãe praticamente a semana inteira, ainda não sei como manterei contato com ela sem que perceba que há algo diferente comigo, e com o lugar em que moro.
Perdida nas minhas angústias percebo dona Irmínia bater na porta ela diz - Ragazza você deve descer para almoçar já que passou do meio dia...~ Ela achou que eu estava dormindo até essa hora..~,se ela soubesse que não dormi nada, e nem sei quando vou conseguir dormir de novo,ir morar na casa de estranhos, que falam um idioma diferente e são criminosos famosos e confessos...como não enlouquecer ao pensar em tudo isso estou com muito MEDO se pudesse fugir eu fugiria....
Eu desço as escadas de pijama só escovei os dentes e na verdade meu estômago está tão embrulhado não quero comer nada..Por fim tomo um pouco de suco de pêssego enquanto dona Irmínia puxa assunto - Lena você não parece bem, talvez devesse ir ao médico hoje,sabe aquele rapaz vai ter que entender...Eu sei que seus nervos devem estar à flor da pele..querida eu não quero que continue com isso. Antes que ela termine eu interrompo - Dona Irmínia, eu não vou desistir já estou na metade do caminho, por fim aquele tal Lucca vai acabar pedindo o divórcio eu não sou como as mulheres que ele está acostumado a lidar... não vou facilitar a vida dele,é só questão de tempo. Ela acena com a cabeça e fica em silêncio.
Na escola hoje tem uma aula especial, mas eu não vou, não tenho condições mentais para isso, a semana inteira fiquei procurando as palavras para contar a Cecí e no fim não disse nada, quem sabe depois de tudo isso eu encontro uma maneira de dizer a ela e também a minha família.
Ligo para minha mãe e ela diz que ficou preocupada mas entende a correria do curso e o cansaço,ela me conta todas as novidades e que o restaurante recebeu um dos maiores críticos do Brasil e ele fez uma excelente crítica sobre o cardápio, uma notícia boa ao menos, contou como o nosso cachorro aprendeu a nadar na piscina da casa de praia da minha avó e como foi difícil tirar ele de lá depois...ouvir minha mãe falar faz com que eu sinta um pouquinho de conforto no coração, esqueço o que me espera daqui a algumas horas... me despeço da minha mãe e desligo vou tentar tirar um cochilo depois um banho quem sabe...
Subo para o quarto pego o coberto e me aconchego entre os travesseiros, fecho os meus olhos e contos carneirinhos~não é que isso realmente funciona~,sinto os meus olhos pesados e me entrego ao sono...
Eu realmente consegui cochilar tão profundamente que acordei com dona Irmínia me chamando e o Lucca prestes a arrombar a porta do meu quarto, ~que vontade de sovar a cara dele como se fosse uma massa de pão doce~, Eu grito para que ele ouça da maneira mais elegante possível... -Eu já acordei, me dê um tempo Lucca Trovatto, seja menos bruto e mais civilizado! Escuto dona Irmínia dizer - Vamos, rapaz, espere ela lá embaixo farei um chá para você... Ouço os passos deles descendo a escada, porque ele simplesmente não me deixa em paz? Como na história da branca de neve que o caçador não a mata mais a deixa ir...~Até parece, esse homem mesquinho, homem não...um garoto..ele não parece ter mais do que vinte anos...como consegue ser tão cruel, e lindo também eu não sou cega afinal,mas como dizem... aparência não é tudo~. Levanto da cama vou em direção ao espelho primeiro eu estou extremamente abatida,mas não faço nenhuma questão de estar bonita para esse babaca, depois de constatar minha péssima aparência caminho até o chuveiro e tomo um longo banho quente, passo os meus cremes, nada de pele seca por aqui, pego um vestido verde coberto dos pés a cabeça, não quero que ele tenha nenhuma ideia errada, calço minhas havaianas afinal sou brasileira.. e aqui na Europa usar havaianas é algo chic, maquiagem não vou passar,só um pouquinho de gloss porque o clima está meio seco,pego minhas duas malas, minha bolsa e saio em direção as escadas, sinto um nó na garganta e a vontade de chorar é enorme, mas engulo as lágrimas não quero parecer fraca e nem vulnerável diante desse carcamano.
Quando chego na sala Lucca está conversando em italiano com dona Irmínia ao perceberem minha presença o silêncio toma o ambiente ele me cumprimenta - Olá, senhorita Helena, vejo que já está pronta então podemos ir não é mesmo? Ele se levanta do sofá e pede que eu lhe entregue minhas malas, eu estou paralisada com meus olhos fitos nele percebo a vontade de chorar vir novamente, por fim dona Irmínia diz - Ragazza você está bem? Precisa de um médico? Eu aceno com a cabeça que não, digo ao Lucca - Eu sou perfeitamente capaz de carregar minhas próprias malas, senhor, então faça o favor de parar de fingir que é gentil. Ele se afasta e diz até breve a dona Irmínia, que a espera no casamento amanhã às 17:00 horas, quando ele sai eu solto as malas e dou um abraço forte em dona Irmínia, percebo que ela está chorando ela diz - Lena você não precisa ir... Você...eu interrompo - A decisão já foi feita, eu irei com ele não se preocupe, venha amanhã, me promete que sempre vai me ligar e me visitar...ela diz - Claro querida, mas é claro!
Dona Irmínia me acompanha até a porta, vejo que essa vez Giovanni o capanga do Lucca não está com ele, ele coloca minhas malas no carro, eu dou meu último adeus a dona Irmínia...ele abre a porta do passageiro fingindo gentileza, eu entro no carro, mas sinto como se estivesse indo para o matadouro.
Agora não tem volta. Serei esposa dele.
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Atualizado até capítulo 93
Comments
Apaixonada012
quero ver
2022-07-16
1
Amanda S
autora coloca foto dos personagens
2022-07-11
0
SRC93
mano que história intrigante. n da vontade de parar
2022-07-05
0