Capítulo 19

- A menina veio? Questionou ansiosa.

- Sim, Marina, e a mãe dela também.

- Agora, no fim da missa, eu ofereço revista de perfume pra ela? Pra distrair? Confirmou pela centésima vez.

- É. Ela ama comprar bugigangas dessas revistas. Cadê a sua amiga? Só entrego minha filha pra ela. Será que vai trazer o dinheiro todo?

- Sim, ela já chegou também.  Esse é o contato dela, essa é a foto. Ela disse que vem com dois caras, por segurança. Sua menina valeu um dinheirão!

- Ela não vai tentar pegar a minha filha à força não, né? Tentou parecer ressabiado.

- Já falei que não, a menos que você dê pra traz, aí não garanto nada.

- Ó lá, vai pro teu lugar que eu mando mensagem pra você distrair ela. Boa sorte!

- Qual é mesmo o nome dela?

- Nem vou dizer, pra você não se confundir e acabar chamando ela pelo nome antes da hora. Você falou pra ela que minha menina é grandona? Tem seis com tamanho de dez?

- Sim, e ela amou. Disse que tem um casal no perfil, ansioso, esperando uma garota assim. Vou lá, e boa sorte pra você também.

A "filha" era uma atriz, uma anã magrinha, ótima atriz que constantemente fazia bicos como dublê de crianças na TV, então sabia bem como se portar. Usava uma peruca escura com franja e lacinhos, um óculos relativamente grande pra disfarçar o rosto, um vestido infantil, floral de capuz com um coletinho à prova de balas feito para parecer um acessório todo de pelúcia e tênis rosa, e trazia na mão uma boneca de pano da Emília com gps. Sabia da importância de sua atuação, a mais perigosa de sua vida, o que lhe faltava em tamanho, sobrava em coragem,  pois não pensou duas vezes ao aceitar esse personagem que talvez fosse o maior, e o mais perigoso de sua vida. Olhou para o "pai" disfarçadamente, e sussurrou ao ouvido da "mãe", saiu pela porta lateral conforme o plano e foi em direção ao banheiro, logo que saiu, Marina tomou seu lugar.

- Oi moça, a senhora conhece os produtos pimenta branca? Prazer sou a Mari, qual seu nome?

- Eva...

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O resto, foi um borrão. O celular de Jean estava pareado com o PC da central, então assim que ele recebeu a foto de Luana, todos receberam, inclusive os policiais civis que estavam rodeando a pracinha da igreja. Ele seguiu a atriz até perto do banheiro, e deu uma trufa que ela devorou, caso estivesse sendo vigiada, mas era uma parecida, apenas. Ele descartou a "batizada" no lixo do banheiro e um policial recolheu logo depois para servir como prova, bem como para evitar riscos. Pôs a mão no ombro da garota e foram sentar num banco, ao lado de uma fonte gótica onde um anjo vertia água de um jarro, mas, para simular o doping, ela deitou em seu colo e ficou inerente enquantoele acariciavasuas costas.

Jean enviou um SMS para Luana conforme o combinado, informando estar com a filha, e em dois minutos surgiu o trio, Luana, loira, alta, com cabelos loiros presos em um rabo de cavalo, prático e impecável, uma maquiagem suave e um conjunto de moletom marrom combinando com seus tênis de corrida, e mais dois brutamontes de jeans . O mais alto estava com uma jaqueta de couro e um coldre mal disfarçado sob a axila esquerda, e o outro, marombado estava com as mãos no bolso do moletom, ambos com aquela cara de monstro de HQ.

- Boa noite, Jean. Sou a Luana... Essa é a minha nova filha? Perguntou lambendo os lábios enquanto o azul de seus olhos brilhava pela antecipação de tudo que aquele pedófilo, em especial poderia fazer àquela menina.

- Depende, trouxe o combinado?

- Claro! Também preparei a mala para ela... Vai sair do Brasil loirinha, como eu. Já marquei cabeleireira pra amanhã cedo. Disse tranquilamente enquanto abria a mochila e exibia seu conteúdo.

De repente ouviram-se diversos estalos de armas variadas sendo engatilhadas.

- Passa a mochila, dona! PERDEU!

Os capangas tardiamente puxaram suas armas, Luana decidiu usar a "criança" como escudo humano para tentar negociar sua fuga, mas ao puxá-la assustou-se com sua força e peso, então a tal garota virou-se rápida como uma gata selvagem e, com uma taser encostada contra sua garganta a desacordou. Seus "seguranças" ao perceber que sua chefe fora apagada voltaram sua fúria contra a garotinha, o que lhes rendeu um tiro no ombro e mais um no tornozelo do marombado, Jean rapidamente deu uma rasteira no mais alto, o que confirmou que quanto maior a altura... Maior o baque. Na verdade, ao cair, bateu com a cabeça na borda da fonte, que mesmo com o sangue se misturando à água continuou jorrando silenciosamente.

- Matei ele? Questionou Jean desesperado.

- Provavelmente não, mas se tiver matado, tem aqui umas vinte testemunhas que foi legítima defesa.

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- Nossa, Mari, que bela pulseira! Não acha, Mila?

- Sim! Com certeza! Vende aí na revista?

- Infelizmente não...

- Ei, vocês viram minha filha? Questionou Eva candidamente revirandoas páginas da revista.

- Saiu tem alguns minutos... E me pediu dinheiro, então deve ter ido comprar pipoca, vamos atrás?

- Sim, Mila, e você pode vir com a gente pra mostrar a revista... Na igreja parece errado comprar ou vender...

Ambas cercaram Marina e entrelaçaram seus braços nos dela, mas ao pisar fora da igreja, surpresa! Uma policial civil à paisana abraçou-a por trás e sussurrou:

- Marina, facilitadora de tráfico de crianças, a pulseira ideal para você está comigo...

Marina se debateu, tentou mesmo fugir, mas ao se soltar viu o Jean e decidiu fazer uma cena em busca de ajuda.

- Jean, amor, me ajuda! Essas doidas querem me fazer mal!

Jean de pé ao lado da suposta filha, apenas olhou em sua direção, mas o olhar havia mudado, agora parecia enojado. Ela novamente tentou correr, e para tanto pisou no pé de Mila e empurrou a policial, mas Eva foi mais rápida, deu-lhe uma cotovelada no nariz e segurou seus cabelos com firmeza enquanto dizia entredentes:

- Jean? Se você ama os dentes que tem na boca, esquece esse nome e o dono dele! Ele é meu, mesmo que ainda não tenha percebido.

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- Foi ela! E o namorado! Eles me pediram pra ajudar a conseguir crianças rejeitadas pra os gringos adotarem! Berrou Marina desesperada e descabelada, seu nariz estava inchado e torto, e um rastro de sangueseco ia até o queixo. Já tinha chorado, o que a deixou parecendo um guaxinim ao derreter o rímel, também tinha tentado lutar, o que além de inútil foi cansativo, tentou mentir, seduzir os policiais e até simulou alguns desmaios, mas ao se ver encurralada decidiu falar.

- Vem aqui, moça. Segunda porta à direita. Conduziu gentilmente o policial musculoso e careca com cara de bravo que estava patrulhando a praça na hora da prisão.

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- Sra Luana Lima, temos provas consistentes de seu empreendimento lucrativo como traficante de crianças. Agora, podemos amenizar sua pena caso nos dê acesso à sua carta de clientes.

- Ou o quê? Vai me prender? Estou apavorada! Completou ironicamente. Estamos no Brasil! Aqui, a pena máxima é de quarenta anos, que com bom comportamento, e eu sou bem comportada, e ré primária, só pra constar, se reduz a três quartos, e tem mais, que talvez seja a questão principal... Sou podre de rica! Logo consigo um semiaberto, ou prisão domiciliar... E pronto!

- Sim, tem razão, docinho, aqui, no Brasil, repetiu enfatizando cada palavra, infelizmente ainda funciona assim... Mas, você se naturalizou americana, não foi? E a Interpol tem um mandato contra você... Então, é comigo, ou com eles. Vai continuar o joguinho? Ah, também quero conhecer seu namorado...

- Não tenho namorado nenhum... E sou carioca! Não podem me extraditar! Quero meu advogado! Chamem os direitos humanos agora!

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