Luísa não conseguia dormir naquela noite. O comportamento de Pedro a incomodava profundamente. Ela sabia que ele estava se afastando, mas não entendia o motivo exato. A última conversa deles a havia deixado desconcertada: ele parecia decidido a se afastar, dizendo que ela merecia alguém melhor. As palavras dele ecoavam em sua mente. Ela não queria acreditar nisso. Ela sabia que o que eles sentiam um pelo outro era verdadeiro, mas sua mãe e Maria Clara estavam tornando tudo muito difícil.
Na manhã seguinte, Luísa foi até a estufa, onde Pedro costumava trabalhar, na esperança de encontrá-lo. Quando o viu de costas, suando sob o sol forte, o coração dela apertou. Ela se aproximou devagar, com passos hesitantes, temendo o que poderia ouvir. Quando ele a percebeu, seus olhos não brilharam como antes. Em vez disso, havia uma tristeza profunda.
"Pedro", começou Luísa, sua voz falhando um pouco, "precisamos conversar."
Pedro olhou para ela, seu rosto fechado.
"Eu sei o que você vai dizer, Luísa. Eu... eu não sou digno de você. Você merece alguém que possa estar ao seu lado no seu mundo. Eu não sou esse homem."
Luísa deu um passo à frente, determinada a não deixar que ele se afastasse.
"Pedro, não diga isso. Eu te amo. Você não precisa ser ninguém além de quem você é. O que eu quero, o que eu preciso, é de você. Não importa o que os outros pensem. Não importa a sua origem. Você é mais do que suficiente para mim."
Pedro olhou para ela, os olhos cheios de conflito.
"Luísa, você não entende. Eu te amo, mas vejo o que está acontecendo. Você tem uma vida inteira pela frente, um futuro brilhante. Eu sou só um peão, e sei que não posso te oferecer o que você merece."
Luísa não sabia mais o que fazer. Ela sabia que ele estava sendo consumido pela dúvida, que a pressão das circunstâncias estava quebrando a confiança que tinham um no outro. Mas ela não podia deixá-lo partir assim. Não depois de tudo o que haviam vivido.
"Você não pode me dizer o que eu mereço, Pedro. Eu te escolhi. E se o meu futuro é ao seu lado, então é isso que eu quero."
Mas Pedro se afastou, a dor visível em seu rosto.
"Eu não posso fazer isso, Luísa. Eu não posso te prender a uma vida que você não quer. Eu te amo demais para te fazer sofrer, amar é querer ver o outro feliz mesmo que não seja ao nosso lado como desejamos, amar também é saber abrir mão."
Ele virou-se, caminhando para o campo, deixando Luísa sozinha com seu coração partido. Ela não sabia o que fazer para reverter aquilo, mas uma coisa ela tinha certeza: ela não iria deixar sua mãe e Maria Clara vencerem tão facilmente. Precisava lutar por ele assim como ele deveria fazê-lo por ela, não se importava com luxo, apenas o amor dele já bastava para sua felicidade e ela sabia que era ao seu lado.
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Atualizado até capítulo 38
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