A Promessa e o Amor Proibido
Luísa estava acostumada à vida que sua mãe, dona Inês, lhe impusera desde muito jovem: cercada de luxo, festas e um futuro já traçado, onde nada parecia sair do lugar. Ela, com apenas 20 anos, estava prestes a se casar com Rodrigo, um herdeiro de uma das famílias mais ricas da região. Um casamento que não era resultado de um grande amor, mas de uma promessa feita entre os pais ainda quando Luísa era apenas uma criança. Isso, para ela, sempre parecera natural, pois sua mãe nunca deixara espaço para qualquer outro tipo de pensamento. Era o que deveria ser feito, e ponto final.
Naquela manhã quente de verão, Luísa preparava-se para viajar até a fazenda de sua tia Clara. Ela teria que passar algumas semanas lá, antes do casamento, e aproveitaria para "conhecer melhor o futuro marido", como sua mãe insistia. Era mais uma obrigação social do que um verdadeiro desejo. Rodrigo estava muito ocupado com os negócios da família, e Luísa sabia que ele não se importaria em viajar com ela.
Enquanto arrumava suas malas, seu olhar se deteve por um momento na janela do quarto, observando o jardim que sua mãe tanto zelava. Lá fora, a vida parecia tranquila, mas para Luísa, o futuro se desenhava uma linha reta, sem desvios, sem aventuras. Ela não se importava com o casamento. Não se importava com Rodrigo. Ela queria mais... queria um pouco de liberdade, de sentir algo verdadeiro. Mas isso parecia impossível, não só pela promessa que sua mãe fizera a Rodrigo, mas também pelo peso da sua própria educação.
"Vamos, Luísa, já está na hora de irmos. Não queremos chegar tarde", disse sua mãe, entrando no quarto com uma expressão severa.
Luísa suspirou e fechou a mala, indo até a porta, onde sua mãe a aguardava, com o semblante impecável e o olhar crítico.
A viagem foi silenciosa, cheia de formalidades e conversas vazias sobre como a visita à fazenda seria boa para o bem do "casamento". Ao chegar, Luísa observou a grande propriedade de sua tia Clara. A fazenda tinha algo de encantador, algo simples, mas com uma beleza rústica que tocava Luísa de um jeito inesperado.
Sua tia Clara estava à sua espera na entrada, sorrindo calorosamente. Tinha uma aura diferente da mãe de Luísa, mais acolhedora, mais genuína.
"Que bom que chegaram! Vamos, entrem! A fazenda está linda, e temos muitas coisas para fazer!" exclamou tia Clara, puxando-a para dentro.
A casa era grande, mas sem os excessos do luxo que Luísa estava acostumada. Era simples, confortável, e isso a fazia se sentir um pouco mais leve. Tia Clara logo a apresentou a alguns dos empregados, e Luísa, curiosa, se perdeu observando cada detalhe daquele lugar que parecia tão distante da vida que ela conhecia.
Foi então que ela o viu pela primeira vez. Pedro, o peão da fazenda, estava trabalhando nos campos. Ele era alto, com o cabelo escuro e bagunçado pelo vento, e seus braços musculosos se moviam com uma força impressionante. Ele tinha o rosto marcado pelo sol e uma expressão séria, mas algo em seu olhar despertou algo profundo dentro de Luísa. Não era a primeira vez que ela via um homem trabalhando no campo, mas havia algo de diferente nele. Talvez fosse o modo como ele parecia viver no presente, como se não houvesse pressa nem pressões, apenas o trabalho árduo e uma vida simples.
Luísa ficou observando por um momento, até que se deu conta de que estava sendo rude por ficar ali, sem se apresentar. Virou-se para entrar na casa, mas seus olhos voltaram para ele, e ela não pôde evitar o impulso de olhar mais uma vez. Ela sentiu algo incomum, uma inquietação que ela não sabia explicar.
"Esse é Pedro, o nosso peão", disse tia Clara, percebendo a direção do olhar de Luísa. "Ele é muito bom no que faz, mas é um pouco... rústico. Não se preocupe com ele, é só um trabalhador da terra."
Luísa sorriu timidamente, tentando disfarçar a curiosidade que começava a tomar conta dela. Ela sabia o que sua mãe pensaria se soubesse que ela estava olhando com tanto interesse para alguém tão "abaixo de sua classe social". Mas, naqueles minutos, ela sentiu uma estranha sensação de liberdade.
"Vou descansar um pouco, tia. Depois nos vemos", disse Luísa, apressando-se em sair da sala e subindo para o quarto onde ela se hospedaria.
Ao chegar lá, sentou-se na janela, observando o campo e pensando em Pedro. Algo naquele homem despertava uma parte dela que ela não conhecia. Mas ela sabia que não poderia alimentar tais pensamentos. Estava prometida a Rodrigo. Seu futuro já estava traçado, e ela deveria se concentrar em cumprir com o que era esperado.
Mas, enquanto a noite caía sobre a fazenda, Luísa não conseguia parar de pensar em Pedro.
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Atualizado até capítulo 38
Comments
Jorgete Das Chagas Scramignon (Gete)
Parece que vai ser uma boa história mas não entendo essa de obrigação de casar seja lá por qualquer motivo!
2025-03-29
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Flavia Felix
Não consigo entender porque os ricos tem essa mania de casamento arranjado
2025-03-29
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Eliana Jacinto
já gostei do início.
2025-03-29
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