Laura entrou na sala de aula sem bater, como costumava fazer sempre que chegava mais cedo. Estava animada para ver Gabriel, mesmo que fosse apenas por alguns minutos antes da aula começar. Porém, ao abrir a porta, sentiu seu corpo congelar diante da cena à sua frente.
Marina, a professora de literatura, estava sentada na beirada da mesa de Gabriel, inclinada para ele de um jeito que tornava suas intenções óbvias. O sorriso dela era sugestivo, os dedos brincavam com a corrente que Gabriel usava no pescoço, e o olhar que lançava a ele deixava claro que não estavam falando sobre literatura.
— Você sabe que poderia me pedir ajuda sempre que quiser, Gabriel… — a voz dela era doce, carregada de uma malícia que fez o estômago de Laura revirar.
Gabriel parecia desconfortável. Ele se afastou sutilmente, soltando um riso sem humor.
— Eu agradeço, Marina, mas estou bem.
Laura sentiu um calor subir por seu corpo, mas não era o tipo bom. Era uma mistura de raiva e insegurança. Será que ele realmente queria se afastar ou era só um jogo?
Marina não desistiu. Pelo contrário, inclinou-se ainda mais, ignorando a recusa dele.
— Ah, Gabriel… — Ela mordeu levemente o lábio, o olhar deslizando pelo rosto dele. — Você sempre tão… profissional. Mas será que não cansa de ser tão certinho?
Laura pigarreou alto, cruzando os braços.
— Desculpe interromper — disse, sua voz mais firme do que esperava. — Mas acho que essa conversa deveria ser sobre a aula, não?
Marina se virou devagar, seu olhar avaliando Laura dos pés à cabeça, como se estivesse decidindo se valia a pena levá-la a sério.
— Ah, Laura… — disse com um sorriso frio. — Você sempre tão pontual.
Laura estreitou os olhos.
— E você sempre tão… disponível — respondeu no mesmo tom, deixando no ar o verdadeiro significado de suas palavras.
Gabriel limpou a garganta, claramente tenso. Ele olhou para Laura, depois para Marina, e então se levantou, criando uma distância maior entre ele e a professora.
— Bom, tenho que preparar algumas coisas antes da aula começar — disse, tentando encerrar o momento.
Marina soltou uma risadinha e levantou-se também, ajeitando a saia justa que usava.
— Claro… Não quero atrapalhar. — Ela lançou um último olhar a Gabriel e, antes de sair, virou-se para Laura. — Nos vemos por aí, querida.
Laura manteve a postura firme até que a porta se fechasse atrás da professora. Mas assim que ficou sozinha com Gabriel, deixou escapar um suspiro carregado de emoções.
— Isso acontece sempre? — perguntou, tentando manter a voz neutra, mas falhando miseravelmente.
Gabriel passou a mão pelos cabelos, parecendo exausto.
— Mais do que eu gostaria.
Laura mordeu o lábio, sentindo o ciúme queimando dentro dela.
— E você nunca pensou em… sei lá, colocar ela no lugar dela?
Gabriel suspirou.
— Eu tento. Mas ela não ultrapassa um limite que me permita fazer algo oficial.
Laura revirou os olhos, cruzando os braços.
— Ela está se jogando para cima de você na cara dura!
Ele a olhou intensamente.
— E eu não ligo para ela, Laura. Você sabe disso.
Ela desviou o olhar, tentando ignorar o aperto no peito. Gabriel se aproximou e segurou suas mãos.
— Eu só me importo com você — disse baixinho.
Laura queria acreditar nisso, queria apagar a imagem de Marina flertando descaradamente com ele. Mas sabia que a professora não desistiria tão fácil.
E isso a fazia sentir que precisava lutar ainda mais pelo que era seu.
Laura sentiu o calor das mãos de Gabriel sobre as suas, mas sua mente ainda estava presa na cena que acabara de presenciar. A forma como Marina sorria para ele, o toque no colar dele… Como se tivesse todo o direito de fazer aquilo.
Ela puxou suavemente as mãos, afastando-se um pouco.
— Eu quero acreditar em você, Gabriel… — disse, sua voz saindo mais hesitante do que gostaria. — Mas não é fácil ver outra mulher, ainda mais uma professora, tentando te seduzir desse jeito.
Ele soltou um suspiro longo, passando as mãos pelos cabelos em frustração.
— Eu entendo, Laura. E eu odeio que você tenha que ver isso. Mas você precisa confiar em mim. Marina não significa nada para mim.
Laura cruzou os braços, mordendo o lábio inferior.
— Mas significa algo para ela — rebateu. — E se um dia ela resolver passar do limite? E se alguém vir vocês assim e achar que você tá correspondendo?
Gabriel franziu o cenho.
— Você acha que eu daria esse tipo de abertura?
— Eu não sei, Gabriel! — A voz dela saiu mais alta do que pretendia. — Você é um cara incrível. É óbvio que qualquer mulher se interessaria por você. E não é só Marina… Tem aquela aluna também, Carla. Eu vejo como ela te olha.
Gabriel respirou fundo, fechando os olhos por um instante antes de encará-la novamente.
— Eu só tenho olhos para você, Laura.
O coração dela acelerou, mas sua insegurança ainda falava mais alto.
— Eu acredito em você… Mas isso não significa que eu não tenha medo.
Gabriel se aproximou mais, levantando a mão para tocar o rosto dela.
— Medo de quê?
Laura desviou o olhar, hesitando. O que ela mais temia era perder Gabriel para alguém que pudesse ser mais experiente, mais madura… E isso a assombrava.
— Medo de não ser suficiente — confessou baixinho.
Ele segurou o rosto dela com firmeza, forçando-a a encará-lo.
— Nunca mais diga isso, Laura. Você não tem ideia do quanto eu gosto de você. Do quanto eu te quero.
O olhar dele queimava de intensidade, e Laura sentiu as pernas fraquejarem.
Gabriel deslizou os dedos até a nuca dela, puxando-a para perto.
— Você é a única que importa para mim — sussurrou contra os lábios dela antes de beijá-la.
Dessa vez, não havia hesitação. O beijo era urgente, carregado de desejo e emoção. Laura se entregou, sentindo as mãos dele apertarem sua cintura e a puxarem para mais perto.
Mas então, o som de passos no corredor fez Gabriel se afastar abruptamente.
Ambos respiravam com dificuldade, e Laura ainda podia sentir o gosto dele nos lábios.
— Precisamos ter cuidado — ele murmurou, ainda segurando seu rosto. — Não podemos nos expor desse jeito.
Laura assentiu, ainda atordoada pelo que acabara de acontecer.
— Eu sei…
Gabriel acariciou seu rosto suavemente.
— Mas isso não significa que eu vá desistir de você.
Laura fechou os olhos por um instante, absorvendo aquelas palavras.
Ela sabia que teria que ser forte. Porque, gostando ou não, aquela história estava apenas começando… E Marina e Carla ainda não tinham desistido.
Marina 25 anos professora de Literatura
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Atualizado até capítulo 28
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