Laura caminhava sem rumo pelos corredores da escola, ainda sentindo o gosto do beijo de Gabriel nos lábios. Seu coração estava pesado, dividido entre a felicidade intensa do momento que compartilharam e a dor cortante da decisão dele de se afastar.
Ela precisava falar com alguém. Precisava desabafar antes que aquela confusão a consumisse. E só havia uma pessoa no mundo com quem poderia compartilhar aquilo: Vivi.
Sem pensar duas vezes, foi até o pátio, onde sabia que a amiga estaria no intervalo. Encontrou-a sentada sob uma árvore, distraída com o celular. Ao ver Laura se aproximar, Vivi ergueu os olhos e franziu a testa.
— Eita, Lala... O que aconteceu? Você tá pálida! — Vivi perguntou, guardando o celular e se endireitando.
Laura sentou-se ao lado dela, respirando fundo, tentando organizar as palavras em sua mente. Mas não havia como suavizar aquilo.
— Eu beijei o Gabriel — soltou, de uma vez.
O queixo de Vivi caiu, e ela piscou algumas vezes, como se tivesse certeza de que tinha ouvido errado.
— O quê? — Sua voz saiu quase em um grito, e ela cobriu a boca rapidamente, olhando ao redor para se certificar de que ninguém estava prestando atenção. — Laura, você tá falando sério?
Laura assentiu, sentindo o rosto corar.
— Aconteceu hoje, depois da aula... Foi intenso, Vivi. Foi... incrível — admitiu, sua voz saindo carregada de emoção. — Mas então ele se afastou e disse que não podemos ficar juntos.
Vivi ainda parecia estar tentando processar a primeira parte da confissão, mas ao ouvir a segunda, sua expressão mudou para preocupada.
— E como você está? — perguntou ela, agora com um tom mais gentil.
Laura soltou um suspiro trêmulo, abraçando os joelhos.
— Confusa. Machucada. Eu sei que ele tem razão, mas, ao mesmo tempo, eu sinto que isso é real. E ele também sente. Eu vi nos olhos dele. Mas ele se afastou... — A voz de Laura falhou um pouco.
Vivi ficou em silêncio por um instante, depois pegou a mão da amiga e a apertou.
— Olha, Lala... Eu não vou mentir. Isso é complicado. Vocês estão numa posição difícil, e eu entendo por que meu irmão tomou essa decisão. Mas eu também o conheço. E se ele disse que significou algo... é porque significou.
Laura sentiu um nó na garganta.
— Então por que ele desistiu?
Vivi suspirou, encarando o céu por um momento antes de responder.
— Porque ele tem medo. Medo de fazer algo errado, medo de te prejudicar, medo das consequências. Meu irmão é assim, sempre tentando fazer o que é certo, mesmo que isso o machuque.
Laura ficou quieta, absorvendo aquelas palavras.
— E você? O que você acha disso? — perguntou, hesitante.
Vivi sorriu de leve.
— Eu acho que você é minha melhor amiga e ele é meu irmão. E se tem uma coisa que eu sei sobre os dois, é que quando colocam algo na cabeça... não há quem tire.
Laura riu sem humor, enxugando discretamente uma lágrima que escapou.
— Então o que eu faço, Vivi?
A amiga a olhou com carinho.
— Você decide se isso vale a pena. Se vale lutar, mesmo com todas as dificuldades. Mas, acima de tudo, você precisa se perguntar: você está disposta a esperar por ele?
Laura não tinha essa resposta ainda. Tudo o que sabia era que seu coração estava preso em um dilema impossível.
Mas uma coisa era certa: o que sentia por Gabriel não ia desaparecer tão fácil.
Vivi ficou em silêncio por um momento, observando Laura enquanto ela mexia nos próprios dedos, claramente perdida em pensamentos. Ela conhecia a amiga bem o suficiente para saber o quanto tudo aquilo estava mexendo com ela. E conhecia Gabriel bem o suficiente para saber que, por mais que ele tentasse lutar contra, sentia o mesmo.
Ela suspirou, cruzando os braços.
— Olha, Lala, eu vou ser bem sincera com você... Eu nunca imaginei que um dia minha melhor amiga e meu irmão ficariam nessa situação — começou balançando a cabeça com um pequeno sorriso. — Mas eu também nunca vi ele olhar para ninguém do jeito que ele olha pra você.
Laura ergueu os olhos, surpresa.
— Você acha que ele realmente sente algo por mim? — perguntou, a voz cheia de esperança misturada com medo.
Vivi revirou os olhos.
— Amiga, pelo amor de Deus, é óbvio! Você não vê como ele age quando está perto de você? Ele fica todo diferente, tenta manter a postura de professor sério, mas no fundo está completamente envolvido.
Laura mordeu o lábio inferior, sentindo o coração acelerar.
— Então por que ele se afastou?
— Porque ele é um idiota — Vivi respondeu sem hesitar, dando de ombros. — Um idiota que acha que está fazendo o que é certo, que tem medo das regras, das consequências... e, principalmente, medo de te machucar.
Laura suspirou, sentindo um aperto no peito.
— E se ele estiver certo? Se realmente não tivermos como ficar juntos?
Vivi segurou a mão dela com firmeza.
— Eu acho que vocês dois estão complicando algo que é simples. Se vocês gostam um do outro, então precisam encontrar um jeito. E se o Gabriel não consegue enxergar isso sozinho, talvez ele precise de um empurrãozinho.
Laura arregalou os olhos.
— Vivi, o que você está querendo dizer?
A amiga abriu um sorriso travesso.
— Que eu vou dar um jeito de juntar vocês dois.
Laura piscou, surpresa.
— O quê? Como assim?
Vivi deu de ombros, como se fosse óbvio.
— Alguém precisa abrir os olhos daquele cabeçudo. E, sinceramente, se eu não fizer nada, vocês vão continuar nesse chove-não-molha até o fim do ano. E eu não tenho paciência para isso!
Laura riu nervosamente.
— E como você pretende fazer isso?
Vivi sorriu, os olhos brilhando com uma mistura de empolgação e malícia.
— Você deixa isso comigo. Eu conheço o Gabriel melhor do que ninguém. Sei exatamente como fazer ele parar de fugir e admitir o que sente.
Laura sentiu um frio na barriga. Parte dela estava apreensiva, mas outra parte, aquela que queria mais do que tudo sentir os lábios de Gabriel nos seus novamente, não pôde evitar se sentir animada.
— Vivi, você tem certeza disso?
A amiga sorriu, confiante.
— Absoluta. Pode confiar em mim, Lala. Esse jogo ainda não acabou.
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Atualizado até capítulo 28
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