A estrada à frente parecia interminável, esticando-se na escuridão como um caminho sem fim. O farol do carro cortava a noite, mas, mesmo assim, Grace não conseguia afastar a sensação de estar sendo observada, de que Fagner estava mais perto do que ela imaginava. Ela olhou para Rafael, que dirigia com uma concentração feroz, os músculos tensos. Ele estava fazendo o possível para mantê-la a salvo, mas ela sabia que as coisas estavam prestes a ficar ainda mais difíceis.
“Você acha que ele vai desistir?” Grace perguntou, sua voz tremendo, embora tentasse manter a calma.
Rafael não olhou para ela imediatamente, mas sua expressão não mudou. Ele sabia o quanto Fagner era implacável. “Fagner nunca desiste. Mas eu não vou deixar que ele te pegue. Você tem minha palavra.” Ele pisou no acelerador, acelerando mais, como se tentasse distanciar-se do perigo que os seguia.
Grace fechou os olhos por um momento, tentando se acalmar. Cada quilômetro percorrido, cada segundo que passava, parecia um desafio maior. O medo que ela sentia não era apenas sobre o que Fagner poderia fazer com ela, mas o que ele faria com Rafael, com as pessoas que ela amava. A culpa começava a pesar sobre seus ombros.
“Eu não quero que você se coloque em perigo por minha causa.” Grace murmurou, suas mãos apertando a barra de sua blusa. “Se você me deixar, Fagner vai parar de te caçar.”
Rafael olhou para ela, seus olhos duros, mas gentis ao mesmo tempo. “Eu não vou te deixar. Você não tem escolha, Grace. Você é mais do que só alguém que ele quer destruir.” Ele fez uma pausa, antes de continuar. “Eu não vou te deixar sozinha novamente.”
Grace olhou para ele com gratidão, mas também com tristeza. Ela sabia o quanto ele estava disposto a sacrificar, e, embora soubesse que ele estava fazendo o certo, o peso da situação ainda a afligia.
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Na mansão de Fagner...
Fagner estava em sua sala, os olhos fixos na tela do computador. As câmeras de segurança haviam sido ajustadas, e ele observava atentamente cada movimento nas áreas próximas à casa de Grace. Ele estava determinado a encontrar a mulher que tanto desprezava, mas também sabia que ela não seria fácil de capturar. Ele não queria apenas caçá-la — ele queria humilhá-la, fazer com que ela sentisse o peso de sua derrota.
“Você pode correr, Grace, mas não vai escapar de mim.” Ele sussurrou para si mesmo, um sorriso sombrio formando-se em seus lábios.
Tereza entrou silenciosamente na sala, observando Fagner com um olhar que era, ao mesmo tempo, de preocupação e curiosidade. Ela sabia que ele estava começando a perder o controle, e ela precisava agir com cautela. “Você está muito obcecado por ela, Fagner. Isso vai te destruir.”
Fagner não desviou o olhar da tela. “Eu não sou obcecado, Tereza. Eu só quero o que é meu.” Ele disse, a raiva em sua voz quase palpável. “Ela vai voltar, e quando isso acontecer, ela vai se arrepender de tudo o que fez.”
Tereza suspirou, aproximando-se dele. “Você está fazendo isso errado. Você não pode forçar uma mulher a te amar, Fagner. Você precisa fazer ela ver que não há mais saída. Que ela não tem escolha a não ser voltar para você.”
Fagner olhou para ela com os olhos cheios de frieza. “Eu não preciso de conselhos, Tereza. Eu sei exatamente o que estou fazendo.” A voz dele estava mais baixa agora, mas a ameaça era clara. “Ela vai entender, e vai voltar para mim.”
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Na estrada...
A sensação de que algo estava errado tomou conta de Grace. Ela olhou pela janela, sentindo um arrepio percorrer sua espinha. Algo não estava certo. Ela percebeu que a estrada estava começando a se tornar cada vez mais vazia, e a escuridão parecia se fechar ao redor deles.
“Rafael...” Grace começou, sua voz carregada de uma crescente apreensão. “Eu sinto que estamos sendo seguidos.”
Rafael olhou pelo retrovisor, mas não conseguiu ver nada. Ele acelerou ainda mais, tentando manter a calma. “Não estamos sendo seguidos. Só estamos a caminho de um lugar seguro.”
Mas Grace não estava tão certa disso. A sensação de estar sendo observada aumentava. Ela olhou para trás uma vez mais, e foi quando viu um farol se acender na distância. Um farol que se aproximava rapidamente.
“Rafael!” Ela gritou, apontando para trás. “Ele está vindo!”
Rafael virou o volante com rapidez, desviando da estrada principal para uma trilha estreita que levava para uma área de floresta. O motor rugiu enquanto ele tentava ganhar distância. “Segura firme!” Ele gritou, o suor escorrendo em sua testa enquanto acelerava pela estrada de terra.
Mas o carro atrás deles não estava desistindo. Os faróis estavam cada vez mais perto, mais ameaçadores. Fagner não iria parar até ter Grace de volta, e ele estava chegando.
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Na mansão de Fagner...
Tereza observava, impassível, enquanto Fagner observava a tela de seu computador. Ele tinha conseguido rastrear a localização de Grace, sabia exatamente onde ela estava. “Eu disse que iria encontrá-la.” Ele murmurou para si mesmo, a raiva tomando conta dele novamente.
Tereza se aproximou, tocando seu ombro suavemente. “Você está jogando um jogo perigoso, Fagner. Você tem que pensar no que vem depois.”
Ele a ignorou, com os olhos fixos nas coordenadas do mapa. “Eu não estou jogando, Tereza. Eu estou vencendo.”
Ela olhou para ele, sabia que Fagner estava se aproximando da linha tênue entre controle e obsessão. “Vencer não significa destruir tudo ao seu redor. Você tem que ter cuidado.”
Fagner sorriu de forma amarga, sem tirar os olhos da tela. “Cuidado? Tereza, se você não entender agora, nunca vai entender. Eu vou fazer ela voltar. E, quando voltar, ela será minha.”
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Na estrada...
O carro de Rafael estava balançando violentamente à medida que ele dirigia por entre as árvores, tentando escapar de Fagner e seus homens. O barulho dos pneus arrastando na terra era abafado pela tensão crescente. Grace segurava firme a mão de Rafael, os olhos fixos nos faróis que estavam logo atrás deles.
“Não podemos continuar assim por muito tempo.” Grace disse, a voz cheia de pânico. “Ele vai nos pegar.”
Rafael não respondeu, seus olhos estavam fixos na estrada à frente. Ele não ia deixar Grace sofrer nas mãos de Fagner. “Eu vou te levar para um lugar seguro. Só me dê mais alguns minutos.”
Mas o carro de Fagner estava tão perto agora que o som dos motores se misturava, e a sensação de inevitabilidade se tornava mais forte. Grace fechou os olhos, tentando se preparar para o pior.
“Rafael…” Ela sussurrou. “Eu não quero morrer.”
“Você não vai morrer, Grace. Eu vou te proteger.” Ele respondeu, a voz cheia de determinação, mas havia uma incerteza em seus olhos.
continua...
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Atualizado até capítulo 21
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