A casa parecia perdida no tempo. Isolada no campo, com janelas quebradas e a madeira já envelhecida pela ação do vento, era o esconderijo perfeito para Grace. Rafael estacionou o carro com cuidado, evitando que o som dos pneus no cascalho fosse ouvido à distância. Eles não sabiam quanto tempo tinham até que Fagner chegasse, e cada segundo parecia uma eternidade.
Grace saiu do carro, sentindo o vento frio da noite tocar seu rosto. Ela respirou fundo, tentando afastar a ansiedade. O medo ainda estava lá, mas algo dentro dela parecia mais forte. Ela olhou para Rafael, que estava tirando algumas coisas do porta-malas. "Você tem certeza de que é seguro aqui?"
Rafael olhou para ela com um sorriso forçado. "É o mais seguro que conseguimos. Ficaremos aqui até eu conseguir trazer mais ajuda." Ele não parecia tão confiante quanto queria aparentar, mas Grace não podia demonstrar fraqueza agora. Ela precisava ser forte. Para ela mesma, para seu filho... e para Rafael, que estava fazendo o impossível para protegê-la.
A casa era pequena, mas suficiente para eles se esconderem por um tempo. Grace entrou primeiro, com os olhos cautelosos, como se esperasse que o perigo a seguisse a cada passo. As paredes de madeira rangiam, e o cheiro de mofo era inconfundível, mas ela se sentou em uma cadeira na sala escura, tentando se acalmar. O som do vento batendo nas janelas quebradas era o único ruído que se ouvia.
Rafael entrou em seguida, fechando a porta com cuidado. "Eu vou ficar fora, mas sempre por perto. Não se preocupe. Vou verificar tudo, e se Fagner estiver a caminho, vou avisar."
Grace assentiu com a cabeça, embora seu coração estivesse pesado. "Eu sei. Obrigada, Rafael. Eu não sei o que teria feito sem você."
Ele hesitou um momento antes de sair da casa. "Fique segura. Prometo que vou voltar logo."
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Na mansão de Fagner...
Fagner estava sentado no escritório, os olhos fixos em uma tela de computador, observando imagens de câmeras de segurança. Ele havia rastreado todos os passos de Grace até ali, mas o esconderijo de Rafael estava se mostrando mais difícil de localizar. Fagner apertou a mandíbula, a frustração crescendo dentro de si. Ele já tinha perdido tempo demais. Grace não poderia fugir. Não ia ser dessa vez.
Tereza entrou na sala, a expressão inalterada. Ela sabia o quanto Fagner estava enfurecido, mas sua calma era sempre uma forma de manipulação, um jogo em que ele ainda não parecia perceber as verdadeiras intenções dela.
"Ainda não a encontrou?" Tereza perguntou, observando-o.
"Estou a caminho de pegá-la." Fagner respondeu, a voz sombria. "Ela se escondeu bem, mas vai se arrepender."
Tereza deu um passo à frente, aproximando-se de Fagner. "Ela pode estar se escondendo, mas você também sabe que há outras formas de atraí-la para fora, Fagner."
Fagner a olhou, seus olhos afiando-se. "O que você sugere?"
Ela sorriu levemente, como se soubesse algo que ele ainda não compreendia. "Se você a fizer sentir que não há escapatória, ela se entregará. Deixe-a pensar que está perdendo tudo. Isso é o que a fará voltar para você. Não force."
Fagner olhou para ela, absorvendo suas palavras, e por um momento, a ideia pareceu interessante. "Talvez você tenha razão. Mas uma coisa é certa: Grace vai voltar para mim, e ninguém vai impedi-la."
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Na casa isolada...
Grace estava sentada na pequena mesa de madeira da sala, os olhos fixos nas sombras que dançavam nas paredes. Ela não conseguia se livrar da sensação de que algo estava prestes a acontecer. O medo ainda lhe apertava o peito, e o vazio de estar ali, sozinha, aumentava a cada segundo. Ela sabia que Rafael estava tentando protegê-la, mas Fagner era uma força poderosa, e ela não acreditava que pudesse escapar dele por muito tempo.
De repente, o som do celular de Grace vibrou, quebrando o silêncio. Ela olhou para a tela e viu uma mensagem de Rafael: "Fique calma. Eu vou te proteger. Fagner está em movimento, mas não vai encontrá-la aqui."
Grace respirou aliviada por um momento, mas logo o medo tomou conta novamente. "Ele está vindo... Ele vai vir atrás de mim até o fim." Ela murmurou para si mesma, as lágrimas ameaçando surgir.
Ela sabia que não poderia ficar ali para sempre. Tinha de fazer algo, e logo. Fagner a encontraria, isso era inevitável. Ela precisava de um plano. Mas o que poderia fazer? Como lutar contra um homem tão poderoso e implacável como Fagner?
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Em algum lugar na estrada...
Fagner estava em seu carro, dirigindo com raiva crescente. Ele sabia que Grace estava por perto. Ele a sentia, como se sua presença fosse algo tangível. Ele não podia mais esperar. "Eu vou pegá-la de qualquer jeito." Ele murmurou para si mesmo, apertando ainda mais o volante.
Os outros homens que ele havia enviado para vasculhar a área pareciam não ser suficientes. Ele queria que fosse pessoal. Fagner não tinha paciência para esperar mais. Ele queria resolver tudo agora.
Quando ele finalmente chegou perto do lugar onde Grace estava escondida, a visão da casa isolada o fez sorrir de maneira cruel. Ele sabia que ela estava ali. Não seria por muito mais tempo.
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Na casa de Rafael...
Grace se levantou, seus olhos fixos na janela. O vento frio entrou pela fresta, fazendo as cortinas se moverem suavemente. Ela sentia que o tempo estava se esgotando, e o medo se transformou em uma sensação de urgência.
De repente, ela ouviu um som. Um carro. Estava se aproximando. Seus olhos se arregalaram, e o pânico a invadiu.
"Não... não pode ser..."
Ela correu até a janela, seu coração batendo forte. "Rafael!" Ela gritou, mas sabia que não seria suficiente. Fagner estava chegando.
Ela pegou rapidamente sua bolsa, tentando fazer uma última tentativa de escapar. Mas o medo já havia tomado conta dela. Será que haveria uma última chance de se livrar dele?
O capítulo coloca Grace em uma situação cada vez mais desesperadora, enquanto Fagner se aproxima perigosamente. As tensões aumentam à medida que o momento da captura parece inevitável. Rafael ainda tenta proteger Grace, mas será que conseguirá?
continua...
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Atualizado até capítulo 21
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