Amanhece e Lívia continua tentando recuperar algumas coisas dos escombros, o que parece quase impossível.
A sua pele coberta pela fuligem e no seu rosto as marcas das lágrimas que escorrem no cinza da fumaça que encobre a sua face. De repente chega Pedro, eufórico e falando em seguida, sem lhe dar chance de resposta.
__ O que aconteceu? Como foi que o fogo se lastrou tão rápido e destruiu tudo? Você está bem\, precisa de ajuda!? __ Célio olha fixamente para o amigo e engole em seco\, desconfiado de que tenha o dedo sujo dele neste incêndio\, que parece muito conveniente para ele no momento.
__ Como soube do incêndio? A polícia nem os bombeiros chegaram no local ainda\, e você parece que soube primeiro que as autoridades. __ Célio o encara e com muita raiva\, fazendo perceber a sua desconfiança.
__ Eu liguei para o Caio\, precisava que ele olhasse a minha gata\, ela está para criar e ele me disse o que aconteceu e que não poderia me atender. __ Pedro tenta convencê-lo com uma desculpa e logo são interrompidos por Lívia que diz:
__ E a sua gata\, ela criou?__ Ela também desconfia do amigo e pensa nas possibilidades dele ter causado todo esse estrago.
__ Não\, acho que foi alarme falso. E você como está? Eu posso lhe ajudar em alguma coisa? __ Pedro insiste em ser prestativo\, tudo nos jogos da conquista e dos interesses\, fazendo-se presente e necessário.
Lívia respira fundo, solta o ar pesado dos pulmões e chora de tristeza ao ver anos do seu trabalho perdido. Célio a abraça e a aperta em seus braços. Pedro, vendo a cena, se faz de comovido e abraça os irmãos e coloca o seu plano em prática:
__ Não fiquem assim\, irei ajudá-los no que for preciso. Façam o levantamento dos prejuízos e o que gastaremos para reconstruirmos tudo novamente. __ Lívia se afasta pensativa\, e com os seus olhos arregalados observa a jogada do rapaz\, que fala como se tivesse a solução para tudo.
__ Não temos como lhe pagar\, já passávamos por problemas financeiros e agora será impossível mantermos o programa de tratamento terapêutico\, o melhor a fazermos é vendermos os animais que nos restam e colocarmos essas terras à venda\, acertarmos com os profissionais e quitarmos nossas dívidas\, quando pudermos retomaremos os nossos projetos\, __ Célio fala\, temendo que a sua irmã aceite a proposta do candidato e fique devendo a sua alma ao sujeito prepotente e arrogante.
__ Célio\, deixe-me conversar a sós com a sua irmã\, você está nervoso e tomando decisões precipitadas. __ Pedro é maquiavélico e passando as mãos pelos ombros de Lívia\, se distância do irmão que os observa e tenta escutar a conversa\, abafada pelos sons dos bombeiros que chegam para controlar o incêndio.
__ Deixe-me te ajudar! Eu posso ser o seu sócio no haras e em troca você me ajuda na campanha\, depois que tudo der certo\, eu serei o prefeito da cidade\, podemos tornar este lugar como ponto de referência como era antes\, será um sucesso e com o meu apoio e o marketing desse projeto\, será inevitável a vitória. Faremos desse local um lugar promissor. __ Pedro joga até quando se trata de relacionamento pessoal\, o que assusta Lívia e o seu irmão a olha apavorado.
__ Este imóvel está no meu nome\, mas tem todas as economias do Célio e do Caio\, não posso tomar uma decisão sem o aval deles.__ Lívia fala\, tentando um tempo para pensar melhor\, mas Pedro é muito persuasivo.
__ Eles não estão pensando direito e logo te convencerão a vender este lugar, eu não posso comprá-lo agora, pois estou em campanha e o valor é muito alto, mas posso te ajudar a reconstruí-lo. Seremos sócios e depois das eleições, eu conseguirei verba para ampliar os negócios aqui.
Sem alternativa, Lívia olha para o seu irmão que lhe acena com a cabeça para não fazer o que está pensando. Depois olha para Caio que também a repele e falando baixinho diz:
__ Não faça isso! Por favor! __ Eles temem que ela faça algo que comprometa o haras e a sua vida pessoal.
__ Eu aceito! Com uma condição. __ Lívia fala entre os dentes e suspira.
__ Diga! Qual é a sua proposta. __ Pedro fala com ar vitorioso e Lívia o responde:
__ Será um namoro de fachada, não teremos intimidades como casal e não use a minha filha como garota propaganda, pois você não é o pai dela e não somos uma família de propaganda de margarina. Eu sou a dona do haras e nenhum projeto poderá ser feito sem meu consentimento. Só estou aceitando esta proposta, com dia e hora para terminar, nem um minuto a mais.
__ Tudo bem! Mas, em público, você precisará ter afeto por mim e me acompanhará nos eventos e reuniões públicas. Faremos um contrato e ninguém poderá saber que isso é uma farsa, quero que aja naturalmente, respeitando as regras do contrato.
Mesmo a contra gosto do seu irmão e do seu amigo, ela aceitou a proposta, um acordo absurdo, mas que no momento poderá salvar o haras. Eles desconhecem as entrelinhas do contrato, apenas que Pedro será o novo sócio e que Lívia o ajudará na campanha.
No mesmo dia o contrato fica pronto e ao ler o documento para assinar, Lívia entra em choque ao perceber que as regras não colaboram em quase nada a seu favor. Mas sente que é a única maneira de salvar o haras e o emprego e tratamento de tantas pessoas.
__ Como assim\, se eu quebrar alguma regra do contrato\, eu perco o haras para você? __ Ela pergunta assustada\, ao ler o documento nas suas mãos e ver que tudo a leva para uma corda bamba.
__ O meu advogado achou importante essa cláusula para termos mais segurança no sigilo e cautela nos nossos atos. __ A desculpa de Pedro não é em nada convincente e Lívia fica em dúvida.
Apesar de todas as burocracias e exigências do contrato, Lívia assina com a previsão de que tudo acabe em no máximo sete meses. Pedro festeja, pois está assegurado de que mesmo que Aurélio descubra a verdade, não poderá se aproximar de Lívia e nem mesmo reconquistá-la. O seu jogo político e a sua obsessão por Lívia, começam a ter sentido na cabeça psicopata do rapaz, que sonha com o sucesso e a vitória em tudo, sem pensar nos outros ou nos obstáculos.
Enquanto isso, na capital, o médico faz de tudo para não se casar e cancelar os preparativos forjados por sua mãe, o que tem sido impossível, pois a mulher insiste para que o evento ocorra.
Aurélio está no seu quarto, depois de um dia exaustivo de atendimentos no hospital, ele olha no celular as mensagens e depois tenta falar com Pedro numa chamada de vídeo. O telefone toca insistente, mas ele não atende e Aurélio fica chateado e muito ansioso por notícias de Lívia e do seu pai.
A porta do quarto abre-se lentamente e Samanta entra com o seu jeito sedutor e lhe trazendo um suco, coloca por sobre a mesa no canto do quarto e se aproxima por trás, o abraçando e passando as mãos por seu peito desnudo, provocando-lhe os sentidos.
__ Não faça isso! Estou numa ligação. __ Aurélio fala\, retirando a sua mão do seu peito e afastando-se\, insiste na ligação que não é atendida. Sem pensar duas vezes\, ele toma o copo com a bebida e para se refrescar o toma\, enquanto insiste na ligação que não é atendida.
Samanta faz-se de ofendida e colocando-se de costas, com um sorriso bobo, de quem conseguiu o que queria, pois o suco continha mais que frutas na sua composição. Ela finge um choro, que obriga Aurélio a tentar uma ligação mais tarde. Ele está preocupado com o seu pai e não tem ninguém para ir até a fazenda, para saber como ele está. Samanta insiste na cena, ao ver que ele fica preocupado com o seu choro fingido.
__ Você chegou de viagem e não tem tempo para mim\, foge dos assuntos do nosso casamento e me ignora o tempo todo. __ Ela faz uma cena e ele enfadado responde:
__ Eu não tive tempo para pensar a respeito\, mal cheguei e tive emergências no hospital. Eu já disse que não quero me casar agora e acho um erro tomarmos essa decisão pelo capricho da minha mãe. __ Aurélio fala com muita calma e sente o seu corpo estranho e a sua cabeça girando. Samanta aproveita para tentar mais uma vez o seu jogo de sedução e concluir o seu plano de conquista.
__ O casamento será daqui a cinco dias\, mas\, eu preciso matar a saudade que senti de você\, não posso mais esperar até a nossa lua de mel. __ As suas mãos atrevidas percorrem o seu abdômen e a sua boca o provoca no pé do ouvido\, o envolvendo como uma gata selvagem. Meio tonto\, ele segura no seu corpo que o envolve e meio louco agi de maneira impensada.
Aurélio, com a sua masculinidade viril, sente prazer ao seu toque e fechando os seus olhos imagina que a mulher a sua frente seja Lívia e atacando os seus lábios, beija-a com loucura e desejo. Os seus olhos veem a garota da sua juventude e num impulso a joga na parede e erguendo o seu corpo, afasta a sua calcinha e enfia o seu membro de uma vez, fazendo arfar nos seus lábios e o enlouquecendo.
A cada gemido, ele a soca com prazer, depois a vira para a parede e empinando o seu traseiro, açoita a sua entrada como um garanhão. Ela tem o prazer que desejava e ele alucinado, imagina o tempo todo, amar outra mulher.
Depois do sexo selvagem e uma explosão de sentimentos e lembranças, ele se dá conta de que a mulher aos seu lado não é a mulher que ama e que não sai dos seus pensamentos. Enlouquecido, entra para o chuveiro e tenta lembrar o que fez, mas as lembranças são vagas e confusas.
Aurélio não consegue dormir e olhando para a mulher nua, dormindo na sua cama, sente-se o pior dos homens.
(__ Sou um covarde e infiel\, pois traio a mim mesmo todos os dias\, dizendo que a esqueci e que foi um amor do passado. Não sei porque\, mas sinto que nunca serei feliz se não colocar um ponto final nessa história. Preciso saber como ela está e o que está fazendo da sua vida. Se está casada e se me esqueceu\, só assim poderei dar um passo para o altar. ) __ Ele pensa e chega a uma conclusão\, que afetará a todos\, mas será a sua libertação do passado.
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Atualizado até capítulo 68
Comments
joana Almeida lima
Esse tempo todo que estava namorando essa Samantha, nunca transaram? Ele diz que se sentiu traindo seu amor , mas estava esses anos todos com essa cobra. Não entendi.
2025-01-26
0
Lucimari
Nossa só tristeza
2025-01-21
0
Eva Araújo
Lívia não podia ter aceitado a proposta desse espírito seboso do Pedro. Agora vai ficar refém desse crápula.
2024-11-11
1