Lívia e Célio são levados por sua mãe ao encontro das suas amigas, Clara e Berenice, elas também são moças simples e de costumes familiares idênticos aos de Lívia.
Num fusca setenta e nove, azul e bem conservado, a aniversariante chega ao seu destino, com a alegria de completar mais um ano de vida. O local está cheio de clientes, mas Laura reservou uma mesa para a filha e suas amigas no dia anterior.
Lívia veste o seu vestido azul de bolinhas brancas, com os cabelos soltos e escovados, escondendo o semblante triste e cansado. Uma maquiagem leve e um pequeno brinco de pérola que foi da sua avó, a fazendo sentir-se mais feminina, deixando de ser adolescente para uma jovem pronta para debutar numa sociedade dura e cruel.
Ao entrar no estabelecimento, logo Pedro vem ao seu encontro e a cumprimenta, lhe entregando uma caixinha com um presente. Ela sorri e o agradece, abrindo-a e vendo uma pulseira de pedras coloridas. Ela o agradece mais uma vez e diz ser linda. Mas, sendo gentil sem muita euforia.
Ele pega o objeto e põe em seu braço, e toca a sua mão com malícia e beija-lhe o rosto. Atrás do casal, Aurélio surge sem graça e um pouco enciumado, pensando que Lívia e Pedro tenham mais que uma amizade. Suas amigas olham para o jovem galã e sorridentes ficam entusiasmadas, cutucando uma na outra para chamar a atenção.
__ Parabéns\, Lívia! __ Diz o jovem\, chamando a sua atenção e a encarando enquanto ela se vira na sua direção.
__ Aurélio\, você veio! __ Ela exclama envergonhada e ele a beija no rosto de um lado e de outro\, num cumprimento amigável.
__ Não poderia deixar de lhe cumprimentar\, hoje é um dia especial para você. __ Ele fala\, sendo observado por Célio que não o conhece e se coloca entre os dois.
__ Sou o irmão da Lívia e você\, quem é? __ O garoto é esperto e mesmo sendo mais novo\, é maior que a irmã e como o seu pai o aconselhou\, ele cuida e não deixa a sua bela irmã se aproximar de pessoas desconhecidas.
__ Célio\, este é o meu amigo que eu lhe falei\, ele mora na fazenda do lago. __ Lívia ameniza a situação e Aurélio a encara\, observando o seu jeito doce e sereno.
__ Vamos nos sentar! __ Diz uma das meninas\, amiga de Lívia.
Em uma mesa grande, Lívia senta-se encostada na parede e Aurélio pensa em sentar-se ao seu lado, mas Célio prevendo a situação, senta-se ao lado da irmã, entre os dois e não dando chance para o amigo.
Pedro senta-se diante de Lívia e a todo momento, pega na sua mão, com a desculpa de olhar a pulseira no seu braço. Cena que faz de propósito para enciumar Aurélio que fica sem graça com a situação.
Lívia retira a mão e colocando os braços apoiados a mesa e as mãos entrelaçadas, uma na outra, fica constrangida com a persuasão de Pedro.
__ Então\, podemos pedir nossos lanches? Estou com fome e daqui a pouco nossa mãe virá nos buscar. __ Diz Célio para Lívia\, a levando a concordar com ele.
Aurélio fica o tempo todo vidrado em Lívia e Pedro tentando aproximar-se da mesma, Clara e Berenice, sentem-se incomodadas, pois não chamam a atenção de nenhum dos rapazes.
__ Vou ao banheiro\, minhas mãos estão pregando por conta do lanche. __ Diz Clara\, levantando-se e puxando Berenice para ir com ela.
__ Pegarei outra bebida\, você quer mais alguma coisa? __ Pergunta Pedro\, levantando-se e indo em direção ao balcão de atendimento que está lotado\, por ser sábado a noite e o único lugar atrativo da pequena vila.
__ Posso comprar um chocolate? __ Pergunta Célio a irmã\, com um brilho nos olhos e a expectativa de um sim.
__ Vá\, eu pago! Traz um para mim também. __ Diz Aurélio\, retirando uma nota de cinquenta da carteira e dando ao garoto\, com pretexto de ficar sozinho com Lívia.
__ Você está linda! __ Ele fala baixinho\, se aproximando do seu corpo e do seu ouvido.
__ Obrigada! __ Ela fala tímida e quase inaudível.
__ Eu te esperei por dois domingos seguidos e você não apareceu. Se não quer me encontrar novamente\, é só dizer\, eu deixo de ir. __ Ele fala pausadamente e a sua voz faz o corpo de Lívia ter ondas de arrepios.
__ Desculpa\, eu não fui porque o meu pai estava hospitalizado\, mas amanhã eu irei.__ Ela fala apressada\, levantando a cabeça e lhe olhando nos olhos.
Os dois se encaram e Aurélio lhe dá um sorriso que logo é correspondido.
__ Onde está o meu presente\, você não trouxe? __ Ela brinca\, quebrando o gelo e falando como íntimos amigos.
__ Sim\, eu comprei\, mas só entregarei amanhã\, não quero que ninguém veja e sinta inveja da nossa amizade. __ Ele fala e pega na sua mão\, sentindo que está suando e um pouco trêmula.
__ Então\, irei mais cedo! Estou ansiosa para saber o que vai me dar\, levarei um bolo e um suco de laranja. __ Ela sente o apertar da sua mão por cima da sua e o seu olhar dentro dos seus olhos.
__ Eu amo bolo e adoro suco de laranja\, para mim será uma comemoração perfeita. __ Logo ao falar\, eles são interrompidos por Célio que chega afobado e dizendo:
__ Aqui está o seu chocolate e o troco\, agora vamos embora\, porque a mãe já está lá fora. __ Ele fala tudo ao mesmo tempo\, e Lívia responde:
__ Pode ir andando, vou me despedir das meninas e pagar a conta.
__ Não precisa pagar\, eu pago! __ Diz o rapaz\, ficando-se de pé frente a jovem que dá um sorriso de agradecimento.
Beijando-lhe o rosto, ela o agradece e sai, se despedindo de todos e agradecendo por terem lhe feito companhia. Momento que ela nunca mais esquecerá.
Aurélio olha para a mão e vê o chocolate que era para ela. Do outro lado da rua, ele a vê se aproximando do carro e sai correndo, chamando o seu nome, num impulso impensado.
__ Lívia! Espera! __ Ele atravessa a rua correndo e lhe entrega a barra de chocolate e diz:
__ Esqueci de lhe entregar\, lembra de mim quando estiver comendo. __ Ela sorri e o agradece.
Laura assiste à cena de dentro do carro e Aurélio lhe cumprimenta com uma boa noite e os vê indo embora.
__ Quem é o gatinho? __ Pergunta a sua mãe\, com um ar de malícia.
__ Ele é meu amigo, o conheci um domingo desses, quando fui no lago para ler, os seus pais são donos daquelas terras.
__ Ele é filho do Senhor Estanislau e da dona Rosa? __ Pergunta a mãe preocupada e um pouco assustada.
__ Acredito que sim\, eu nunca perguntei a respeito.__ Lívia responde\, percebendo que a mãe ficou pensativa e séria.
__ Algum problema\, sermos amigos? __ Ela pergunta para a mãe que lhe custa responder.
__ O rapaz parece ser boa pessoa, mas acredito que o seu pai não gostará de saber dessa amizade e muito menos a dona Rosa, ela é uma mulher insuportável e com certeza se oporá ao relacionamento de vocês.
Lívia não entende o porquê, mas fica curiosa, tentando retirar mais coisas da boca da sua mãe que desconversa e pergunta como foi o lanche e se estava gostoso. O que Célio faz questão de responder, com o seu entusiasmo juvenil.
Lívia levanta mais cedo que de costume aos domingos, faz as suas obrigações e embalando uma cesta de piquenique, pede permissão a mãe para ir ao encontro do seu amigo. Laura a aconselha a ir devagar com essa amizade, que seja cautelosa, não confundindo os sentimentos, pois com certeza, um relacionamento entre os dois seria uma guerra declarada entre as duas famílias e eles sofreriam muito por isso.
__ Não se preocupa\, ele é apenas meu amigo e estamos apenas lendo um livro e conversando\, é o que ficamos fazendo o tempo todo. Pode confiar em mim. __ Lívia beija o rosto da sua mãe e pegando a cesta\, sai feliz\, pelo mesmo caminho que faz sempre.
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Atualizado até capítulo 68
Comments
Fatima Azevedo
ela trabalha tanto merece ser feliz com um alguém que a ame de verdade
2025-03-08
0
Hanah Oliveira
Esse Pedro é terrível!
2025-02-12
0
Magali Alves
Pedro, só matando....
2024-11-18
1