A figura se aproximou de Ruby, sua presença gélida e imponente a dominando. A aura de poder que emanava de seu corpo a oprimia, como se um peso imenso estivesse sobre seus ombros. Os olhos da figura, brilhantes como brasas e cheios de uma crueldade insaciável, a encaravam fixamente.
Ruby, presa em sua própria mente, se encolhia em um canto do quarto, o medo a paralisando. A cena que havia presenciado, a brutalidade da figura, a consumia por dentro. Ela se sentia impotente, aprisionada em um pesadelo que parecia não ter fim.
“Você fez bem, Ruby”, a figura disse, a voz rouca e profunda, como um sussurro que ecoava em sua mente. “Você trouxe para mim o que eu precisava. Agora, vamos encontrar mais almas para saciar a minha fome.”
As palavras da figura ecoaram na mente de Ruby, como um trovão que a dilacerava por dentro. Ela se sentia suja, corrompida pela escuridão que a figura trazia consigo. O cheiro forte de sangue, a energia negativa que emanava do corpo da figura, a envolviam como um manto.
“Mas... eu não quero fazer isso”, Ruby murmurou, a voz fraca e trêmula. “Eu não quero mais matar.”
A figura, com um sorriso irônico, se aproximou dela, a sombra de seu corpo se estendendo por cima de Ruby. “Você não tem escolha, Ruby. Você é minha agora. Sua alma é minha, seu corpo é meu. Você está ligada a mim por um pacto de sangue. E a única maneira de escapar da minha fúria é me servir.”
A figura se inclinou, seu rosto a centímetros do de Ruby. Seus olhos, vazios e cruéis, pareciam penetrar sua alma. “Você é a minha ferramenta, Ruby. Você é a minha isca. E você vai me trazer as almas que eu preciso para me fortalecer. Você vai me levar até a escuridão que eu anseio.”
Ruby se encolheu ainda mais, os olhos cheios de lágrimas, o medo a consumindo por dentro. Ela não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Ela havia se tornado um receptáculo do mal, uma arma de destruição nas mãos de uma criatura que era sua própria sombra.
“Eu... eu não quero ser isso”, Ruby soluçou, a voz quase inaudível. “Por favor, me deixe ir. Eu não quero mais participar dessa escuridão.”
A figura, com uma risada fria, deu um passo para trás. “Não existe escape, Ruby. Você está presa a mim. E você não pode escapar da sua própria sombra.”
A figura se afastou, deixando Ruby sozinha em seu quarto. Ruby se sentia completamente perdida, abandonada à própria sorte em um mundo de pesadelos. Ela não conseguia se lembrar de quem ela era, de quem era antes de se tornar a ferramenta da figura.
Ela se levantou, os pés pesados como chumbo. O cheiro de sangue ainda impregnava o quarto, a lembrança da brutalidade da figura a assombrando. Ela olhou para o espelho, tentando encontrar um reflexo de si mesma, mas só viu a imagem da figura, com um sorriso cruel e os olhos brilhando de satisfação.
Ela se sentia diferente, transformada. A figura havia deixado uma marca em sua alma, uma marca da escuridão que não poderia mais ser apagada.
Ruby se viu diante de um espelho, mas o reflexo não era dela. Era a figura, a sombra que a consumia, que se apoderava de sua mente. Seus olhos, que antes eram azuis e cheios de vida, agora brilhavam com uma crueldade fria, como os olhos de um predador. A boca, que antes era delicada e feminina, agora se contorcia em um sorriso malicioso, revelando dentes afiados como facas.
Ruby se tocou, sentindo a textura estranha de sua pele, como se estivesse sendo coberta por uma película escura. Ela sentia o cheiro de sangue, o gosto de carne crua em sua boca.
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Atualizado até capítulo 28
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