O Pacto.

O sol da manhã, como um prenúncio de esperança, batia na janela do quarto de Ruby. O medo ainda a assombrava, mas ela resolveu encarar a situação. Era hora de desvendar o mistério do espelho.

Com passos hesitantes, ela se aproximou do quarto maldito. O ar, mesmo com o sol entrando pela janela, continuava denso e frio. Ela respirou fundo, preparou-se para o pior e entrou.

O espelho, imponente, parecia observá-la. Ruby, tremendo, respirou fundo e olhou para o reflexo. Nada. Apenas a sua imagem, pálida e com olhos arregalados. Aliviada, ela se virou para sair, mas uma sensação gélida a congelou.

A figura, agora visível e sólida, estava parada à sua frente. Seu sorriso, como um corte em seu coração, se estendeu de orelha a orelha.

"Você pensou que tinha se livrado de mim?", a voz rouca ecoou em seus ouvidos.

A imagem da figura se fundiu com a sua, como tinta se espalhando em uma tela. Ruby gritou, enquanto a sensação de ser consumida a invadia. O chão se tornou um turbilhão de cores, a realidade distorceu, e ela desabou, se contorcendo em agonia.

Quando a visão voltou, Ruby estava em um lugar estranho. Era uma paisagem nebulosa, com contornos indistintos. Ela estava em sua mente, e ali, flutuando diante dela, estava a figura, agora mais definida, quase real.

"Você vai morrer, Ruby. E eu vou ocupar o seu lugar", a voz rouca soou como um trovão em sua mente.

O terror a congelou. Mas, em meio ao pânico, um pensamento persistiu: um pacto. Ruby, com um fio de esperança, respondeu:

"Um pacto? Você quer um pacto?"

A figura, intrigada, se aproximou. "O que você propõe, Ruby?"

"Eu te dou o que você quer, se você me deixar viver", Ruby arriscou, a voz tremendo.

"E o que você me daria? Eu quero o seu corpo, a sua vida. Você não me oferece nada que eu não possa ter por minha conta", a figura disse com desprezo.

"Eu lhe darei algo que você não pode obter por si mesma. Uma alma inocente, uma criança pura. Com uma alma como essa, o pacto poderá acontecer", Ruby disse, o medo se misturando a um fio de esperança.

A figura, como se pensasse, ficou em silêncio. Depois de um tempo, respondeu: "Eu aceito seu pacto. Mas você deve me entregar uma criança pura, uma alma inocente, em troca da sua vida."

Ruby, com o coração acelerado, assentiu. O pacto estava selado, e ela, para salvar a sua própria vida, tinha se comprometido com um preço que poderia ser fatal para outro ser. A batalha tinha apenas começado.

A figura, com um sorriso cruel, se aproximou de Ruby, os olhos brilhando como brasas. "Você deve me trazer uma criança pura, Ruby. Uma alma inocente, sem pecado. E você fará isso no quarto do espelho."

"Onde? Como?", Ruby perguntou, a voz tremendo. O terror a consumia.

A figura, com um gesto, mostrou a Ruby a imagem do quarto, o espelho no centro. "Ali. Você deve trazer a criança para o quarto do espelho. E com suas próprias mãos, cortará a cabeça da criança. E a colocará diante do espelho. Só assim, Ruby, o pacto será selado."

As palavras da figura, como facas afiadas, espetaram o coração de Ruby. Ela se encolheu em seu próprio medo, a mente a mil por hora. Não, ela não poderia fazer isso. Ela não poderia tirar a vida de uma criança inocente!

Mas a figura, como se tivesse lido seus pensamentos, disse com uma voz fria: "Você não tem escolha, Ruby. Ou você me entrega uma criança pura, ou eu tomarei a sua vida. E, se você tentar fugir, eu encontrarei você. Você não pode se esconder de mim."

As ameaças da figura ecoaram na mente de Ruby. Ela estava presa em uma teia de terror, sem escapatória. O pensamento de matar uma criança inocente, de cortar a cabeça de um ser tão puro, a enchia de horror.

Mas a imagem da figura, a sensação de ser consumida, o medo da morte, a dominavam. Ruby, enfraquecida, caiu de joelhos, as lágrimas rolando pelo rosto.

Ela tinha se tornado uma prisioneira do próprio medo, condenada a um pacto macabro. E a única saída, a única maneira de escapar da morte, era fazer o que a figura exigia.

"Onde posso encontrar essa criança?", Ruby perguntou, a voz abafada pela dor.

A figura, como se estivesse satisfeito com a submissão dela, respondeu: "Encontre uma criança que seja pura, que não tenha sido tocada pelo pecado. Alguém que carregue a inocência em seu olhar. E traga-a para o quarto do espelho."

O aperto no peito de Ruby intensificou. Ela se levantou, os pés pesados como chumbo. A imagem da figura, de seu sorriso cruel, de sua promessa de morte, a acompanhava.

Ruby, condenada pela própria sombra, estava prestes a cometer o impensável. E o medo de perder sua própria vida, a cegava para o preço que ela pagaria.

O que o pacto trazia para ela, ela não sabia. Mas o que o pacto exigia, ela já sabia. E o horror a consumia.

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