O sacrifício.

O ar gélido da manhã não era capaz de acalmar o tremor que percorria o corpo de Ruby. Ela vagava pelas ruas, a imagem do quarto do espelho e da figura cruel gravada em sua mente. O medo, uma sombra opressora, a acompanhava a cada passo.

Ela se viu em um parque, próximo a um parquinho. Crianças brincavam, risos ecoavam pelo ar. Mas para Ruby, tudo parecia um pesadelo. A figura, com sua voz sinistra, a lembrava do pacto, da criança inocente que precisava encontrar.

A sorte, ou o destino, a levou a uma mãe totalmente distraída, perdida em seu celular. Sua filha, uma menina de seis anos, brincavam sozinha, um pouco distante da mãe.

Ruby, com o coração batendo forte no peito, pegou um pano que estava em sua bolsa. Caminhou lentamente em direção à criança.

"Você gostaria de ver uma coisa muito legal?", ela perguntou, a voz tremendo.

A menina, fascinada com o convite, assentiu com a cabeça, abandonando o brinquedo. Ruby a conduziu até uma árvore próxima, a mente a mil, o medo e o desespero se misturando em seu interior.

Aproveitando a distração da criança, Ruby colocou o pano em seu nariz, a sufocando. A menina, sem reação, desmaiou. Ruby, com as mãos trêmulas, pegou a criança nos braços, como se fosse seu próprio irmão.

Sem pensar, ela correu em direção à mansão. Entrando na cozinha, pegou um facão afiado. As mãos, enquanto seguravam a arma, se cobriam de suor frio.

Ela levou a criança para o quarto do espelho. O ar frio e denso a invadiu, e o medo se apoderou de seu coração. Com as mãos trêmulas, Ruby colocou a menina no chão.

Os olhos da criança, ainda fechados, pareciam transmitir uma paz que Ruby não sentia há muito tempo. Ela levantou o facão, a lâmina reluzente como um aviso.

O primeiro golpe, no pescoço da criança, foi hesitante, como um sussurro. O sangue jorrou, tingindo o chão de vermelho, um ato de horror que jamais sairia de sua memória.

O segundo golpe, mais preciso, cortou a cabeça da criança. O sangue se espalhou, pintando a parede branca. Ruby, em um estado de torpor, pegou a cabeça da criança e a colocou em frente ao espelho.

A figura, com um sorriso malicioso, apareceu no espelho. "A alma inocente. O sacrifício está feito. O pacto está selado", a voz rouca ecoou pelo quarto.

Ruby, como um fantasma, se afastou, o corpo paralisado. O preço havia sido pago. O horror tinha se tornado real. E ela, aprisionada pelo próprio medo, havia perdido a inocência para sempre.

A figura no espelho, com um sorriso cruel, se aproximou de Ruby, os olhos brilhando como brasas. "O pacto está selado, Ruby. Mas o acordo não termina aqui. Agora, você precisa me alimentar."

Ruby, enfraquecida e com o corpo tremendo, olhou para a figura, a mente a mil por hora. "Me alimentar? Do que você se alimenta?", ela perguntou, a voz fraca.

"Eu me alimento de almas podres, Ruby. Almas que foram contaminadas pelo pecado. Almas que carregam o peso do mal", a figura disse, com uma voz rouca e sinistra.

"Mas... como?", Ruby perguntou, a mente confusa.

"Você atrairá as pessoas que cometem o mal, Ruby. Abusadores, assassinos, todos aqueles que carregam o peso do pecado. E quando eles estiverem prestes a cometer algo terrível, eu tomarei o controle do seu corpo. Você irá para sua própria mente, enquanto eu me alimento da alma do pecador."

A figura, como se estivesse se divertindo com o terror de Ruby, continuou: "Você se tornará um instrumento, Ruby. Uma ferramenta para saciar a minha fome. E a cada alma que eu consumir, o meu poder crescerá. E o seu, vai diminuir."

Ruby, com o coração gelado, se encolheu diante da crueldade da figura. Era um acordo terrível. Ela havia sacrificado uma criança inocente para salvar a própria vida. E agora, era obrigada a atrair outras pessoas para que fossem sacrificadas.

"Como eu vou fazer isso?", ela perguntou, a voz quase inaudível.

"Você vai usar a sua beleza, Ruby. Sua inocência, sua fragilidade. Use-se como isca. Atraia os lobos que se escondem na escuridão. E quando eles estiverem prestes a atacar, eu tomarei conta do seu corpo. E você, ainda que presa em sua própria mente, irá assistir tudo acontecer", a figura respondeu, com um sorriso cruel que congelou o sangue de Ruby.

A figura, com um último sorriso, se dissolveu no espelho. Ruby, sozinha em seu quarto, se encolheu em um canto, a mente tomada pela escuridão. Ela se havia tornado um receptáculo do mal, uma ferramenta para alimentar um ser que era sua própria sombra.

O medo, o horror, a desolação, a dominavam. Ela se sentia perdida, sozinha, envolta em uma teia de terror que parecia não ter fim. O preço que ela pagou, a criança inocente, era apenas o começo. O pacto a havia consumido, transformando-a em uma arma de destruição, condenada a uma vida de sofrimento e culpa.

E a única certeza que ela tinha, era que o horror que ela havia iniciado, não tinha fim.

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