Depois de saber que meu pai iria sofrer uma emboscada, meu irmão e eu esquecemos nossas diferenças por uns dias, pelo motivo que teríamos que arquitetar um plano para salvar a vida do Sr. Moretti e tentar não trazer essa guerra para nossa família.
Chamo Júlio para ajudar nesta tarefa e alguns homens serão sacrificados pela proteção do nosso pai, a mansão que ele vive será vigiada 24h e teremos que ser atentos a qualquer movimento estranho nas redondezas.
Um dia antes da invasão, Júlio senta a minha frente e diz:
- Conversou com Aysha, que você pode não voltar desta briga?! Adam, eu sei que você quer protege-la, mas, este assunto deve ser discutido com ela. Você já colocou-a no testamento?!
- Sim, o advogado está ciente e já assinei todos os documentos necessários caso algo aconteça comigo e ela vai ficar sabendo disso hoje a noite.
- Bom, eu vou passar na mansão e amanhã nos encontramos lá, a vigília vai começar cedo e te mantenho informado se algo acontecer fora do plano.
Eu me despeço de Júlio e vou até a cozinha pedir para Dália preparar um jantar com a comida que Aysha gosta, peço que coloquem uma mesa perto da praia e decorem com tochas. Depois de dar as ordens, vou até o escritório falar com Sam e fazer ele ir embora daqui para não atrapalhar a minha noite com ela
- Bom, você já veio dar o recado, amanhã cedo estaremos lá para prepararmos a equipe e você pode ir embora...
- Maninho, gostaria muito de ficar por aqui e conhecer a minha linda cunhada!! Ela é uma tentação aos olhos, hein...?!
Ao ouvir Sam falar daquele jeito, num impulso de raiva e ciúmes, pego ele pelo colarinho da camisa e encosto contra a parede e lhe digo:
- Fique longe da minha mulher!! Não ouse tocar nela, não ouse falar o nome dela e muito menos tente qualquer brincadeira com ela...Entendeu?!
- Calma maninho!! Foi só um elogio e vou embora porque eu quero e não porque você quer!!
Eu vejo Sam sair pela porta e a sensação que eu tenho, é que ele está tramando algo de ruim, porém, ele sabe do que sou capaz se caso venha a fazer algo contra Aysha. Após a nossa conversa, vou ao meu quarto me preparar para encontrar a deusa da minha vida, comprei um vestido e estou ansioso para vê-la nele.
Depois do banho demorado e me arrumar para ela, sigo em direção a areia da praia e a espero para jantar. Minutos depois, Aysha aparece radiante e bela, como uma rainha pronta para tomar o seu posto e ao chegar perto de mim, ela diz:
- Eu demorei muito?! Pedi para Maria, fazer uma trança para mim e acho que ficou bom...
- Você está perfeita, minha pequena!! Você quer champanhe?!
- Sim, eu aceito!! Posso saber o motivo de tudo isso Adam...?!
Eu entrego a taça para ela e pego na sua outra mão, caminhamos até às águas do mar e lhe observo cada pedaço dela. Um sentimento de tristeza bate em mim, em saber que depois de amanhã nunca mais a verei e preciso dizer isso a ela agora.
- Aysha, tem algumas coisas que você precisa saber e talvez amanhã eu não volte mais...
- Quê?! Como assim, Adam?! Para onde você vai e porque está me dizendo isso?!
- Escute!! O trabalho da minha família, uma parte dela, vem de entorpecentes vendidos ilegalmente, entre outras palavras, são drogas que meu pai revende a outros países e eu administro algumas coisas. Porém, por mais que eu não lide diretamente com isso, meu pai tem inimigos por todos os lugares devido a venda deste produtos ilícitos.
- Adam, seja direto por favor, você vai embora por quê?!
- Meu amor, eu não vou embora, mas, eu posso morrer e você vai ter que administrar muitas coisas por aqui. O advogado está ciente e está mansão, o chalé nas montanhas e demais terras estão em seu nome para que fique confortável.
- Eu não quero isso...!! Eu quero você aqui comigo!! Adam...
Aysha começa a chorar demasiadamente e eu a abraço para conforta-la. Nunca imaginei ter que revelar isso a ela, mas, como Júlio me disse Aysha tem o direito de saber a verdade antes que aconteça algo comigo. Aos poucos ela tranquiliza-se e diz:
- Você não vai morrer!! Me prometa que vai voltar para nos casarmos...
- Aysha...
- Fale Adam!! Prometa para mim...
- Eu prometo meu amor!! Eu vou voltar para ficar com você...
Mesmo sabendo que estava fazendo a coisa errada, de prometer algo, que eu sei que não pode acontecer que é ficar com ela. Eu disse para deixar-la tranquila, nós jantamos e não fizemos amor. Apenas dormimos agarrados um ao outro, sentindo o calor e o cheiro.
Ao amanhecer, eu levanto da cama e vou para o chuveiro, em seguida, retorno ao quarto para guardar algumas coisas e Aysha já está acordada. Ela observa os meus passos no quarto, eu coloco algumas coisas na pequena mala e vou até o escritório pegar a maleta com as adagas. Ao retornar a vejo em pé, em frente a cama com uma fita vermelha e ao me aproximar, ela amarra em meu pulso e diz:
- Todas as vezes, que você pensar que não vai voltar, lembrasse desta fita amarrada em seu pulso, ela faz parte de uma das minhas sapatilhas e você tem que trazer de volta para mim. Entendeu?!
- Minha pequena...
- Me prometa, Adam!!
- Eu vou voltar, não se preocupe!!
Eu a beijo com intensidade, em pensar que sempre quando saía para alguma batalha, não pensava em voltar vivo ou morto. E hoje, me vejo perdido sem está mulher, o qual, abraço tão forte e com a sensação de que nunca mais vou vê-la. Após nos despedirmos, entro no carro e vou para mansão do meu pai.
Meia hora depois entro com o carro pela lateral do jardim, Júlio e Carlos estão conversando fora da casa e eu saio com as malas nas mãos. Passo por eles e digo que já retorno para saber se algo mudou. Ao caminhar pelo corredor, sinto relembrar o período em que a minha mãe andava elegantemente no seu salto alto, organizando tudo e acompanhando Sam e eu para escola. São anos longe daqui e agora retornar por uma situação que eu não escolhi, me faz ter ânsia e repulsa.
Deixo as minhas coisas na sala e ao voltar, fico de frente para o meu pai e ele diz:
- Obrigado por vir! Se eu morrer hoje ou qualquer dia, você será recompensado por isso...
- Não fale bobagens! Enquanto, eu estiver aqui, ninguém vai morrer nesta casa...
Eu o encaro e contorno a mesinha de centro, indo em direção a rua, falar com meu pai é uma das coisas mais embaraçosas que sinto. Porém, como disse, ninguém vai morrer por aqui e isso é um fato. Abro o celular e vejo a foto de Aysha na tela, ela sim é a jóia mais cara que eu tenho e quando avisto Júlio, me aproximo e digo:
- Alguma novidade?! Eu quero que termine logo isso...
- Adam, hoje é o dia, onde separam os meninos dos homens. Henrique e Mathias estão fazendo a ronda e os demais estão espalhados pelo perímetro.
- Meu medo não é o dia Júlio e sim a noite. Os Brunner são traiçoeiros e metódicos, são perfeccionistas ao extremo e sem contar que são rápidos em matar alguém.
- E nós somos o poder italiano!! " Andiamo! Andiamo...non voglio vedere nessuno che dorme stanotte!!" ( Vamos! Vamos...não quero ver ninguém dormindo está noite!!).
O entusiasmo de Júlio me dá ânimo, porém, meus pensamentos estão em casa. Ao ver a fita vermelha no meu pulso, me faz sentir saudades da minha Aysha e farei o possível para voltar para ela. Fico no meio do jardim, com meus pensamentos a mil e ouço a voz de Júlio atrás de mim:
- Como Aysha reagiu sobre saber no que trabalhamos?!
- Não foi a reação esperada, porém, ela aceitou e prometi que retornaria para ela...
- Adam...!! Você não poderia prometer tal coisa, o nosso trabalho aqui é matar ou morrer. Imagina a cabeça dela se você não voltar!! Em fim, esperamos que os Brunner sejam burros o suficiente, para que sejamos espertos em nos livrar deles...
- A sensação que tenho é que algo vai dar errado essa noite...
- Espero que você esteja errado meu amigo!! Vamos, temos que ver as armas e já são 10 da noite.
O silêncio da noite é cortado pelo grito da coruja sobrevoando a mansão, ao olhar ela a vejo em cima de uma árvore, os raios anuncia-se uma tempestade e trovões nos confundem com barulhos em volta da casa. Júlio e eu nos comunicamos por gestos, entramos e observamos movimentos estranhos nas sombras. De repente, se ouve tiros na parte de cima da mansão e corremos para ver o que está acontecendo. A luz é cortada e o breu da escuridão dificulta a nossa visão dentro dos cômodos da casa, na rua se ouve mais tiros e percebemos que fomos pego de surpresa.
Júlio faz movimentos com as mãos e sussurra algo que não entendo, ao olhar para o lado percebo que vou ser atingido com uma faca e depois dali virou uma pancadaria sem fim. Os móveis servem de escudo, porém, sou esfaqueado no braço. Meu fiel amigo está em luta corporal também, ambos brigando e de repente escuto um tiro na sala ao lado. Ao mesmo tempo que eu acerto uma estaca de madeira, após ser quebrada contra a parede, no abdômen do meu inimigo fazendo ele cair no chão sem vida e sujando de sangue todo o local.
Me aproximo perto da escada vagarosamente, meu medo é ver Júlio caído morto, mas, me sinto aliviado em ver ele em pé ao lado do corpo ensanguentado.
Ele irritado chuta aquele homem caído sem vida, eu o empurro para longe gritando em seu ouvido:
- Basta Júlio!! O homem está morto...
- Estes filhos da puta, estragaram o meu fim de semana!! Eu poderia estar a está hora tomando a minha cerveja, mas, estou aqui lutando com este verme...
- Chega Júlio!! Vamos ver meu pai...
Subimos as escadas e entramos no esconderijo onde meu pai está e por sorte ele está vivo. Ele começa a sorrir de algo que não sabemos e lhe pergunto:
- Qual o motivo de estar feliz?! - Júlio e eu nos olhamos, estamos cansados e sujos de sangue.
- Eu estou feliz filho, em saber que você e seu irmão voltaram a se falar por causa de mim.
- Não voltamos, pai!! Estamos aqui por causa do senhor e logo cada um vai seguir a sua vida...Falando nisso, aonde está aquele canalha?!
- Ele foi vigiar a sua mansão, filho!! Ele disse, que era necessário...
Ao escutar aquilo, olho para Júlio com fúria nos olhos, eu avisei ele para não se aproximar de Aysha e muito menos falar com ela. O meu pensamento é de ir correndo para casa, mas, tenho que resolver está briga aqui. Lá fora, se ouve uma explosão e ao olhar a janela, vemos que o jardim inteiro foi pelos ares.
- Vamos Júlio!! Temos que terminar com isso aqui e eu tenho que ir para casa o mais breve possível...
- Eu nunca gostei do Sam!! Não é só você, que vai arrancar o couro dele, se fizer algo com Aysha...Seu irmão Adam, a personificação do mal!!
A situação fica caótica, há briga para todos os lados e quando achamos que tudo estava perdido, os Brunner com toda a sua equipe sai em retirada, fugindo para longe e ficamos sem entender do porquê eles fizeram isso.
- Por que estes vermes, estão indo embora?! Adam, vamos atrás deles...
- Deixe eles irem, meu pai está salvo por hora!! Agora preciso ir Júlio, faça o levantamento e descubra o porquê deles terem saído rapidamente.
Me despeço e corro para o carro, sai pela rua cantando pneu e dirijo o mais rápido possível para praia. Em meus pensamentos, é castrar Sam pela sua ousadia de ir atrás de Aysha e não ficar lutando com a gente na mansão. E ao chegar no jardim da minha casa, saio do carro deixando a porta do carro aberta e entro pela frente chamando por Aysha. Ao aproximar da cozinha, escuto risos e a cena do meu irmão ao lado dela.
O meu movimento é rápido, faço a volta no balcão da cozinha e pego Sam pela camisa e digo:
- O que você faz aqui, ao lado da minha mulher?! Eu te avisei, Sam...
Aysha fica assustada com meu comportamento e tenta fazer com que eu pare com tudo aquilo.
- Adam, o que você está fazendo?? Largue o seu irmão, ele não está fazendo nada de errado...
- Fique longe Aysha, não quero te machucar!!
Sam olha para mim e debocha da minha atitude, ri e limpa a boca do soco que eu dei e agora escorre o sangue.
- Relaxa maninho!! Só vim, ver como a minha cunhadinha estava, enquanto, você estava ajudando o papai...
- Era para você estar lá, seu cretino insolente!! Deveria estar protegendo o papai, afinal de contas, você é o escolhido dele...
Naquele momento, percebo que Sam planejou tudo aquilo, a invasão, a mentira sobre a morte do papai e por instante deduzi que ele soubesse mais do que devia. Eu o solto e ele fica me encarando com sorriso no rosto, Aysha pega em meu braço e me puxa para o escritório. E, ao me afastar, Sam acena com a mão e sai pela porta indo embora sem dizer uma palavra.
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Atualizado até capítulo 91
Comments
Maria Socorro Netos
uma bela estória
2024-10-20
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