Em meu escritório terminando de assinar alguns papéis, Júlio entra sério e um pouco alterado. Ele fecha às cortinas, que dão de frente ao escritório do meu pai e tranca a porta, ele vem em minha direção e diz:
- Você perdeu o juízo, Adam?! Ficou maluco...?!
- Do que você está falando? - Eu o olho, com desconfiança e o escuto atentamente.
- Você está mantendo a garota na sua casa seu cretino? - Júlio, espia entre as persianas, enquanto, fala comigo sobre a Aysha.
- Como sabe disto?! Quem lhe falou...?
- Não importa quem me falou, mas, já dei um jeito de calar quem estava prestes a falar e não chegar aos ouvidos do seu pai...Por Deus, Adam!! Seu pai vai entrar naquela mansão e vai matar a todos, inclusive você...
- Me leve até a pessoa que te disse sobre Aysha...
Saímos da empresa e Júlio me leva até a plataforma marítima, pegamos um barco, navegamos em alto mar e lá ele desembrulha o saco preto mostrando o traidor.
- Droga!! Não imaginava que Antônio, pudesse dar com a língua nos dentes, ele era um ótimo segurança...
- Você falou certo, Adam!! Foi um ótimo segurança, agora vai virar comida de tubarão e você seu idiota, pode ser o próximo...!!! Melhor você ir até a mansão e investigar se não há mais ninguém sendo "dedo duro".
- Vou fazer isso meu amigo e obrigado por enquanto...
Na estrada em direção a minha casa, penso que Júlio tem razão, se meu pai descobrir que estou com Aysha vai matar a todos e sem perguntar o motivo. Eu preciso pensar num plano B caso isso aconteça, um novo local de segurança para ela e sumir com qualquer vestígio que Aysha esteve por lá.
Ao chegar, escuto risadas e vejo os seguranças na cozinha em uma comemoração, o qual, não fui notificado e olho para todos seriamente.
- O que está acontecendo aqui?! - A reação de todos mudam, com a minha chegada e Aysha tenta se explicar.
- Adam é meu aniversário, Dália e Maria fizeram um bolo e convidei os seguranças para comemorarem comigo, por favor...Não brigue com eles!
Eu olho para todos seriamente e ordeno Henrique em uma tarefa:
- Chame todos os homens em minha sala, preciso dar instruções e vocês, limpem essa bagunça agora...
Eu entro no corredor, indo em direção ao meu escritório e Aysha vem atrás de mim justificar o que estava acontecendo.
- Adam, por favor, sem punições aos seguranças!! Eu sei que deveria avisá-lo, mas, foi erro meu e...
Eu fecho a porta, pego em seu braço colocando-a contra a parede e lhe digo:
- Aqui não é um resort e muito menos um parque de diversões, não quero festejos aqui, entendeu?!
- Sim... - Ela responde assustada.
- Agora, vá para o seu quarto!!
Aysha sai correndo e em seguida a sala está cheia dos meus seguranças, fico quase duas horas gritando e dando ordens.
- Aqui não tem espaço para ternura ou afagos. Este local é uma fortaleza e não quero o meu pai aqui, se houver falhas todos serão punidos e da pior forma possível.
A noite cai e estou sentado em frente a janela com um copo de whisky, bate o pensamento que aquela menina é uma mulher agora, com curvas e um sorriso angelical que me deixa em êxtase. A passagem para vida adulta, merece um presente adequado, e então, vou até meu closet do meu quarto e escolho uma jóia que era da minha mãe. Um anel com um diamante vermelho, cravejado com pétalas vermelhas formando uma rosa e acredito que caiba no dedo de Aysha.
Vou até o quarto dela e bato levemente na porta, mas, não escuto resposta e abro vagarosamente, vejo ela já deitada em um sono profundo e tranquilo. Observo seu corpo coberto pelo lençol e seus longos cabelos cobrindo seu rosto, passo o dedo e retiro um cacho ondulado. Eu abro a caixa, e tiro o anel colocando em seu dedo, fico por alguns segundos admirando, e então, saio sem ser percebido retornando para o meu quarto.
Ao entrar em meu aposento, eu estou excitado e preciso aliviar-me logo com alguma vadia, pego as chaves e saio de carro indo em direção a boate. Encontro uma desconhecida e ela cai na minha conversa apaixonada, levo para o motel e faço o que eu sei de melhor. Como disse, não sou romântico e muito menos delicado no sexo, mas, sei como fazer uma mulher gozar muitas vezes. Após saciar a minha vontade, retorno para o chalé e lá fico até acalmar a minha mente. Aysha está bagunçando a minha vida e isso não pode acontecer, então, deito em minha cama e logo pego no sono.
Na mansão, eu acordo com o vento da janela e ao esfregar os olhos percebo aquele lindo anel em meu dedo, ao lado do travesseiro no lençol tem uma caixa e um bilhete dizendo.
" Feliz 18 anos...Ass.: Adam "
Um sorriso largo transparece em meu rosto e logo levanto para procurar ele, mas, não está e possivelmente deve estar no trabalho. Ao descer até a cozinha, mostro para Dália e Maria, as duas seguram a minha mão e dizem:
- O Sr. Moretti lhe deu a jóia que era da mãe dele, ele nunca deu nada para ninguém antes, eu acho que ele está gostando de você Aysha...
- Eu acho que é só um presente, pelos meus 18 anos, apenas isso...Nada além disto!!
Os dias se passaram e o Adam não apareceu, percebi que os seguranças estavam armados e estavam por toda a mansão, aquilo estava me deixando assustada e precisava saber o que estava acontecendo. Observei que Henrique estava próximo a roseira, peguei uma tesoura para colher algumas rosas e então perguntei a ele discretamente o que estava havendo:
- Está acontecendo algo Henrique e precisa me dizer...
- Srta. Aysha, por favor, podem nos ver conversando!!
- Apenas mexa a cabeça para a direita se for sim e não para o outro lado.
Henrique automaticamente, vira a cabeça respondendo positivo para dizer que entendeu o meu comando e então começo as perguntas.
- Os seguranças estão armados por minha causa?!
Henrique responde positivo para minha dúvida e na sequência pergunto se é sobre o pai do Adam, vir aqui e fazer o que tem em mente. E novamente, ele responde que sim e isso me faz gelar a espinha. Eu pego as rosas e entro para dentro da mansão, vou até a cozinha e peço um vaso para Maria, ela percebe o meu nervosismo e pergunta:
- Algum problema?
- Maria, observou que aumentou o número de seguranças na mansão e armados?!
- Sim, mas, isto é normal!
- Não é normal!! Perguntei a Henrique e ele me respondeu em código que é por minha causa e pelo fato do pai de Adam aparecer aqui.
- Aysha, você não pode conversar com qualquer segurança, o Sr. Adam proibiu deles falarem com você e passar qualquer informação.
Ao colocar as rosas no vaso, meus pensamentos agora é de medo e ansiedade, meu coração acelera ao pensar que aquele homem pode entrar aqui e fazer o pior. Eu seguro o anel que Adam me deu e percebo que, algo a mais passa na cabeça dele sobre mim, mas, o que mais pode ser?!
Os dias de angústia aumentam e começo a ter pequenas crises, simplesmente meu corpo trava, a respiração acelera e o choro vem com facilidade. Algumas vezes, Maria consegue me acalmar e outras peço a ela para deixar-me sozinha. Em uma manhã tudo estava indo bem, até que houve um tiroteio fora da mansão, rapidamente sou levada para dentro de um lugar escuro até esperar que tudo se resolva e a pior crise de ansiedade aparece. Os mesmo sintomas intensificam e desta vez, começo alucinar vendo o pai do Adam em todos os lugares, e então, encolho meu corpo contra a parede e coloco as mãos no ouvido até cessar todo o barulho.
Depois de três horas, o lugar está iluminado e eu não percebo, uma mão encosta em meu ombro e eu grito, vejo o rosto do Adam em minha frente e a segunda crise aparece.
- Aysha, se acalme!! Já acabou...
- Eu não consigo!! Eu preciso sair daqui...Se afaste!!
- Você está tremendo muito, Aysha!! Deixe eu te ajudar...
- Se afaste...
Meu corpo entra em colapso, as lágrimas surgem e entro num surto, Adam se abraça em mim até eu acalmar, ele alisa meu cabelo, segura meu frágil corpo contra o dele e fica no chão comigo até passar os sintomas. Pela primeira vez, Adam é humano comigo e sente algo por mim, pois, sinto seu coração batendo junto comigo.
Ele me pega no colo e leva-me até meu quarto, porém, seguro em sua mão e peço para ficar comigo e ele deita ao meu lado abraçando-me até eu pegar no sono. Mas, antes de quase eu dormir, ele diz:
- Não se preocupe, a mansão está segura e eu estou aqui. Durma tranquila...
E, assim, os batimentos desaceleram e a respiração volta ao normal, meu corpo relaxa e o sono começa a vir, sinto o calor do corpo de Adam próximo ao meu e sinto conforto naquilo, seguro a sua mão e momentos depois eu apago.
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Atualizado até capítulo 91
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