Eu estou há alguns dias neste local insalubre e com pouca luz, recebo alimentação duas vezes no dia e garrafas de água são deixadas na mesa antes que eu acorde. A minha maior preocupação agora é meu filho e tenho medo de saber quem possa ter arquitetado este sequestro.
Não tenho idéia de onde eu estou, a única janela que ilumina o local está longe do meu alcance e as vezes escuto conversas em uma língua que não entendo.
De repente, a porta da onde eu estou se abre e aparece quatros homens, altos e fortes. Com feições austríacas e um semblante assustador. Um deles com uma cicatriz no rosto se aproxima e eu do alguns passos para trás, ele me analisa como se fosse uma mercadoria e diz:
- Agora, eu entendo porque o Sr. Moretti escolheu você como mulher dele e tenho que admitir que ele tem bom gosto.
- Quem são vocês e o que querem de mim?!
- Seu marido tem algo que é meu por direito e eu quero de volta...
- Por favor, eu estou grávida e vocês não podem me machucar...
- Ouviram rapazes?! Ela está esperando o primogênito de Adam Moretti...Se ele não me devolver o que é meu, eu decido se o filho dele vai vir ao mundo!!
Ao escutar aquilo, meu coração acelera e aqueles homens saem pela porta trancando novamente. Eu sinto que uma crise está surgindo e tento me controlar, as minhas mãos suam e posso sentir as minhas veias pulsarem no meu corpo. Eu preciso fugir daqui, se não, vou morrer nas mãos destes desgraçados.
Em meu escritório, ando de um lado para o outro, eu já liguei uma centena de vezes, para todos que conhecia na região sobre o paradeiro de Aysha e de repente Júlio entra pela porta e alcança o celular para mim, com os olhos de assustado como se tivesse falando com um fantasma, ele diz:
- Atende e apenas escute. Entendeu?!.
- Quem está na linha Júlio?!
- Atende a droga do telefone, Adam...
Ao pegar o celular, fico apreensivo em atender quem estava do outro lado da linha, no entanto, o sotaque ao ouvir a voz é inconfundível:
- Alô...
- Olá, Adam... - Nesta momento, meu coração para de bater alguns segundos, pois, um passado não tão distante retorna das sombras.
- Oslo, fale o que você quer...
- Eu atravessei o país, para buscar algo que está com você e quero de volta. Você achou mesmo, que nunca retornaria, não é mesmo?!
- Oslo, não está comigo e sim com o meu pai!!
- Não me interessa com quem está, você tem até amanhã para resolver isso. Se a próxima vez, que eu ligar e você não tiver em mãos, o que é meu...Seu filho, não vai vir ao mundo!!.
- Oslo, eu lhe mato, se encostar na minha mulher...
- Até amanhã, Adam!!
Neste instante, eu olho para Júlio e um sentimento de raiva domina meu corpo, a sensação de impotência em não poder agir, faz com que eu pegue uma cadeira e jogue contra a parede. Júlio me olha e diz:
- O que vai fazer?!
- Eu não entro na casa do meu pai há anos, depois da morte da minha mãe, eu simplesmente me afastei dele e vai desconfiar se for visita-lo .
- E a onde está, o que Oslo quer?!
- No cofre!! Junto com a ossada do pai dele em um saco, dentro de uma bolsa de couro preto. As vinganças que meu pai trava pelo caminho, acaba refletindo em mim e isso me cansa. Por que ele não deixou o corpo do homem lá no país dele e ficasse só com a jóia?! Porraaaa!!
- As vezes, eu acho que seu pai passou da hora, de ir morar junto com a sua mãe, porém, eu tenho um plano que pode dar certo e salvar Aysha.
- Então, seja rápido meu amigo, porque temos pouco tempo...
Júlio tinha em mente, algo perigoso e insano, ele tinha acesso a mansão do meu pai e algumas vezes, ao escritório onde guardava documentos da empresa e dinheiro oriundo de transações ilegais. Juntou-se a nós Carlos e Henrique, pois, faram parte deste plano e ajudaram na retirada das coisas do maldito Oslo.
- O plano é o seguinte, seu pai Adam, sai duas vezes na semana, para um clube na cidade e retorna sempre perto das duas da manhã. Para nossa sorte, hoje ele não está em casa, porém, há um pequeno problema.
- E qual é...?!
- O cofre é monitorado por câmeras de segurança, por mais que seu pai confie em mim, ele nunca me deixou chegar perto demais daquele local.
- Agora ferrou tudo...
- Para a sua sorte, eu tenho a senha do cofre e o que eu preciso é de 10 minutos para fazer todo o trabalho. A minha idéia é desligar o disjuntor central, entrar no escritório e sair antes que a luz religue o sistema.
- Mas, se desligar a luz vai demorar a voltar Júlio!! Você ainda tem tempo de sobra...
- Nao tenho, Adam!! Seu pai colocou um gerador, caso, aconteça este tipo de coisa. Por isso, eu só tenho 10 minutos até a luz retornar e as câmeras reacender.
- E por que, Carlos e Henrique precisam ir junto?!
- Eles vão distrair seus colegas de trabalho, enquanto, eu digo que vou deixar o documento importante para seu pai no escritório. Porém, antes de ir direto para sala, eu passo no disjuntor e desligo tudo. É aí, que a magia acontece, meu querido...
- As câmeras de segurança, Júlio? Vão filmar a sua presença...
- As câmeras estão somente no corredor e no escritório do seu pai, o resto da casa não tem monitoramento e você vai esperar por nós no carro.
Após ajustarmos alguns detalhes, seguimos para a mansão do meu pai e repassamos tudo dentro do carro. Ao chegar, eu estaciono um pouco distante para não chamar a atenção, Julio e meus homens o seguem para dar continuidade ao plano.
- Boa noite senhores, não irei demorar, eu só vim deixar este documento e o dinheiro no escritório do Sr. Moretti. Carlos e Henrique aguardem aqui que logo retorno.
Ao entrar na mansão, me comunico com Adam e o aviso que já estou dentro da casa, indo em direção a central.
- Passei pelos seguranças e agora estou em frente ao painel Adam...
- Certo, seja rápido Júlio, não temos muito tempo!!
- Calma homem, vai dar tudo certo ...
De repente, observo que a luz geral desligou e Júlio, passa-me todas informações pelo celular e avisa-me que está em frente ao cofre. Ele digita a senha e abre o compartimento, procura por todas prateleiras e encontra a bolsa com a jóia dentro
- Adam, seu pai é repulsivo e doente!! Como que alguém guarda isso dentro de casa e dorme tranquilo?!
- Vamos Júlio, falta 5 minutos...
E o que não poderia acontecer, acaba acontecendo e meu pai acaba chegando na mansão, entrando com o carro com o farol ligado e buzinando. Ao avistar ele, meu coração acelera e aviso ao Júlio.
- Meu pai chegou, sai daí homem...
- Calma porra!! Essa bolsa é pesada e a porta do cofre não quer fechar!!
- Sai daí Júlio, você só tem 1 minuto...
Dentro do carro eu fecho os olhos, esperando pelo pior e passa pela minha cabeça o que eu iria fazer, sem a ossada e a jóia de Oslo. Não quero perder a Aysha, ela é a mulher da minha vida e agora carrega um filho meu. Isso não pode estar acontecendo...
Ouço batidas no vidro do carro e rapidamente abro os olhos, vejo Júlio e meus seguranças. Eu abro a porta e eles entram, saímos de lá rapidamente e só paro de dirigir quando chegar em casa. Dentro do carro, eu pergunto:
- Como você conseguiu passar pelo meu pai, sem ser barrado com está bolsa Júlio?
- Quando você disse, que seu pai estava entrando na mansão, logo em seguida, eu peguei a bolsa e escondi embaixo da escada ao lado do escritório. Faltando 30 segundos para a luz retornar e as câmeras acenderem, fechei a porta do cofre empurrando com toda força e como estava com um envelope em mãos, no momento que a luz voltou, nas câmeras vai aparecer eu colocando o documento na mesa e saio na sequência.
- Você não encontrou meu pai, entrando no corredor?!
- Sim, porém, como ele estava bêbado não vai se lembrar de mim no outro dia. Isso sempre acontece!! E, eu esperei ele entrar no quarto, peguei a bolsa e agora estou neste carro indo para a sua casa.
- Júlio, eu te devo uma...
- Eu sei e vou cobrar!!
Ao chegarmos em casa, eu pego bolsa e a coloco no escritório, um sentimento de ódio e raiva vai muito além do que estou sentindo agora. E isso me deixa frustrado por não poder fazer nada. Eu espero que eles não machuquem Aysha e o meu filho, do contrário saberam o motivo do meu apelido ser "Red eyes" e sofreram as consequências.
Amanhece e sinto o pulsar das minha veias nos meus braços, meu pensamento é de matar a sangue frio o Oslo, porém, terei que ser cauteloso porque ele esta com a minha mulher. O celular toca e do outro lado é ele:
- Conseguiu o que te pedi, Adam?! - Ouvir aquele sotaque, só me deixou com mais raiva ainda.
- Sim!! Mande o local que eu irei entregar pessoalmente.
- Ótimo!! Logo lhe envio e esperarei ansioso...
Aquele maldito desliga e logo chega a mensagem da localização, de onde vai ser a entrega da bolsa e se Oslo acha que vou sozinho, ele está completamente enganado e lhe darei uma surpresa.
Ao chegar no local, observo que há vários seguranças espelhados, Oslo não é burro e sabe do que eu sou capaz. Ele vê a minha chegada e diz:
- Achei mais adequado este local, porque eu gosto de pontes e água. Como está o canalha do seu pai?!
- Eu quero a minha mulher... - Oslo, sorri diabólicamente e eu observo a sua movimentação.
- Tragam ela...
Aysha aparece e vejo seu olhar de cansada, visivelmente abalada pelos dias que passou longe de mim e isso dói ao vê -la daquele jeito. Oslo, coloca ela como escudo humano e me pede para deixar a bolsa a uma certa distância e logo vai pega-lo. Ele está com uma arma apontada, para a cabeça dela e meu desespero aumenta:
- Oslo, pegue a bolsa e solte a minha mulher, ela está grávida, se você quer machucar alguém... Machuque a mim!!
O desgraçado sorri sombriamente, Aysha chora em silêncio e percebo que ela está sentindo algo, pois, segura a sua barriga com força. Oslo, com raiva faz ameaças e brinca de roleta russa com ela e diz:
- Adam, seu pai matou o meu e agora vou levá-lo para ser enterrado com a minha família. Não é justo, você ser agraciado com a vida e eu ser o infortunado. Vejamos, há duas balas nesta pistola, vamos ver qual delas vai sair primeiro.
- Oslo, não...
- Bala n. 01...
- Seu desgraçado, larga a minha mulher...
- Bala n. 02...
De repente, Aysha tira a mão do rosto e olha para baixo, segundos depois eu vejo sangue transpassando pela calça clara que ela vestia, em seguida fica pálida e desmaia caindo no chão com tudo. Oslo, quando percebe que ela caiu, ele olha para mim assustado e eu com a arma em punhos atiro direto na cabeça dele.
A ponte vira um tiroteio de todos os lados, alguns homens de Oslo fogem e outros morrem baleados. Corro em direção a Aysha, pegando-a no colo e dirijo o mais rápido para o hospital. Eu peço que entrem em contato com a Dra Úrsula o mais breve possível, pois, estou levando Aysha para ser atendida por ela.
Ao chegar, já tem uma equipe aguardando e a Dra Úrsula se aproxima para encaminhar Aysha, para emergência e eu digo a ela.
- Salve o meu filho, por favor!!
- Vamos fazer o possível, Sr. Moretti...
Naquele momento, me vejo sozinho no saguão do hospital e meus pensamentos são de que deveria ter ido com Aysha a consulta e nada disso estaria acontecendo. Mais uma vez, a culpa foi minha e ela jamais vai me perdoar.
Depois de quase 5 cinco horas, a Dra Úrsula aparece e me chama para conversar, ficamos alguns minutos no corredor e ela diz:
- Sinto muito, Sr. Moretti!! Nós fizemos o possível, Aysha perdeu muito sangue e ela sofreu um aborto espontâneo. Ela está bem, agora precisa descansar e ter todo apoio neste momento. Não se preocupe, vocês serão pais em breve e isso que aconteceu não prejudicou em nada o seu útero. Fique tranquilo!!
- Eu poço vê-la?!
- Claro, ela já está acordada...
Eu entro no quarto e vejo Aysha deitada com os olhos fechados, por um instante ver ela deste jeito, gelou meu coração e me aproximo da cama. Aliso seu rosto e ela abre os olhos, da um pequeno sorriso e diz o meu nome:
- Adam...
- Shiiuuu!! Não fale e apenas descanse minha pequena. Quando você ganhar alta, conversamos está bem...?! Eu vou estar aqui com você, o tempo que for necessário!!
Ela segurou a minha mão e escorreu uma lágrima do olho, está frágil e sensível com tudo que aconteceu. Trazer a Aysha para o meu mundo, esta se tornando perigoso e complicado. Não posso largar a empresa e nem os negócios da família, mas, se eu continuar quem sofrerá mais é a minha doce mulher, dona dos meus pensamentos e ações.
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Atualizado até capítulo 91
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