Capítulo 14

João

Saí do quarto de Roberto, pois já havia notado que minha irmã estava bastante agitada. Ao olhar para ela, percebi que estava falando demais e, por essa razão, decidiu se afastar para um lugar mais reservado onde pudesse conversar com mais calma. Nossa situação está completamente desorganizada, como se nossas vidas estivessem de cabeça para baixo. Contudo, ela não pode continuar insultando o dono da casa. Temos que entender que, embora estejamos aqui por força das circunstâncias, eu realmente não desejava colaborar, mas, mesmo assim, estou fazendo a minha parte.

Sofia: Você vai dormir com ele mesmo?

João: Não tenho escolha.

Sofia: Ah, mas você tem sim, é só recusar. Você está doido para dormir com ele.

Eu não consigo me conter e dou um tapa na cara de Sofia, que me olha com incredulidade. Não sei se foi instinto, mas ela ultrapassou todos os limites.

João_Em primeiro lugar, me respeite. Por mais que eu diga não, não vou desafiar um mafioso na própria casa dele. E esse seu termo 'dormir', você acha que eu vou fazer o quê? Me jogar nos braços dele?

Sofia_Estou observando atentamente a direção que isso tudo está tomando e posso te assegurar uma coisa: o nosso país não vai gostar nem um pouco do que está por vir.

João_*ri* Que país, Sofia? Essa família que vive sem amor e se preocupa apenas com a fama? Você realmente chama isso de família? Por que você não volta e vive com eles? Eu, depois que conseguir sair dessa confusão, irei para casa.

Sofia_Você está aqui há pouco tempo e já começou a mudar o seu comportamento. João, faz anos que isso não acontece com a gente!

João_Esse seu comportamento me faz lembrar da nossa mãe. O jeito como você falou foi repugnante.

Sofia_Repugnante? Não me faça rir, João. Eu só falei a verdade. Vai me dizer que não é assim? *ri*

João_A sua 'verdade' é que eu vou me meter com um mafioso. Vou perder a minha virgindade com ele sem mais nem menos, como se fosse uma qualquer. É isso que você está dizendo, Sofia?

Olho para ela, que permanece em silêncio, e essa é a minha única resposta. Levanto-me do lugar onde estava e me deparo com Rodrigo na sala. Nesse instante, sinto uma onda de emoções e uma vontade intensa de chorar. Tudo o que estava guardado dentro de mim, todas as frustrações e dores, querem sair; quero desabafar, contar para ele como me sinto, como se estivesse buscando apoio a partir dele. Mas, no fundo, sei que não sou nada para ele, e que ele não deve saber pelas experiências que vivi com aquela família, onde a falta de amor estava sempre presente. Sinto, de verdade, uma profunda solidão, pois até mesmo minha irmã parece compartilhar do mesmo sentimento que eles. Pergunto-me o que aconteceu com Sofia para que ela dissesse coisas tão duras e insensíveis.

Ainda estive ali, parado, observando a sala ao meu redor e Rodrigo, que estava imerso em uma conversa com alguém. Com uma certa hesitação, decidi subir a escadaria imponente que levava ao nosso quarto. O ambiente estava tomado por uma sensação de angústia e solidão.

A única coisa que eu desejava era ficar sozinho, em um espaço que me pertencia, para poder chorar e deixar as emoções fluírem sem reservas. Por que tudo tem que se transformar de maneira tão abrupta? O que deveria ser um momento de tranquilidade e felicidade agora se desenrolava em caos. Era como se, em um piscar de olhos, todas as conquistas e alegrias fossem desfeitas, e acabássemos voltando à estaca zero, lidando novamente com a dor e a frustração. Eu não conseguia entender por que a vida se comportava assim, trazendo à tona o sofrimento sempre que tudo parecia finalmente estar em ordem.

Estou exausto de tudo isso. O que eu mais desejo é um pouco de carinho. Para escapar dessa sensação, eu me envolvo em um cobertor, ligo o ar-condicionado no máximo e fico em silêncio, com as luzes apagadas. O ambiente está tão escuro que parece um breu, especialmente porque o quarto do Rodrigo não tem iluminação. Vejo a porta se abrindo, mas não tenho vontade de sair do meu ninho, que é o único lugar que realmente me traz conforto.

Rodrigo_se aproxima de João de maneira lenta e cautelosa, seu olhar refletindo uma certa preocupação. Ele interrompe o silêncio com uma pergunta, utilizando um tom suave e cuidadoso: Ei, João, está tudo bem? Você está se sentindo bem ou tem alguma coisa te incomodando?

João_ por sua vez, sente a atenção de Rodrigo e, com a voz levemente embargada, responde com sinceridade: Eu estou bem, na verdade. Apenas me sinto um pouco cansado, mas não é nada demais. É só isso. Ele tenta garantir a Rodrigo que sua condição não é preocupante, mas a leve hesitação em sua voz revela um aspecto de vulnerabilidade.

Por mais que eu deseje compartilhar o que estou sentindo, simplesmente não consigo. A única coisa que percebo é a sua presença se afastando, o som do trinco da porta ao se fechar ecoa em meus pensamentos. Tudo o que eu queria era estar novamente em seus braços, recebendo aquele carinho especial que nunca tive, apenas um abraço que me transmitisse a certeza de que tudo vai ficar bem e de que essa tempestade vai passar. Sinto que não aguento mais tudo isso que está acontecendo ao meu redor; minha vida se tornou uma verdadeira montanha-russa de emoções. E, no fundo, eu sei aonde tudo isso vai me levar: uma solidão intensa. Estou realmente sozinho, lidando com tudo isso sem apoio.

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Comments

Alexandrina Sousa

Alexandrina Sousa

já estou com ódio dessa sofia! menina insolente! mimada

2024-12-09

0

Valdileia Silva Castro

Valdileia Silva Castro

acho que a irmã dele foi muito infeliz nas palavras afinal foi ela que insistiu pra ele ir naquela boate se ela não tivesse insistido tanto eles não estariam passando por isso ,agora ela vai e desrespeita o irmão? o tapa foi bem dado poderia ter dado mais

2024-10-10

4

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