...** Anteriormente: **...
Assim que Piter voltou aos seus aposentos para procurar provas, Angus ordenou que um dos seus soldados entregasse um bilhete a Evelyn.
Isso seria a última e única vez que ele salvaria a pele de alguém.
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Uma semana havia se passado desde que Piter descobriu a terrível verdade sobre Evelyn. Ele se via forçado a manter as aparências, mesmo com a dor e a raiva queimando em seu peito. O festival de Royauté, um dos eventos mais importantes de Morsaden, estava prestes a começar. Durante três dias, todo o reino deveria viver em harmonia, sem conflitos ou desentendimentos, para que os deuses enviassem chuvas abundantes e garantissem boas colheitas. No entanto, a tensão no palácio só aumentava, e Piter temia que tudo pudesse desmoronar a qualquer momento.
Os preparativos para o festival estavam a todo vapor. Bandeiras coloridas enfeitavam os salões, o aroma de flores frescas preenchia o ar, e os sons de risos e música se espalhavam por todos os cantos. Apesar da atmosfera festiva, Piter carregava um peso insuportável nos ombros. Ele tinha que sorrir e fingir que estava tudo bem, mesmo sabendo da traição de Evelyn e do complô que destruiu sua vida.
Ele caminhava pelos jardins do palácio, onde os preparativos para as oferendas aos deuses estavam sendo finalizados. O festival de Royauté era sagrado, um tempo de união e renovação, mas para Piter, tudo aquilo parecia uma farsa. Ele via as faces felizes ao seu redor e sentia que estava participando de uma grande mentira.
Enquanto isso, Emily, ainda de luto pela morte de seu pai, Rei Anthony, e confusa com os sentimentos por Angus, tentava encontrar um pouco de paz. Ela sabia que o festival era importante para o reino e para seu povo, mas sua mente estava atormentada por tantas incertezas. Desde a morte de seu pai, as responsabilidades como princesa e agora rainha haviam se intensificado, e a relação com Angus, embora formal, estava cheia de tensões não resolvidas.
Era o primeiro festival da agora Rainha Emily, e isso pesava sobre todos, especialmente sobre Emily. Ela tentava se concentrar nas celebrações, mas algo a incomodava profundamente. Nos últimos dias, ela sentia que algo estava sendo escondido dela, e o comportamento de Piter, sempre reservado, agora parecia ainda mais distante.
Na manhã do primeiro dia do festival, Emily decidiu caminhar sozinha pelos corredores do palácio antes que as celebrações começassem. As primeiras luzes do sol tingiam os salões com um tom dourado suave, e o som da natureza despertando a cercava. Ela se sentia mais tranquila ali, longe dos olhos atentos da corte e das expectativas pesadas.
Foi quando ela ouviu vozes ao longe, perto dos aposentos de Angus. Curiosa, Emily se aproximou lentamente, escondendo-se atrás de uma coluna de mármore. O que ela ouviu a fez parar no lugar.
— Piter está cada vez mais desconfiado. Disse Angus, sua voz baixa, mas carregada de preocupação.
— Ele já descobriu tudo, Angus. Respondeu Evelyn, sua voz fria e controlada.
— Ele sabe que menti sobre a noite da celebração do casamento real, entre vossa alteza e a princesa Emily. Se continuar assim, ele vai contar tudo para Emily, e o caos vai se instaurar antes do fim do festival.
Emily sentiu o sangue gelar em suas veias. Ela não podia acreditar no que estava ouvindo. Evelyn, sua criada de confiança, estava envolvida em uma conspiração contra Piter? E o que Angus tinha a ver com isso? Ela apertou as mãos contra o peito, tentando processar a traição que começava a se desenrolar diante de seus ouvidos.
— E o que faremos se ele decidir contar? Perguntou Angus, agora preocupado.
— Não podemos deixar que isso estrague o festival. O povo precisa da harmonia desses dias para que as chuvas venham.
— Vamos manter as aparências. Disse Evelyn, com firmeza.
— Piter ainda não contou nada para ninguém porque sabe que se o fizer, tudo vai desmoronar, inclusive para ele. E Emily... ela confia em mim. Não suspeita de nada.
Emily engoliu em seco, sentindo a bile subir em sua garganta. Como ela poderia ter sido tão cega? Evelyn era mais do que uma simples criada, alguém em quem ela confiava e até considerava uma amiga. A traição cortava fundo em seu coração, mas ela sabia que não podia revelar que havia ouvido aquela conversa. Não agora, com o festival em andamento e a harmonia do reino pendendo por um fio.
Sem fazer barulho, Emily se afastou, sentindo o chão tremer sob seus pés. Seu mundo estava desmoronando. Sua mente corria com perguntas, e a angústia apertava seu peito. Ela precisava de tempo para pensar, para entender o que deveria fazer. Se confrontasse Angus e Evelyn agora, o festival poderia ser destruído. O povo não suportaria outro escândalo tão cedo, não depois da morte de seu pai.
Ela se refugiou em seus aposentos, fechando a porta com força e se permitindo chorar em silêncio. Tudo o que ela acreditava estar controlado, as alianças e responsabilidades, agora parecia frágil, à beira de um colapso. No entanto, não podia permitir que suas emoções a dominassem. Havia muito em jogo.
Enquanto as horas se passavam e as celebrações do festival de Royauté começaram oficialmente, Emily tentou compor-se. Seu povo esperava que ela, como princesa, estivesse presente nas festividades. O reino dependia da harmonia dos próximos dias, e os deuses, segundo as crenças, enviariam a chuva necessária para uma colheita farta apenas se Morsaden estivesse em paz.
Piter, por sua vez, estava sempre por perto, mantendo-se distante de Evelyn, mas incapaz de se livrar da tensão crescente que o cercava. Ele sentia o olhar de Angus sobre ele de vez em quando, e sabia que Evelyn estava monitorando cada um de seus movimentos. No entanto, Piter decidiu esperar. Ele precisava de provas concretas antes de confrontar todos.
Emily, embora dilacerada por dentro, manteve-se firme durante o primeiro dia de festividades. Ela sorria para seu povo, participava das cerimônias, mas sua mente estava longe, repleta de planos e possibilidades. Sabia que, quando o festival terminasse, teria de agir. A verdade precisava vir à tona, mas não antes de garantir que o reino de Morsaden permanecesse intacto.
Enquanto o primeiro dia de Royauté se aproximava do fim, com as celebrações se espalhando pelas ruas e pelos corredores do palácio, Emily se preparava mentalmente para o que viria. A harmonia necessária para as chuvas ainda reinava sobre o reino, mas ela sabia que, assim como as tempestades, a verdade não poderia ser contida por muito mais tempo.
O festival de Royauté poderia garantir a colheita, mas os segredos de Angus e Evelyn ameaçavam lançar Morsaden em um caos que nem os deuses poderiam remediar.
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Atualizado até capítulo 24
Comments
Iara Drimel
O que você quer?????? Você o puniu diretamente e indiretamente desde que houve o acordo de casamento. Não diga estar chateada com ele por que ele não merece mais essa atitude sua
2025-01-23
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Iara Drimel
Está vendo o reino não ficará intacto. Os deuses podem se enfurecer demais das festividades e enviar.chuvas , temporais que acabem com a colheita 🤨
2025-01-23
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Iara Drimel
Tudo tem a ver. Em um reino sempre há conspirações e traições principalmente quando a rainha não assume as suas funções com seu rei
2025-01-23
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