Meus sentimentos a vossa alteza

Mesmo com a vida agitada no palácio do reino de Morsaden, Emily sentia falta de casa.

O lugar onde cresceu, o aconchego da sua mãe, já que ela foi uma criança que nasceu na idade avançada dos seus pais.

Embora o Rei Anthony fosse um homem frio, Emily tem ótimas lembranças da sua infância com o seu pai.

O sol ainda nem havia nascido quando o reino de Morsaden foi tomado pela notícia devastadora: o Rei Anthony, o pilar de sua nação, havia falecido. A dor e o luto que recaíram sobre o palácio eram intensos. Emily, filha do rei, estava desolada. Apesar da distância emocional que tinha de sua mãe, a Rainha Flora, ela sabia que deveria viajar ao reino de Ahort para prestar suas condolências. Preparou-se rapidamente, e com um coração pesado, partiu para enfrentar o luto ao lado de sua mãe.

Enquanto isso, Angus, o recém-coroado rei de Morsaden e marido de Emily, encontrava-se perdido em uma tempestade de sentimentos contraditórios. O peso do trono, as expectativas da corte, e sua conturbada relação com Emily o faziam buscar refúgio nos lugares mais sombrios da cidade. Foi assim que decidiu passar a noite na casa de Benert, um local conhecido por sua devassidão e excessos, onde homens buscavam esquecer suas dores em prazeres efêmeros.

Angus não estava sozinho nessa busca pelo esquecimento. Piter, seu escravo, seguiu-o como uma sombra fiel. Desde que se tornou propriedade de Angus, Piter não havia encontrado paz. O ressentimento por seu senhor e as frustrações acumuladas o faziam ansiar pela fuga, mesmo que apenas por meio do álcool.

A casa de Benert era um lugar de perdição, onde o cheiro de tabaco e suor impregnava as paredes, e a música alta abafava os lamentos das almas perdidas que ali se refugiavam. Angus, já com vários copos de vinho na mão, se afundava cada vez mais na tentativa de apagar a realidade de sua mente. Ele observava Piter, que já estava embriagado, afastando-se de seu lado para se aproximar de uma das dançarinas, uma jovem de olhar cativante.

A princípio, Piter a abordou de forma casual, mas conforme a bebida dominava seus sentidos, sua abordagem tornou-se cada vez mais agressiva. Ele segurou o braço da jovem com força, e quando ela tentou se desvencilhar, Piter a puxou para mais perto, murmurando palavras que ela mal conseguia entender. O medo nos olhos da dançarina era evidente, e isso chamou a atenção de Angus.

Angus, por um momento, não interveio. Mas então as palavras de Emily sobre Evelyn ecoaram em sua mente. Emily havia lhe contado, quase com lágrimas nos olhos, que Piter forçara Evelyn durante a noite de celebração do casamento. Angus não quis acreditar na época, mas agora, vendo a atitude de Piter diante da jovem dançarina, uma semente de dúvida começou a brotar em seu coração.

A violência de Piter aumentou, e a dançarina começou a chorar, lutando para se libertar. Isso foi o suficiente para que Angus se levantasse, seu semblante antes entorpecido, agora marcado pela fúria. Ele aproximou-se rapidamente e, com um empurrão violento, afastou Piter da jovem. "

— Chega, Piter!

Gritou Angus, a voz carregada de raiva e confusão.

Piter cambaleou para trás, surpreso com a intervenção de seu senhor. Olhou para Angus com uma mistura de incredulidade e medo, mas o que viu no rosto de Angus o deixou sem palavras: dúvida e repulsa.

Angus olhou para a dançarina, que agora se encolhia no chão, soluçando. Ele virou-se para Piter, as palavras de Emily e a cena que acabara de presenciar, começando a se misturar na sua mente.

**Talvez Emily tenha razão...**

Pensou Angus, seu estômago revirando com a ideia.

A noite, que Angus esperava que fosse um refúgio da sua realidade, havia se transformado em algo ainda mais sombrio. A dúvida sobre Piter, que até então ele considerava de uma índole inegável, o corroía por dentro.

**Se as palavras de Emily fossem verdadeiras, que tipo de homem ele havia trazido com ele?**

Enquanto Emily enfrentava o luto da sua família no reino de Ahort, Angus se encontrava numa encruzilhada, onde as sombras do passado e as realidades do presente começavam a colidir.

O sol se recusava a aparecer no horizonte, como se o próprio céu estivesse de luto. Uma densa névoa cobria o reino, envolvendo tudo em um véu de silêncio e tristeza. O Reino de Ahort estava de luto. O grande Rei Anthony, cujo nome era sinônimo de poder e justiça, havia partido, deixando para trás um legado que agora se tornava memória.

No coração do palácio, os corredores estavam silenciosos, exceto pelos sussurros das criadas e pelos passos pesados dos guardas. As paredes, que antes testemunharam a grandiosidade de um rei, agora absorvem o pesar de sua ausência. No grande salão, o corpo de Anthony repousava em um caixão de ébano adornado com ouro, cercado por flores brancas, símbolo de pureza e respeito. Guardas reais, imóveis como estátuas, protegiam o corpo, suas expressões escondidas atrás de elmos reluzentes.

A rainha Flora permanecia ao lado do caixão, seu semblante rígido e austero, como se estivesse lutando contra uma maré de emoções que ameaçava transbordar. O vestido negro que vestia era de uma simplicidade que contrastava com sua habitual opulência, mas refletia a gravidade do momento. Seu coração estava quebrado, mas sua posição como rainha a forçava a se manter forte. Em seus olhos, um vazio se instalara, e sua pele, outrora vibrante, agora estava pálida, como se a vida tivesse sido drenada junto com o último suspiro de Anthony. Os conselheiros ao seu redor ofereciam palavras de conforto, mas ela apenas assente em silêncio, perdida em pensamentos que ninguém ousava interromper.

A princesa Emily, sempre tão cheia de vida, agora era uma sombra de si mesma. Seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar, e suas mãos tremiam enquanto segurava um pequeno medalhão que o pai lhe dera quando criança. Ela estava sozinha em um canto, distante dos conselheiros e da mãe, tentando processar a perda. Em sua mente, lembranças da infância vinham à tona: os conselhos sábios de seu pai, suas risadas durante os passeios nos jardins, as histórias que ele lhe contava sobre os reinos distantes. Ela mal conseguia acreditar que ele se fora, que nunca mais ouviria sua voz ou sentiria seu abraço protetor.

O ritual fúnebre começou com uma procissão solene, onde os nobres e plebeus do reino se reuniram para prestar suas últimas homenagens. O som do tambor rufando ressoava pelo ar, um lembrete do peso da perda que todos sentiam. Os cavaleiros do rei, em suas armaduras brilhantes, marchavam em silêncio, liderando a procissão. Cada passo parecia ecoar o coração partido de uma nação inteira.

A rainha Flora caminhava na frente, sua postura ereta, mas cada passo era um esforço colossal. Ao seu lado, Emily, com o olhar fixo no caixão, tentava manter a compostura, mas era impossível esconder a dor que transbordava em lágrimas silenciosas. Atrás delas, a nobreza seguia em fileiras ordenadas, cada um demonstrando respeito e reverência.

Chegando ao mausoléu real, um lugar onde apenas os reis e rainhas de Ahort eram sepultados, os sacerdotes iniciaram o cântico sagrado.

Flora, com a voz baixa e trêmula, pronunciou as últimas palavras de despedida ao marido, lembrando-se da sua força e bondade, e pedindo aos deuses que receba o Rei Anthony em paz.

Emily, por sua vez, depositou o medalhão que segurava sobre o caixão, como um símbolo do vínculo eterno que teria com seu pai.

Enquanto o caixão era baixado, o sol finalmente rompeu a névoa, banhando o local com uma luz suave e dourada, como se o próprio Anthony estivesse abençoando a todos com um último adeus. Flora e Emily, de mãos dadas, permaneceram em silêncio, compartilhando um luto profundo e íntimo, sabendo que, apesar da dor, precisariam seguir em frente, guiando o reino como Anthony sempre desejou.

O ritual terminou, mas o luto estava apenas começando. O reino chorava por seu rei, mas nenhum coração estava mais quebrado do que o de Flora e Emily, que agora precisariam encontrar forças uma na outra para enfrentar um futuro incerto sem o pilar de suas vidas.

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Comments

Iara Drimel

Iara Drimel

Como os seus pensamentos pesam. analisando a sua indignação só posso ver que você é bom e se esconde em uma armadura de indiferenças. Estou gostando mais de você

2024-11-16

1

Lany Yue

Lany Yue

gente, mas que rei mal caráter, ele não tinha prometido parar com tido

2024-12-30

0

Iara Drimel

Iara Drimel

Tola! Era para ser guardado e entregue a sua filha como herança do avô, rei nobre e generoso que obrigara ela a casar com o seu lindo pai .

2024-11-16

1

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