Emily parece ter aceitado o seu destino de se casar com Angus em troca da liberdade de Piter.
A tarde estava clara e ensolarada, mas no grande salão do castelo, o ar era denso de tensão. A festa de casamento estava para começar, com a corte inteira reunida, aguardando ansiosamente a entrada dos noivos. No entanto, havia um problema evidente que fazia o burburinho crescer a cada minuto: o príncipe Angus não apareceu.
Os músicos, que deviam tocar a melodia que anunciaria a chegada do príncipe, estavam parados, seus instrumentos repousando sobre os colos. A princesa Emily, vestida em seu esplêndido traje de noiva, estava parada diante do altar improvisado, suas mãos elegantemente cruzadas sobre o vestido branco. Apesar da serenidade em seu semblante, quem olhasse de perto poderia perceber a tristeza em seus olhos por ter cedido aos caprichos do rei, seu pai. Ela sabia que o silêncio dos corredores murmurava: o príncipe não tinha intenção de se casar com ela, o que deu a ela um pouco de alegria já que se ela estava a cumprir sua parte do acordo, o Rei Anthony iria libertar Piter.
O rei, de pé ao lado da rainha, com sua coroa brilhando à luz dos candelabros, estava impaciente. Seu olhar passava pelos rostos presentes, buscando algum sinal de seu futuro genro, mas nenhum veio. As portas do salão abriram e um dos guardas do castelo entrou, seu rosto pálido. Ele se dirigiu diretamente ao rei e sussurrou algo em seu ouvido.
— Ele não está no castelo.
Murmurou o rei, com uma fúria contida em sua voz.
A rainha ofegou, levando a mão ao peito, mas não houve tempo para desespero. O rei, sem perder a compostura, tomou uma decisão rápida. Ele fez sinal ao capitão da guarda.
—Procurem Angus em todo o reino. Não parem até encontrá-lo.
Os guardas saíram às pressas, enquanto o murmúrio no salão crescia. Emily, ainda mantendo sua postura, sentiu uma onda de alívio percorrer seu corpo. Angus não apareceu era a resposta que ela havia esperado, e agora, o peso do destino imposto parecia se dissipar um pouco.
Sem mais delongas, o rei se retirou do salão, seus passos ecoando pelos corredores até chegar à prisão do castelo. Lá, em uma cela fria e úmida, estava Piter, o exilado. O homem, que havia conquistado a princesa Emily e era o único que conseguiu dobrar a princesa para que aceitasse se casar com Angus, ergueu os olhos quando ouviu os passos do rei se aproximando.
— Piter, Você está livre.
Disse o rei, sua voz severa mas controlada.
Piter levantou-se, confuso. Liberdade era algo que ele não esperava, especialmente não vinda diretamente das mãos do rei.
— Mas não é uma liberdade completa, você será exilado. Não pode mais permanecer neste reino.
Continuou o rei, seu olhar duro.
Piter, ainda atordoado, conseguiu apenas um aceno de cabeça. A sensação de alívio misturou-se com a tristeza, sabendo que estava livre, mas que perderia o lar que conhecia. No entanto, ele sabia que não havia escolha; o reino nunca o aceitaria novamente.
O rei fez um gesto para que os guardas o libertassem, e logo Piter estava caminhando em direção ao portão do castelo, onde seria escoltado para fora do reino. Enquanto isso, a busca por Angus continuava, sem sucesso.
No salão de festas, o tempo passava, e a ausência do príncipe se tornava insuportável para os nobres, mas uma espécie de consolo para Emily. Ela permanecia em pé, firme e serena, enquanto todos ao seu redor murmuravam sobre o que aquilo significava. A satisfação dela não era pela humilhação, mas pela liberdade que sentia se aproximar. Angus, ao não aparecer, tinha, sem saber, dado a ela a maior dádiva que poderia receber: a possibilidade de uma vida longe de um casamento indesejado.
Enquanto a noite caía sobre o reino, a busca por Angus continuava sem respostas, e a festa que deveria celebrar a união tornou-se uma sombra do que deveria ter sido. O mistério do desaparecimento do príncipe seria a conversa de todas as bocas nos dias que se seguiriam, mas para Emily, aquela noite marcava o início de uma nova esperança.
Piter ouviu nos portões da cidade, que Angus não havia aparecido para o casamento com a princesa Emily.
O seu coração encheu-se de dor e alegria em simultâneo. Saber que o amor da sua vida ainda não havia se casado o deixou alegre, mas a sua lealdade ao Rei o fazia entristecer, pois aquela aliança seria importante para o reino.
A chuva fina que caía nos últimos dias havia transformado os caminhos em uma lama espessa. O sol já estava baixo no horizonte, tingindo o céu de laranja e dourado, quando Piter finalmente avistou a pequena taverna, meio escondida entre as árvores, onde os boatos diziam que Angus havia sido visto pela última vez.
Piter hesitou por um momento na porta, respirando fundo antes de entrar. Ele sabia que o encontraria ali, mas não estava preparado para o que viria a seguir. A taverna estava praticamente vazia, com exceção de um homem caído sobre uma mesa no canto mais escuro. O cheiro forte de álcool impregnava o ar, e as luzes fracas das velas mal iluminavam o espaço.
Ele se aproximou devagar, o coração batendo pesado no peito. Ali, Angus, o homem que Piter odiava não tão em segredo, estava completamente embriagado, os olhos entreabertos e sem foco. As roupas que um dia eram nobres agora estavam sujas e amarrotadas, refletindo o estado desolado em que se encontrava.
— Angus.
Chamou Piter, a voz baixa mas firme.
Angus ergueu a cabeça com dificuldade, os olhos tentando focar em quem o chamava. Quando reconheceu Piter, uma expressão amarga tomou seu rosto.
— Então você encontrou-me...
Murmurou, a voz arrastada pelo álcool.
— Vim levar-te de volta, O Rei Anthony colocou uma recompensa por você. Precisamos ir agora.
Disse Piter, tentando manter a calma.
Angus riu, uma risada sem humor, carregada de desdém.
— Voltar? Para quê? Para me casar com a filha do Rei? viver uma vida que eu nunca quis?
Ele balançou a cabeça, mas não resistiu quando Piter o puxou para levantar.
O caminho de volta ao palácio foi silencioso, com Angus cambaleando levemente ao lado de Piter, que o guiava com firmeza. Em sua mente, Piter lutava com sentimentos conflitantes: a lealdade ao rei, e o amor que sentia por Emily, um amor que agora parecia mais distante do que nunca.
Quando finalmente chegaram ao palácio, o silêncio do caminho foi substituído pela agitação dos servos e soldados, que corriam para anunciar o retorno de Angus. O Rei Anthony aguardava no grande salão, a expressão de alívio evidente em seu rosto. Ao lado dele, Emily, a filha do rei, observava com olhos tristes e cheios de angústia.
— Angus!
Exclamou o rei, abrindo os braços em saudação.
— Você está de volta! O casamento acontecerá, como deve ser.
Emily desviou o olhar, incapaz de esconder a tristeza que sentia. A ideia de se casar com Angus, alguém que claramente que ele não amava, era insuportável. O retorno dele, que deveria trazer alívio, só aumentava o peso que carregava em seu coração.
Angus, sentindo-se cada vez mais derrotado, olhou para o chão, sua mente ainda nublada pelo álcool, mas consciente do que estava por vir. A pressão, o casamento, tudo parecia um fardo impossível de suportar.
— Majestade...
Começou ele, a voz baixa e hesitante.
— Se esse casamento realmente precisa acontecer, então eu quero uma coisa em troca.
O rei Anthony, curioso, arqueou uma sobrancelha.
— E o que você quer, Angus?
— Quero que Piter seja meu escravo. Ele me trouxe de volta para essa vida que eu não queria. Quero que ele sofra como eu estou sofrendo.
Disse Angus, sua voz ganhando firmeza, mas com uma amargura evidente.
O rei sorriu, uma expressão cruel se formando em seus lábios. Ele adorava a ideia de punir Piter, não apenas pelo que havia feito, mas também para se divertir com o sofrimento alheio.
— Está decidido. Piter, você agora pertence a Angus.
Anunciou o rei, com uma satisfação quase maliciosa.
Piter, que até então havia permanecido em silêncio, sentiu o chão desaparecer sob seus pés. Ele não tinha escolha a não ser aceitar seu novo destino, mas o pensamento de ser forçado a servir Angus, o homem que ele odiava e não respeitava, o deixava com uma sensação de desespero e dor. Mais ainda, ele teria que assistir ao casamento, ver Emily nos braços de Angus, e tudo isso sob o peso de um amor que agora parecia uma punição.
Enquanto o salão esvaziava e todos se retiravam, Angus lançou um último olhar frio para Piter antes de se afastar, deixando o silêncio e a solidão tomarem conta do ambiente. Piter ficou ali, parado, lutando para aceitar o novo papel que o destino lhe havia imposto, sabendo que a dor de ver seu amor nos braços de outro homem, e pior, alguém que ele não respeitava, seria um fardo quase impossível de carregar.
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Atualizado até capítulo 24
Comments
roseli rosa martins floriano
até que foi bom aceitar esse casamento salvou a vida de Piter e ainda saiu livre, ou será que não?
2025-01-24
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roseli rosa martins floriano
o que ele vai pedir em troca esse rei só faz as coisas pensando no que vai receber em troca
2025-01-24
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roseli rosa martins floriano
mas você tinha sido exilado e resolveu mesmo assim ajudar o rei, achei bem feito para você
2025-01-24
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