Novamente o dia do casamento real chegou, e mais uma vez Emily teve que passar por toda a preparação para ser uma noiva digna do título que levava e iria adquirir.
O sol despontava timidamente no horizonte, banhando o castelo com uma luz dourada, que anunciava o dia do casamento real. Por todo o reino, sinos ressoavam, anunciando o tão aguardado matrimônio entre a princesa Emily e o príncipe Angus. Os súditos, vestidos em suas melhores roupas, enchiam as ruas de alegria e expectativa. A cada esquina, havia flores, bandeiras e a vibração de uma nação em festa.
Dentro do castelo, no entanto, o clima era diferente. Emily, em seu quarto, olhava o reflexo no espelho. A tiara de diamantes, que havia pertencido à sua mãe, reluzia em meio ao seu véu branco. Seu vestido, feito dos tecidos mais finos, envolvia sua figura com delicadeza, mas seus olhos, antes brilhantes, agora estavam opacos, carregados de incerteza. Ela pensava no futuro que a aguardava ao lado de Angus, um homem que, embora fosse o escolhido para ser seu esposo, não era aquele que seu coração desejava.
Do outro lado do castelo, Angus vestia-se com a ajuda de seus serviçais. A espada cerimonial pendia ao lado de sua cintura, e o manto real, pesado, caía sobre seus ombros. Ele evitava o olhar de todos, carregando o peso de sua decisão. Não era o casamento que ele queria, mas sim o que se esperava dele. Seu coração estava em conflito; o desejo de liberdade confrontava-se com o dever.
Piter, agora um escravo de Angus, observava silenciosamente enquanto se preparava. Os olhos de Piter seguiam cada movimento do príncipe, apenas obediência, e dentro do seu coração havia um turbilhão de emoções. Angus havia pedido ao rei que o tornasse seu servo, mas o motivo não era de gratidão, e sim de crueldade. Angus não perdoava Piter por ter sido o responsável por seu retorno ao palácio e, consequentemente, por ter selado o seu destino no casamento. Piter, por sua vez, lutava para manter a compostura, sabendo que o verdadeiro tormento estava apenas começando.
O salão principal do castelo estava decorado com ornamentos dourados e tapeçarias luxuosas. A nobreza e os membros da corte já estavam reunidos, murmurando entre si, ansiosos pela cerimônia. O rei Anthony, em seu trono, exibia um sorriso satisfeito, orgulhoso do casamento de sua filha. Ele olhava ao redor, desfrutando da opulência e do poder que aquele momento representava.
Quando as portas se abriram, todos os olhos voltaram para a entrada. Emily entrou no salão, sua figura sem ânimo deslizando pelo corredor central. Cada passo parecia uma eternidade, e em seu coração, a resistência crescia. Ao alcançar o altar, encontrou Angus esperando. Ele a encarou com um olhar vazio, que apenas reforçou o sentimento de resignação em ambos.
O arcebispo começou a cerimônia, entoando palavras que pareciam distantes para os noivos. As mãos de Emily e Angus foram unidas, e o juramento de amor eterno foi proferido, mas as palavras saíram forçadas. O véu foi levantado, revelando o rosto de Emily, e Angus a beijou, como manda a tradição, mas o toque dos lábios foi frio, desprovido de paixão.
Quando o casamento foi declarado, o salão explodiu em aplausos e vivas. Contudo, no íntimo dos dois, havia apenas silêncio e um vazio crescente. Emily olhou para a multidão que celebrava, mas em sua mente, via apenas a imagem de um futuro que não poderia mudar.
Angus, por sua vez, segurou a mão de sua nova esposa com força, não por afeto, mas por um misto de frustração e impotência. Ele sabia que aquela união estava condenada desde o início. Mesmo agora, sendo rei em um futuro próximo, sentia-se mais aprisionado do que nunca, amarrado a um destino que nunca escolheu.
Enquanto a festa se desenrolava nos salões do castelo, repletos de música, comida e danças, Emily e Angus permaneceram distantes, presos em seus próprios pensamentos. O casamento, que deveria simbolizar uma nova era de felicidade e prosperidade, parecia mais um acordo trágico, selado por um véu de obrigações e arrependimentos.
E assim, a noite caiu sobre o reino, e o novo casal recolheu-se nos seus aposentos, não como amantes, mas como estranhos, ambos cientes de que o verdadeiro desafio ainda estava por vir.
As chamas das velas tremulavam fracamente, projetando sombras dançantes nas paredes dos aposentos nupciais de Emily e Angus. O silêncio no quarto era cortante, apenas interrompido pelo crepitar suave do fogo na lareira. Emily, vestida em seu traje nupcial, sentia-se oprimida pelo peso de sua nova posição. Ela estava sentada em uma cadeira ao lado da janela, olhando para o nada, perdida em pensamentos.
Angus, ainda vestindo suas roupas cerimoniais, entrou no quarto com passos firmes, o som de suas botas ecoando nas pedras frias do chão. Ele estava ansioso para resolver o que via como a principal responsabilidade daquele casamento: garantir a continuidade de sua linhagem. Mas, ao ver Emily tão distante, ele sentiu uma onda de frustração.
— Emily, Chegou a hora de falarmos sobre o nosso futuro. Temos um dever a cumprir.
Ele chamou, tentando esconder a impaciência em sua voz.
Ela virou-se lentamente para ele, com os olhos sombrios e cheios de tristeza.
— Eu sei o que espera de mim, Angus. Mas eu não posso. Não desse jeito.
Angus franziu a testa, a irritação crescendo no seu peito.
— Você está se recusando a fazer sua parte no acordo, eu estou cumprindo a minha, garantindo segurança ao seu reino com o meu exército!? A única razão para eu aceitar este casamento é gerar herdeiros. Se não podemos garantir isso, então tudo isso não passa de uma farsa!
Emily levantou, os dedos apertando a barra do seu vestido.
— Eu compreendo a importância da nossa união para o reino, mas não posso simplesmente ignorar meus sentimentos. Você realmente acha que trazer uma criança ao mundo, fruto de um casamento sem amor, será o melhor para nós? Ou para o futuro dessa criança?
Angus colocou um braço sobre o outro em postura de descontentamento, o seu olhar endurecendo.
— Os sentimentos não têm lugar na política, Emily. Herdeiros são o que mantêm o poder em nossas mãos. Você sabia disso quando aceitou se casar comigo.
—Eu não aceitei!
Emily exclamou, sua voz embargada pela emoção.
— Fui forçada a isso, tanto quanto você! Mas eu não posso, e não vou, criar uma vida por obrigação, sem amor ou carinho. Isso seria cruel.
Angus deu um passo em direção a ela, sua expressão rígida, mas seus olhos traíram uma faísca de dor.
— Você acha que eu queria isso? Que eu sonhei com esse destino? Mas nós dois temos deveres, e fugir deles só trará desgraça para nós e para o reino. Eu preciso de um herdeiro, Emily. Isso é o que nos foi ordenado.
Emily recuou, sentindo o peso das palavras de Angus. Ela sabia que ele tinha razão em parte, mas também sabia que não podia ignorar o seu próprio coração.
— Eu não sou uma máquina, Angus. Não sou apenas um meio para um fim. Se você quer um herdeiro, então precisa haver algo mais do que obrigação entre nós. Precisa haver respeito, talvez até amizade... mas não assim. Não como dois estranhos em guerra.
Angus apertou os punhos, sentindo a frustração borbulhar. Ele aproximou-se dela, os olhos fixos nos dela.
— Você está dificultando as coisas, Emily. Quanto mais tempo você adiar, pior será para ambos. Não estou pedindo amor, apenas que faça sua parte.
Emily manteve-se firme, embora o seu corpo tremesse ligeiramente.
— E eu não estou negando o dever, mas sim a forma como ele deve ser cumprido. Se vamos ter um herdeiro, Angus, ele deve nascer de algo mais que apenas uma transação fria. Não quero que essa criança seja criada em um ambiente de ressentimento.
Angus olhou para ela, o conflito interno evidente na sua expressão. Por um momento, ele parecia prestes a ceder, mas a amargura tomou conta novamente.
— Então, o que sugere? Que fiquemos presos nesse casamento estéril até que você decida estar pronta? O reino não pode esperar pela sua disposição, Emily.
Emily suspirou, sentindo a exaustão emocional a consumir.
— Eu sugiro que encontremos uma forma de coexistir sem forçar algo que ambos rejeitamos. E talvez, com o tempo, possamos encontrar um caminho que seja justo para nós dois... e para o futuro que desejamos construir. Ou então vamos esperar até a festa de casamento no seu reino.
Angus não respondeu imediatamente. Ele sabia que, de certa forma, ela tinha razão. Mas a pressão sobre ele era esmagadora, e a ideia de esperar por algo que parecia tão incerto o deixava furioso. Ele se virou abruptamente, caminhando até a porta. Antes de sair, ele parou e falou, sem olhar para trás:
— Espero que você não demore a perceber o que está em jogo aqui, Emily. Eu não serei paciente para sempre.
Com isso, ele deixou os aposentos, batendo a porta atrás de si. Emily permaneceu onde estava, sentindo o frio penetrar em sua alma. A coroa sobre sua cabeça era pesada demais, e a responsabilidade que ela carregava parecia esmagadora. Ela sabia que estava desafiando algo maior que ela mesma, mas também sabia que não podia simplesmente se render.
Enquanto o silêncio voltava a dominar o quarto, Emily deixou que as lágrimas silenciosas escorressem por seu rosto. Ela não estava apenas lutando contra Angus, mas contra um destino que parecia determinado a roubar dela tudo o que um dia poderia chamar de felicidade.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 24
Comments
roseli rosa martins floriano
todo mundo alegre ninguém pensa na menina que vai ter que se entregar para um homem escroto
2025-01-24
0
roseli rosa martins floriano
agora sim a coisa fica dificil, como se deitar com um homem por quem não se sente nada
2025-01-24
0
roseli rosa martins floriano
ele aceitou se casar obrigado e agora simplesmente acha que é fácil para ela
2025-01-24
0