12 - Baile no Palacio de Sarha (2)

No salão, todos encararam o par de pessoas que entraram, os outros heróis ainda não haviam chegado, bem, alguns nem compareciam ou nem mesmo eram de famílias nobres para ter etiqueta para ficar naquele lugar.

Os olhos dos nobres pareciam querer comer os dois com aqueles olhares ameaçadores, mesmo que a família Eidel seja poderosa, eram apenas barões em um mundo onde as pessoas eram mais de linhagem que dinheiro.

Sasha engoliu a seco, esses olhares eram pouco comuns durantes as festas familiares que participou, mas eram bastante semelhantes aos dos demônios que enfrentou no campo de batalha.

“Será que os humanos não sejam diferentes daqueles demônios?” pensou Sasha

Sasha caminhou com Alphonse ate que ele deve que se separar dela, não podia ficar por muito tempo devido a alguns negócios com os nobres que a família tinha que fazer naquele baile. Ela nunca foi focada nesse tipo de negócio, já que permaneceu a maior parte de sua vida no templo.

No fim, ela se encontrava sozinha naquele salão, sabia como agir exatamente naquela situação, mas não desejava ficar dentro daquele lugar por um longo tempo, os olhares a sufocavam mais que os dos mortos após uma grande batalha.

Sasha pegou a taça com sua mão tremula, ela só queria encontrar alguém conhecido, mesmo que a possibilidade daquilo seja bastante impossível de acontecer.

Algumas pessoas tentaram se aproximar dela, em sua maioria, homens, desejavam dançar com ela, mas a mesma sempre recusava, queria permanecer no canto por mais que toda a atenção do baile esteja nela até agora.

“E pensar que você estaria muito agitada em um lugar como esse”

Uma voz que Sasha conhecia muito bem, seria e sem muito gentileza.

“Darcelle!”

Sasha a abraçou, a morena ficou um pouco sem reação e até corou com a atitude da mais nova.

“Sasha, estamos em um baile, olhe os modos!”

“Opa, desculpa” se solta dela “Bem, Darcelle, você encontrou mais alguém por aqui?”

Sasha agarrou o braço delas e elas começam a andar pelo salão

A morena suspiro.

“Havia alguns, encontrei o general, mas ele se encontra com sua família agora, além de outros capitães e soldados nobres, mas foram poucos”

Os soldados que ela encontro, assim como Darcelle, eram de famílias caídas, mas não deixaram de permanecer na longa história da aristocracia do império.

“Ouvir que sua família está passando por dificuldades, pode pedir ajuda para a minha família se precisar”

“Não ouviu dizer que pedir ajuda aos Eidel é mesmo que fazer um pacto com o diabo? Sua família é bem conhecida na corte nobre” avisou

Sasha riu constrangida, os Eidel eram famosos por serem algum tipo de agiotas no mundo dos nobres, eles temiam aquela recém-família nobre.

“Eu poderia amenizar, os Argus não cumpre sempre as suas promessas?”

“Foi por isso que ficaram naquele estado”

Argus tem uma longa história de fidelidade com o império, mas desde que foram traídos pelo império no passado, rastejam pelos lugares como animais.

Darcelle suspiro, Sasha queria ajudar a amiga, mas não sabia como fazer exatamente, a teimosa morena não desejava ajuda de ninguem nem mesmo durante as batalhas que enfrentaram.

De repente as trombetas de anunciam tocaram, mas alguém havia chegado naquele lugar.

“O Jovem lorde da família Brancos, Jonathan Luí Brancos, Sir Liberalitas, junto de outro herói, Sir Hiraeth, Herói de Guerra e Sir Humilitas, se fazem presentes no salão do baile Imperial”

Sasha, assim como os demais, olharam para o ponto mais alto do salão, onde ambos haviam acabado de chegar. Um brilho, junto de um leve rubro, surgiu quando viu como que Hiraeth estava vestida.

A roupa tipica dos nobres, definitivamente não combinava com ela, mas o azul-claro de sua roupa iluminava sua beleza junto das calças brancas e da bainha de decoração que era conforme a etiqueta.

Obviamente, ela não foi notada por Hiraeth no meio daquela multidão, mesmo ela desejando que aquela mulher olhasse somente pra ela.

***

Hiraeth não sabia como se portar naquela situação, não importava o básico que o templo havia os ensinados, não é nada comparado a etiqueta nobre que realmente devia ser.

Jonathan não é o maior exemplo também, ele se manteve afastado da nobreza desde novo e não deseja nem se relacionar com qualquer nobre que fosse, eles brincavam que ele iam fazer celibatário, isso foi antes, mas tudo parecia bem mais real agora.

Quando terminaram de descer aquela escadaria, o homem de cabelos loiros como o ouro os recebeu de braços abertos, ele estava com uma mulher de cabelos negros, ambos vestiam amarelo e com algo que lembrava pelagem.

“Hiraeth! Jonathan! Pensei que não lhes veriam por aqui”

Os saudou com um grande sorriso.

Ele se curvam com a velha saudação militar.

“General Ghilher, que bom vê-lo aqui”

Hiraeth que falou desta vez.

Ghilher deu um leve tapa nas costas de ambos.

“Sejam como era quando estavam no pelotão, não é porque estamos entre nobres que deixamos de ser velhos conhecido”

O General Ghilher, ou melhor dizendo, o conde Lucidas Ghilher sempre foi alguém descontraído e com o título de cunhado real, ganhou muito poder naquela corte, por isso ele poderia agir daquela forma.

“É a primeira vez de vocês dois aqui, sinto muito por esses olhares que estão sentindo”

A mulher ao lado de Lucidas era igualmente alta, assim como ele, seus cabelos negros mostravam ainda sua beleza juvenil mesmo naquela idade.

“Medeia, eles se acostumam, a partir de hoje devem receber mais convites dos nobres que querem se relacionar com eles, isso sempre acontece” avisou o conde

Jonathan sentiu um arrepio percorrer a sua espinha, ele havia prometido a sua mãe antes de morrer que não se relacionaria com a nobreza. O mesmo resmungou algo que Lucidas ouviu o o levou com o braço sob o ombro dele pra conversa em algum canto.

Medeia, que era esposa de Lucidas suspiro pesado.

“Sinto muito pelo meu marido, às vezes ele é meio…”

“Super protetor?”

“Isso, principalmente depois da morte de Kairos”

Kairos era filho dos conde e condessa, mas morreu um ano depois da guerra com uma doença desconhecida pela igreja.

Logo, novamente as trombetas de anúncio, mas desta vez eram mais altas e sinfônicas que antes.

A família imperial atual estava entrando.

“Anunciando, sua Majestade Imperial, o Imperador Danyi III da casa Caelum do Imperio de Enya e sua Majestade Imperial, Imperatriz Viuva Lucia Alicia da Casa Ghilher”

A figuras mais importantes do império haviam entrado naquele lugar.

O jovem imperador de Enya, não necessariamente o mais jovem a assumir, mas digamos que muita coisa aconteceu para que ele conseguisse subir no trono, mesmo que existiam algumas pessoas na sua frente.

Imperador dos cabelos dourados, algo que lembrava e demarcava a família do oeste de sua mãe, suas roupas, misturando o laranja, da casa Caelum e o roxo, das famílias imperiais. A capa longa e a coroa de herdeiro que ele ainda usava, mostrava que a cerimônia oficial de coroação ainda não havia acontecido, por mais que ele seja conhecido como, imperador pelo continente.

A imperatriz viuva seguia os mesmos padrões de roupas que o mais novo, tirando o laço em seu cabelo de cor escura, representando o luto pela morte de seu marido, o imperador.

Ouviram dizer de uma princesa que era três anos mais velha que o jovem imperador, mas ela não se fez presente naquele momento.

Alguns diziam que ela era louca.

Os dois caminharam em direção ao trono, Danyi se sentando nele e a imperatriz viuva ficando em pé.

A mesma virou e falou algo baixo para um vassalo que foi em direção a outro e outro vassalo.

Aquela imperatriz viuva, assim, falou:

“Os informo da grande notícia que todos desejavam ouvir após tantos anos de guerra com os demônios”

Todos no salão prestavam atenção na antiga imperatriz, ela falava com firmeza e paixão, ao que chamava a atenção dos nobres naquela mulher.

“Nosso império cumpre com as promessas que fazemos com os outros reinos deste continente, então, como retribuição a nossa proteção contra os demônios nos últimos cinco anos, nosso vizinho e amigo, Reino de Aruin, nos enviou uma noiva imperial, dignada de nosso jovem imperador, de modo a afirmar a nossa cara aliança”

Aruin e Enya nunca tiveram uma boa relação para falar a verdade.

Guerra e muitos confrontos aconteceram durantes os anos que esses dois países existem. Entretanto, com o advento dos demônios na fronteira daqueles territórios e Enya, sendo poderosa e “diplomática” que era, propõem uma aliança.

Um soar de palmas foi ouvido naquela sala, predominantemente veio das pessoas de Enya, pois, o país de Aruin se sentia traído de alguma forma ao enviar uma das suas para aquele lugar.

“Que entre ela, a nossa noiva Imperial de Aruin”

Ordenou a imperatriz viuva.

O som das trompetas soara, assim, quando as portas foram abertas, a figura da desconhecida princesa de Aruin apareceu naquela entrada.

Os mais conservadores de Enya ficaram abismados com o que usava, mesmo que para alguns não fazia diferença como ela se portava por ser uma estrangeira naquele país.

Seus cabelos cor de chocolate desciam quase soltos, pelo menos mais que a maioria das mulheres naquele lugar. Seu rosto estava baixo, mas quando o levantou, alguns diziam ver uma fada e não uma mulher humana.

Os olhos lembraram alguém que tinha domino da dádiva.

“Anunciando, sua alteza Real, segunda princesa do reino de Aruin, Teniris da casa Argyris de Aruin, se faz presente neste salão”

Havia aqueles que se impressionaram com elas, aqueles que a olhavam com desdém, mas todos sabiam quem aquela mulher seria e não havia muita coisa que eles poderiam fazer, assim a maioria pensava.

Teniris caminho até o palanque do trono, mas, pelas regras, ela ainda não poderia subir naquele lugar, pois ainda não era um membro oficial da família.

Como se tudo aquilo fosse ensaiado, o imperador desceu de seu trono e caminho em direção a Teniris, que havia se ajoelhado e estava de cabeça baixa, estendeu a mão a ela como algum símbolo para um convide.

Teniris demorou um pouco para o fazer, era engraçado irritada aquela família, mas devia cumprir seu papel. Ela segurou a mão do mais jovem e caminho junto dele até aquele palanque.

Aquilo, segundo as tradições, confirmava que a família imperial tinha uma noiva e o futuro estava seguro.

Mesmo sem dizer nada, o jovem imperador fez um sinal que a música voltasse a tocar e pegou na mão de Teniris e desceu daquele lugar e foi ao centro do salão.

Poderia ser uma primeira dança desajeitada, devido ao jovem imperador não saber muito de dança, mas tudo devia sair com o conformes, assim devia ser.

Teniris queria rir do mais novo, mas ela acabou guiando aquela dança até que se iniciasse a música que os demais convidados começassem.

Foi uma valsa de cinco minutos, mesmo que para o jovem imperador parecesse horas. Quando a mesma acabou, o imperador apenas seguiu para fora do salão com alguns de seus servos, a imperatriz viuva não impediu e continuo, dizendo:

“Que se inicie a segunda dança”

Uma dança para quem desejasse se aproximar de jovens damas para propor algo, mesmo que isso para alguns parecesse, de certa forma, constrangedor.

Jonathan se escondeu em algum lugar, medeia foi dançar com Lucidas, de alguma forma, Darcelle já tinha um par e Sasha permanecia sem um, mesmo que ela não desejasse dançar.

Bem, isso foi até ela escutar uma voz.

“Então você estava escondida por aqui”

O sorriso travesso de Hiraeth ao encontrar Sasha foi sincero.

Sasha apenas riu e estendeu a mão, que por um estranho ato, Hiraeth beijo a costa desta mão, fazendo as orelhas da albina corarem.

“Ops, não creio que você me encontrou” brincou

“Ou você queria que eu lhe encontrasse” piscou Hiraeth

Não sabia o porquê seu coração estava batendo tão forte, Sasha apenas colocou o seu leque no rosto e olhou pro canto.

“Você não vai me convidar pra dançar?”

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Atualizado até capítulo 39

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