O toque era muito realista, como se tudo aquilo foi a mais pura realidade. Seus lábios se contavam com gosto, desejando mais o toque alheio uma da outra. Os dedos que entrelaçavam nos fios longos e brancos da outra, fazendo com que se aproximasse mais dela. Os beijos que desciam o pescoço quase límpido de uma sacerdotisa. O gemido baixo que parecia como uma baixa canção de uma sereia para a heroína.
Como chamas, parecia que aquele amor ardia de forma fervorosa.
Todavia, chamas que surgiam de uma forma estranha, queimava o corpo de alguém como uma fogueira em meio a uma praça pública. Os grito de agonia eram altos, como se pedissem socorro, mas uma voz lhe disse:
“O desejo por algo leva os humanos a ruína” a voz riu com desprezo
Hiraeth acordou daquele sono em sua cabana, suava frio em um dia quente, suas pupilas estavam dilatadas e bagunçou os cabelos para trás segurando o choro outra vez, logo sussurrou:
“Esse sonho novamente”
Sasha não entendia muito bem o que estava acontecendo com Hiraeth nos últimos dias, era como se ela temesse alguma coisa, medo de alguma coisa.
Naquele dia, toda a procissão de soldados havia ficado em uma cidade para descansar, o General Ghilher havia deixado todos saírem pela cidade, em sua maioria, iam para um certo lugar que era bem famoso entre os soldados, Hiraeth acabou sendo puxada para aquele tumulto de alguma forma.
Os demais membros da procissão, em sua maioria sacerdotes velhos e algumas mulheres, ficaram na hospedaria.
As mulheres se reunirão em um dos quartos para conversa naquela noite, onde a maioria dos homens havia ido ao distrito vermelho. A grande maioria delas eram jovens sem família que procuravam algum futuro, outras entraram no meio da campanha, outras estavam desdo inicio naquela grande procissão, muitas órfãs ou de famílias nobres caídas, mas ali estavam, juntas.
As risadas femininas ecoavam naquele quarto, algumas estavam criando alguns bordados para entregar a alguns soldados que desejavam convidar para o baile de Sarha, outras para entregar uma prova de sobrevivência.
“Este bordado está lindo irmã Sasha, como você tem mãos tão talentosas!” exclamou uma daquelas mulheres
Sasha, desda primeira campanha que participou, vem criando, não necessariamente um bordado, mas um grande desenho com linhas contando uma história bastante longa naquele tecido.
Muitas das jovens estavam curiosas com aquilo, enquanto passavam a mão naquela peça.
Outras, que tinham a mesma idade de Sasha ou mais velhas, mesmo curiosas, não era algo que lhes importava agora, as questões que a sociedade de Enya lhes impõe era maiores.
“Sim, mas isso não poderia se colocado em um dote de casamento” falou a morena
“Darcelle…” chamou Sasha de forma tranquila colocando o bordado sobre o colo
“Sasha, você teve sorte em algumas coisas, mas sabe que não pode escapar disso por muito” avisou novamente Darcelle
Aquilo deixou Sasha desconfortável, até quando ela poderia manter o título de Herói? Isso dependia muito da igreja ou de quando tempo a sua juventude poderia durar.
Era a dura realidade de Darcelle lhe lembrou.
“Mas a irmã Sasha tem muitos partidos, certo? Muitos querem pedir a mão dela” falou uma das jovens sonhadoras
“A irmã Sasha deve ter uma fila de homens que querem ela, lembro bem que teve um baile antes da campanha que um dos duques queria ter ela como esposa” lembrou outra
Sasha apenas riu envergonhada “A igreja não ia permitir, tinha apenas treze anos na época”
“Os casamentos dentro da plebe ocorre mais ou menos nessa idade, irmã Sasha” respondeu Heloise “Não sabia disso?”
“Oh...”
Sasha foi levada muito cedo para dentro dos portões da igreja, as palavras ditas por Heloise e as demais que viam de dentro da plebe lhe permitiu perceber a grande diferença das duas sociedades.
“Mas fale irmã, qual deles você escolheu?” Liane questionou olhando para Sasha
“Escolhi?” Sasha pensou, ela poderia responder que nenhum, mas aqueles jovens olhares curiosos deixaram ela surpresa “Quem vocês acham?” perguntou para entrar naquela brincadeira
O grupo mais jovens começaram a dar vários palpites sobre o assunto, enquanto Sasha apenas acompanhava com seu bordado.
“Porque você deixou elas discutirem sobre isso, mesmo já tendo uma resposta obvia?” Darcelle se sentou ao seu lado e perguntou
Sasha deu um sorriso travesso e lhe diz: “Ela precisam de um pouco de diversão depois de tudo que passaram” logo ela voltou a borda
Darcelle suspiro e não negou aquilo, já que a maioria delas eram apenas crianças que foram enviadas com grandes chances de morrerem na linha de frente, mas sobreviveram e estavam ali.
Não demorou muito para que Sasha se retirasse do quarto onde estava com todas, ela desejava voltar para o seu quarto para descansar pelo resto da noite.
Enquanto caminhava para seu quarto, Sasha observou que Hiraeth estava em frente a porta do quarto dela, prestes a bater na porta, mas de alguma hesitava um pouco.
“Hira, esta tudo bem?” Sasha pergunta ao se aproximar dela
Hiraeth parecia um pouco lenta, logo Sasha percebeu que ela estava um pouco bêbada, normalmente ficando mais quieta e emotiva que o normal. Ela se aproximou de Sasha e encosto o rosto no ombro de Sasha sem dizer uma palavra se quer e Sasha apenas a abraçou.
Sasha sabia que Hiraeth não ficaria no próprio quarto, ela sempre tinha pesadelos estranho quando bebia, assim, abriu a porta do quarto e entrou de mãos dadas com Hiraeth.
Sentou a outra na cama, mas de uma forma estranha, como nos demais dias, Hiraeth não tirava os olhos de Sasha.
Quando Sasha tentou sair um pouco de perto dela, Hiraeth segurou a barra da manga dela, o que a albina achou um pouco estranho, mesmo sendo um costume comum de Hiraeth bêbada.
“Sou vou ali pegar um pouco de água para você, Hira, não irei demorar” avisou Sasha, mas Hiraeth não deu uma única resposta
Sasha tentou soltar a mão de Hiraeth, mas a heroína apenas pegou o pulso dela e a puxo para mais perto dela de forma inesperada.
“Ei, o que você…”
“Não vá” diz Hiraeth baixo
Hiraeth abraçou a cintura de Sasha mais forte, tremendo que ela fosse embora, mesmo que Sasha não entendesse o motivo por trás disso.
Sasha sentiu cócegas com o toque suave de Hiraeth em sua cintura, sentiu uma sensação de quentura subir em seu estômago quando Hiraeth a tocava.
“Hira, o que você…” a chamou com a voz baixa
Hiraeth ainda continuava sem a responder direto, mas puxo Hiraeth mais para perto de si, fazendo a albina praticamente se sentar no colo dela.
Sasha corou, não sabia muito bem reagir àquilo, principalmente aquela estranha sensação que parecia como uma energia que passava por todo o seu corpo.
As mãos de Hiraeth subiram pelo corpo de Sasha em direção ao seu rosto e sem nenhuma palavra ou permissão, ela beijou a albina que parecia um pouco hesitante no início, mais se deixou levar pelo beijo a morena. As mãos da morena voltaram a descer pelo corpo da albina como se quisesse a tocar mais a fundo, que apenas beijos e toque por cima da roupa.
Todavia, aquela voz veio em sua cama, como uma pertubação misteriosa, pois, não importava o quando ela desejava aquilo, a voz vinha e a perturbava.
Sasha percebeu que ela havia ficado estranha e segurou o rosto dela e enxugou as lagrimas que caiam de forma estranha. Ela sorriu.
“Vamos dormi, não me sinto bem” diz Hiraeth tentando esconder o rosto choroso
Sasha estava um pouco decepcionada, mas apenas concordou.
No dia seguinte, as duas pareciam juntas demais, Sonnata que não estava muito longe observou as duas, principalmente a mão de Hiraeth na cintura de Sasha.
“Será que aconteceu alguma coisa?” Jonathan se perguntava
Sonnata abaixou a sobrancelha, não era obvio.
“Bem, talvez sim” respondeu Sonnata
Eles já estavam na última Dadiva, naquele momento, em apenas alguns dias, poderiam finalmente voltar para a capital do Imperio, Kyrios.
Seriam recebidos com festejos, mas até quando a felicidade poderia durar?
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 39
Comments
Johana Guarneros
Não acredito! 😱
2024-09-04
2