Ao chegar a clínica foi bem recebida pelo seu psiquiatra Lauro, que recém tinha chegado de são Paulo de uma palestra que ele realizou.
— Boa tarde, doutor!
— Boa tarde, minha cara jovem, como você está?
— Estou bem e como foi a viagem para São Paulo?
— Foi boa, mas cansativa essas viagens, mas vamos dar início a mais uma sessão?
— Vamos, espero que venha coisa boa hoje!
— Depende do ano que vamos voltar.
— Sim, doutor.
— Então deite que eu faço o mesmo ritual de sempre.
Lauro fez Laura olhar uma pedra de cristal que balançava perto do rosto dela, que fixava os olhos na pedra, e contava de um até nove. E Laura ficava hipnotizada e acabava tendo um sono profundo acompanhando a voz de Lauro que conseguia ter o controle da situação.
— Vamos voltar ao ano de 1760.
— Sim doutor.
— Diz-me o que está vendo?
— Eu estou brincando com uma boneca, eu ainda sou uma criança de três anos. Sou loirinha, cabelos cacheados e olhos azuis, nossa! Me vejo como uma menina muito linda, minha mãe está me chamando para eu tomar cuidado para não cair, estou numa área da nossa casa em que tem bastante espaço pra brincar. Pelo que estou vendo a minha mãe é muito bonita, loira olhos azuis. E feliz com meu pai, o lugar ainda não consegui identificar, mas não é aqui no Brasil que deve ser na Europa, ou Estados Unidos. É porque tem muita neve caindo, a temperatura é congelante, estou indo pra dentro de casa faz muito frio, parei de brincar e minha mãe está me fazendo dormir, ela é muito carinhosa comigo. Eu sou a única filha por enquanto, pelo que estou sabendo, meu pai é magro e tem cabelos grisalhos, tem um sorriso bonito e carinhoso bom, pai trata bem de mim e de minha mãe, somos uma família felizes bem sucedidas. Meu pai trabalha numa companhia importante dos Estados Unidos. E agora me vejo brincando novamente. O mais estranho porque tem uma cachorra no jardim. Ela é branca com manchas alaranjadas no olho, e no corpo. Eu tenho a sensação de que já conheço essa cachorra de algum lugar. Ela me persegue em sonhos, não sei bem o que é.
— Vamos avançar uns sete anos à frente, você deve ter uns dez anos, e me conta o que está vendo?
— Sim, estou com dez anos de idade, e sou uma menina inteligente que tira boas notas no colégio, parece que todos gostam de mim na escola, estou no jardim de infância estudando com uma galerinha da mesma idade que eu. A professora sempre sorri pra mim, com aquele olhar hipócrita querendo me dizer que sou aluna especial para ela, não sei porquê. Mas tem alguma coisa estranha, aí tem? De uma coisa eu tinha certeza, que por trás daquele sorriso falso havia interesse escuso, só não sei o que é? A professora não ia ser minha amiga assim por nada. Só porque sou inteligente ou a mais bonita da sala de aula, deve haver outra explicação. Ela seguidamente pergunta sobre meu pai, não sei porque? Queria saber se minha mãe e meu pai estão bem se eles não brigam, estou achando muito estranho essas conversas com conteúdo fora de contexto. Alguma coisa não está cheirando bem, uma professora querendo saber a vida íntima dos meus pais? Menos mal que sou inteligente, pra não me iludir com a falsidade das pessoas. Ainda mais que sempre sou desconfiada de tudo e todos. Sempre tenho um pé atrás com gentileza gratuita. Estou vendo meu pai vindo me buscar, não entendo porque é só ele que vem me buscar porque minha mãe não vem junto, tem alguma coisa errada nessa história. E não gosto do jeito que a minha professora olha pro meu pai e ele para ela? Nem quero pensar nessa possibilidade, contar para mim mãe não posso se não ela poderia morrer do coração. E depois eu acho que não tem nada haver! Meu pai com a professora seria demais um desgosto profundo que eu não ia suportar! Mas vendo o jeito que ela olha parece que vai comer meu pai com olhos. Tenho minhas suspeitas de que eles possam ter um caso, não posso acreditar nessa hipótese? Seria nojento demais, minha mãe não suportaria. Ela o ama muito. Ia sofrer muito e eu também, mas esta professora é muito assanhada por meu gosto, e depois fica toda hora fica perguntando: pelo meu pai, o problema que é apenas suspeita eu não posso saber de nada não sei se naquela época eu saberia investigar esse caso! E saber se realmente meu pai está saindo com a minha professora, aí eu não sei o que eu faço com ela. Quem sabe eu ainda vou descobrir o que está acontecendo entre os dois. Meu pai parece não dar muita bola pra ela. Talvez seja implicância minha por ser uma filha ciumenta, tenho ciúmes do meu pai, não gosto que mulheres ficam dando em cima dele, sei que ele é bonito, um homem importante rico, mas minha mãe também é linda, não acredito que meu pai seria capaz de trair a minha mãe. Mas vai saber ainda naquela época. É bobagem minha ciúmes nada mais.
— E o que mais você está vendo?
— Estou voltando para casa e não consigo esquecer daquele olhar da professora. Eu confio no meu pai acredito que ele é fiel a minha mãe, mas só de pensar nessa possibilidade me dá até medo e como se eu fosse ser traída, o tempo foi passando e meu pai sempre atencioso me busca no colégio, mas não sei, sinto aquela sensação de que tem alguma coisa errada, porque meu pai vai me buscar na escola e a minha mãe não? Quando ele vai me buscar as pessoas me olham estranhamente como se eles soubessem de alguma coisa, mas não sei porquê desse medo que minha mãe seja traída. E nem sei o que pode acontecer, e nunca vou perdoá-lo, eu não tenho sossego, quando na verdade eu deveria me preocupar com meus estudos, mas aqueles olhares da professora pra cima dele não me sai da minha cabeça.
— Vamos seguir adiante, me diga o que você está vendo?
— Uma coleguinha minha que não gosta de mim, está me olhando com tom de deboche. Ironizando por razões que eu desconheço, o meu sangue subiu na minha cabeça, estou tentando me segurar, mas está difícil ver ela debochando da minha pessoa e falando no ouvido das patricinhas amigas dela. E olha rindo de mim. Não resisti estou partindo pra cima dela, e agarrando ela pelos cabelos jogando no chão, estou muito revoltada que ela está chamando meu pai de adúltero que está traindo a minha mãe com a minha professora, estou batendo o rosto dela chão que está saindo até sangue do nariz, estão-me separando dela, vou ser suspensa por duas semanas.
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Atualizado até capítulo 35
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