CAPÍTULO 9

— Estou conversando com meu irmão, ele fala muito, não para de falar, estamos na janela olhando a neve cair, aqui na região serrana está muito frio, estou me congelando de frio. Preciso entrar. A família está reunida preocupada com o que está acontecendo nas grandes cidades, Porto Alegre, Rio De janeiro, e São Paulo, protestos contra o governo, muita gente indo presa, políticos presos pela ditadura, muita gente ferida doutor. É só isso que eu ouço nas rádios, eu estou preocupada com meus filhos que estão estudando na capital, minhas filhas estão em casa, meus filhos homens na capital, eles são protestantes contra o atual governo, estou angustiada e preocupada com o que possa acontecer com eles!

— O que mais você está vendo?

— Agora estou mais tranquila, meus filhos estão em casa, meu filho mais velho tem 37 anos casado, dois filhos, e uma linda menina e um lindo guri, eu amo eles são meus preferidos. Outro meu filho, tem 35 anos, é casado, também tem dois filhos, dois filhos homens, e minhas duas filhas, uma de 33, a mais nova 27 anos de idade, prestes a se casar, somos uma família feliz embora difícil na política, mas estamos bem de vida!

— Bom, agora vou contar de um até Nove, e você vai acordar, está bem? — Lauro fez o mesmo ritual contando de um a Nove lentamente, e assim sua paciente acordou do transe, como se estivesse acordando de um sono profundo. Laura acordou um pouco mais tensa do que da primeira vez, mais leve e um pouco confusa, mas feliz pela experiência.

— Então como está se sentindo?

— Confusa, e ainda meia tonta, mas feliz ao mesmo tempo. Eu quero continuar, doutor!

— Você tem certeza de que quer continuar?

— Tenho sim, preciso saber, só assim vou ter paz!

— Está bem, então vou contar de um a nove. — Usando o mesmo ritual até ela adormecer.

— Está bem, agora vamos voltar no ano de 1903!

— Sim doutor!

— Bom, agora relaxe e se concentre olhando nessa pedra de cristal, então vamos viajar ao ano de 1903. O que você está vendo?

— Eu estou presa em algum lugar, alguma coisa está me segurando, só não sei o que é, tudo está escuro, não vejo nada, parece que estou num lugar que balança muito sem saber o que é doutor, é estranho, estou prestes a sair desse lugar, é um lugar úmido, vejo gente falando, mas não consigo vê nada, estou cega só sinto apenas que estou em um lugar pequeno, e quente, andando dentro de alguma coisa e agora ouço alguém cantando ou falando parece um monte de gente, mas não vejo ninguém. Meus olhos fechados e não consigo abrir, estou sendo forçada a sair desse lugar. Alguém está me empurrando pra fora, é como se eu estivesse sendo expulsa, sinto medo, estou chorando muito. Espere aí! Eu vejo tudo brilhando como se fosse um túnel e uma luz branca, estou indo para algum lugar só não sei aonde, será que estou morrendo? Até que enfim eu saí desse lugar, me vejo nos braços de alguém, que está me balançando de um lado pro outro. Alguém cortou alguma coisa que estava ligada em mim, o que pode ser doutor, não consigo ver direito o que é. Estou com muito medo, estou chorando sem parar agora parei de chorar, estou dormindo, mas não vejo nada, estou cega, sinto as pessoas me tocando e falando, e eu não entendo nada do que elas estão falando. Que lugar pode ser esse doutor?

— Tenha calma, eu vou contar até nove. Um… Dois… Três... Quatro... Cinco...Seis... Sete... Oito... Nove. E agora pode acordar, eu vou te explicar o que aconteceu!

— Está bem doutor, me sinto cansada, mas eu quero continuar!

— Bom, à última regressão você voltou no momento em que você nasceu. Agora vamos avançar um pouco. Que lugar está quando teve seus primeiros anos e então eu vou contar um até nove. Lauro contou até Nove e voltou a prosseguir.

— E agora olhe para essa pedra e se concentre, e me diz que lugar você está? — Está bem, eu estou num lugar distante que não é aqui no Brasil, fica em algum lugar da Europa, eu acho que é Fiorentina Itália! Todos falam em italianos, tem um armazém, que meu pai trabalha com parreiral de uvas, eles estão pensando em vender tudo e vir para o Brasil, eu sou uma criança feliz brincando ainda com bonecas de pano feitas por um artesão. Também tenho um gato branco, ele está sempre perto de mim, tenho um irmão mais novo, e um mais velho, somos em três irmãos, eu sou há do meio, tenho cabelos loiro olhos azuis, meu pai é Italiano e minha mãe e de origem alemã, ela não fala italiano, e sim alemão, meu pai fala bem italiano, ele é alto cabelos pretos, bonito tem um sorriso alegre, ele toca uma gaita e canta, e gosta de beber vinho, vejo ele esmagando uvas para transformar em vinho, e disso que eles vivem, mas a crise está ruim na Itália. E por isso vão ter que vender tudo e vir para o Brasil. vendemos tudo gado as terras com os parreiral de uvas, depois de ter tudo vendido, estamos viajando de navio, muitos imigrantes de italianos estão vindo conosco, eu ainda sou uma criança com dez anos de idade, sou magrinha, e meus irmãos também são magrinhos, e tímidos, que nem falam, eu sou mais falastrona da família. Minha mãe sempre me chamou atenção para eu parar de falar e me comportar, meu gato veio comigo, não sei como deixaram embarcar gatos? A viagem é muito longa, mas eu estou feliz, tenho uma boneca de pano e eu não consigo largar dessa boneca, gosto dela. É minha companheira por aonde eu vou. Meu pai se chama Artur Bertolucci, e minha mãe se chama Bernadete, meu irmão mais velho se chama Francisco, e mais o novo Bernardo, e eu me chamo Franthiesca. Estamos chegando no Brasil, no porto de Santos, São Paulo. Depois vamos para o Rio Grande do Sul, é lá que começa a nossa nova vida. No começo tudo é difícil, somos estranhos, num País desconhecido, mas o lugar é lindo. Meu pai comprou terras com parreiral de uvas e as coisas estão se ajeitando, já somos donos de nossas terras. Meu pai além de plantar uvas, também cria vacas de leite e ovelhas. A minha mãe cuida de hortas e jardins, meus irmãos cuidam da criação de gado, eles estão sempre no campo, e meu pai continua sendo aquela pessoa maravilhosa preocupado com a família, e minha mãe dona de casa, e cozinha maravilhosamente bem, faz queijo do leite das vacas, e pão caseiro no forno feito de barro. A nossa família é muito unida, estamos sempre alegres e cantando aonde a gente vai

Agora vejo que estamos colhendo a safra da uva. E vendo a minha mãe tirando leite da vaca. Ela faz queijo manteiga nata e vende pra vizinhança, temos muitos amigos, trocamos gentileza com nossos vizinhos, matamos porco e damos um pedaço de carne para cada vizinho, e assim eles fazem também quando matam porco, a vida no campo é uma fartura.

— Está bem, agora eu vou contar de um até Nove e você pode voltar e descansar um pouco! — Lauro fez o ritual de sempre e Laura acordou cansada e emocionada pelas cenas que presenciara, estava com um sorriso no rosto e feliz como se estivesse acordada de um sonho maravilhoso

— Bom, por hoje é só outro dia, você pode voltar e aí podemos continuar o que acha?

— Sim doutor, combinado!

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