por Estela
_ Ei cara não desmaia por favor! Falo aflita com toda essa situação, o desconhecido é um homem alto e forte e mesmo que eu tentasse não conseguiria o arrastar por mais alguns metros a frente, eu não sou uma magrela fracote ,quer dizer magrela eu até sou ,porém fraca não,eu fui criada trabalhando duro e pelo fato de sempre ter sido eu e a tia Severina unidas contra um mundo feito por homens escrotos nós duas sempre fizemos o serviço pesado sem cara feia ,porém ele é enorme e eu sou bem pequena em relação a ele ,ainda mais na minha atual condição,se antes eu não conseguiria agora eu consigo muito menos então preciso que ele aguente chegar até o casabre que eu já vejo ao longe .
_ por favor fique acordado! Repito usando toda a minha gentileza enquanto o apoio nos meus ombros quase desfalecido.
_ eu... Eu estou tentando,mas não sei se ainda aguento por muito tempo Estela.
A sua voz está rouca e um pouco falhada ,ele perdeu muito sangue e o corte na sua cabeça parece ter sido profundo, eu nem sei porque estou tão preocupada afinal eu nem o conheço,porém eu acredito que sempre devemos ser generosos e apoiar os necessitados em suas necessidades, eu só estou viva graças a generosidade da dona Severina que apesar de não ser uma pessoa de boa condição ou de um temperamento fácil me acolheu,cuidou e protegeu até os dias de hoje e eu me péssima ,decepcionada comigo mesma por a desapontar.
Sinto o peso aumentar sobre o meu ombro e temo que o homem perca a consciência de vez.
_ conversa comigo,vai falando pra não perder a consciência, não consigo te carregar se você desmaiar.
_ ham ... ele aperta os olhos e balança a cabeça tentando se manter acordado.
_ e o que você quer saber? Pergunta já meio drogue.
_ pode começar falando o seu nome ? Eu não te conheço,nunca o vi antes nessas redondezas.
_ eu me chamo p.... Miguel, sou novo por aqui! Diz em um murmúrio .
_ Falta muito para chegarmos?
_ não,a cabana está logo ali a frente!
_ você tem as chaves ? Como vamos entrar?
_ não se preocupe com isso Miguel! Apenas aguente firme por mais alguns minutos.
Seguimos por mais alguns metros a frente cortando a escuridão da noite ,por sorte o meu chaveiro tem uma pequena lanterna pois a noite sem lua está escura feito um breu e nem mesmo as estrelas estão nos ajudando nessa jornada.
Caminhamos em marcha lenta quase nos arrastando com o Miguel variando entre sóbrio e delirante, ele diz coisas desconexas que não consigo entender,mas a minha mente também não está aqui , mesmo que a situação exija atenção,eu simplesmente não consigo fingir que não estou atolada em problemas até o último fio de cabelo da minha cabeça e assim que alcançamos a porta de entrada do pequeno casebre de madeira velha e desgastada ele se apoia numa das paredes tentando se manter de pé enquanto eu observo cada lugar a procuro da chave que deve estar por aqui em algum lugar,busco na minha mente onde ela possa estar ,eu já ouvi várias vezes alguns homens falando sobre esse local e como ele serve de abrigo quando algum deles precisa durante as suas caçadas , puxo pela memória e lembro de algo que pode me ajudar , pego um banco velho para me atrepar e quando finalmente encontro a chave pendurada num vão escondido do parapeito quase dou pulos de alegria.
Destravo a porta e giro a maçaneta e para a minha surpresa o interior da choupana é melhor do que aparenta lá fora ,tem um pequeno sofá que dá para ser usado como cama ,uma lareira e uma cozinha minúscula porém com fogão e frigobar , volto para fora e apoio o Miguel novamente , praticamente o carrego até que ele se deixe despencar no sofá já falando coisas desconexas que não consigo entender outra vez , ele está muito quente com o lugar as escuras não consigo avaliar o seu estado , certo que não sei nada de primeiros socorros mas posso tentar fazer alguma coisa se achar uma caixa de remédios e curativos , o deixo lá e já busco a caixa de luz para ligar a eletricidade do lugar.
Com as luzes acesas eu volto a sala e encaro o rosto bonito do homem que está de olhos fechados parecendo estar dormindo de maneira inquieta ,o seu rosto está sujo e manchado de sangue ,me aproximo novamente e toco a sua testa.
_ meu Deus,ele está queimando em febre, o que eu faço? o que eu faço? deixa eu pensar ,vamos Estela coloca essa cabeça oca para funcionar, o que a dona Severina faria se fosse você a acidentada? já sei.... Vamos lá garota , eu me lembro que quando eu tive peneumonia e ficava com febre a dona Severina me fazia compressas frias então aqui também deve resolver .
Vou até o frigobar e felizmente tem gelo em uma vasilha dessas de sorvete então eu o quebro com o auxílio de um cutelo que encontrei por aqui e coloco em uma bacia com água que encontrei em um garrafão ,as coisas por aqui são precárias porém são melhores do que imaginei , procuro um pano limpo e assim que encontro volto a sala e começo a o molhar ,expremer e colocar sobre a sua testa , faço isso repetidas vezes e o observo ficar mais calmo a medida que a sua temperatura diminui, aproveito e limpo o seu rosto ainda sujo pelo sangue seco.
As minhas mãos tremem e eu respiro fundo tentando me acalmar , termino o que estou fazendo e volto para a cozinha, preciso de algo para me alimentar e acredito que o Miguel também esteja faminto. , infelizmente só encontro alguns biscoitos velhos que já estou até moles pela umidade ,mastigo alguns já sentindo a anciã de vomito revirar o meu estômago e volto para o lado do meu paciente me sentando no chão com as costas apoiadas no sofá onde ele permanece imóvel.
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Atualizado até capítulo 76
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