Por Estela
Tudo o que eu preciso é ficar sozinha e pensar em uma solução para os meus problemas, olho para o horizonte sentada embaixo da árvore a beira do penhasco e a negritude e infinidade do chão ladeira abaixo até faz um eco retornar para o ambiente,esse é um dos meus lugares preferidos em Palmeiral e eu já vim aqui dezenas,centenas e talvez até milhares de vezes,porém confesso que nunca me senti tão tentada a me jogar como estou me sentindo agora, é como se o chão tivesse sido tirado de debaixo dos meus pés e eu estou perdida sem saber o que fazer.
Nunca na minha vida eu imaginei estar em uma situação tão vergonhosa e constrangedora como a quem estou vivendo ultimamente, eu sempre pensei que o amor fosse um sentimento lindo e cheio de alegria,mas estou sentindo na pele o quanto ele pode ser dolorido e cruel, porque as pessoas simplesmente brincam como as outras como se fossem peças de um tabuleiro de xadrez,sem vida e sem sentimentos? Eu gostaria muito de ter a resposta para pelo menos essa pergunta mas eu não a tenho,o que tem dentro de mim é uma profunda angústia e uma dor que eu nunca senti antes.
Já estou aqui sentada a beira do precipício a um bom tempo tentando criar coragem e tomar uma atitude,eu sei que Deus não irá me perdoar se eu fizer isso,mas eu não sou como a Heloísa,eu não tenho a força e a coragem de encarar os olhares tortos e o julgamento das pessoas, o que a dona Severina irá fazer comigo quando descobri tudo o que aconteceu me faz arrepiar até os cabelos da cabeça,eu sei que ela não me perdoara e eu vou sofrer muito mais com o seu desprezo, na verdade a dona Severina é como se fosse uma mãe pô ara mim,ela me acolheu quando eu não tinha ninguém e vivia largada na rua como se fosse lixo,cuidou de mim,me alimentou e me deu educação e não posso retribuir tudo o que fez por mim com tamanha decepção.
Me levanto da sombra da árvore torta como é conhecida por aqui ,limpo a poeira na traseira do meu vestido na altura dos joelhos e dou mais dois passos em direção a morte , hoje eu me vestir especialmente para ele ,tentei ficar o mais bonita possível pois julguei que seria um dia de imensa alegria, eu jurava em meus pensamentos que ele iria ficar feliz , que me giraria no ar e depois de um beijo apaixonado perderia a minha mão em casamento,puro engano o meu,ainda me pergunto como eu pude ser tão burra e me deixei enganar desse jeito.
Faço uma oração silenciosa e peço a Deus que me perdoe pelo sacrilégio que eu vou cometer ,ainda estou de olhos fechados buscando coragem para finalmente deixar o meu corpo despencar em direção ao fundo do desfiladeiro quando ouço o relinchar de um animal a poucos metros de distância de onde estou , o animal que aprece assustado e empina derrubando o cavaleiro que o monta .
Eu sei que estou sensível mas é uma cena aterrorizadora quando o homem bonito despenca do cavalo caindo de costas no chão com muita força, me esqueço dos meus terríveis planos e corro em sua direção enquanto o animal volta em disparada para o lugar de onde veio e por pura sorte não o arrasta em direção as pedras , se ele tivesse ficado preso ao equino o seu belo rosto estaria completamente desfigurado além de outros sinistros que poderiam lhe acontecer.
Vejo uma poça de sangue se formando no entorno da sua cabeça e já sinto o gelo se formando nas minhas pernas ,tenho a sensação que vou desmaiar a qualquer segundo,mas eu preciso ser forte e ajudar o moço a escapar,me abaixo e checo se ele está respirando cobrando até d z mentalmente e tentando não olhar para o sangue denso que escorre de sua cabeça molhando todo o seu pescoço.
Encosto o meu rosto mais próximo do seu e por sorte ele ainda respira , solto um suspiro de alívio e quando menos espero ele abre os olhos e fica me encarando enquanto eu mal consigo parar de olhar o tão bonito ele é.
Me perco na intensidade dos seus olhos castanhos escuro quase negros e sou retirada do meu transe quando um gemido de dor escapa dos seus lábios rosados e de aspecto macio.
_ vo... Você está bem? Não tente se levantar,a queda foi muito feia. Eu...eu preciso chamar ajuda. Digo nervosa e tímida e quando olho para as minhas mãos estão cheias de sangue do homem estirado no chão. Fico tão agitada que parece que vou desmaiar agora mesmo, eu tenho simplesmente pavor a sangue, é uma fobia que.e acompanha desde menina e até hoje eu não consegui superar.
_ você está machucada? Ele pergunta demonstrando ser um homem de educação.
_ eu não estou ferida, você está! Precisa de um médico,a ...a sua cabeça está sangrando,está perdendo muito sangue e eu não sei o que fazer. Desabafo logo tudo de uma vez e ele assume o controle da situação
_ calma mulher! Me ajude a me sentar.
_ não é melhor ficar aí deitado e sem se mexer? Pode ter quebrado algum osso e acabar ficando aleijado. Falo firme tentando manter a minha sanidade e usando de algum conhecimento que aprendi pelo jornal nacional.
_ eu consigo movimentar os meus braços e as pernas então provavelmente não tenho nenhum dano na coluna, apenas me ajude a me sentar e conter a hemorragia ok?
_ vó...você tem certeza? Eu não quero lhe prejudicar ainda mais, não acho seguro mecher com océ.
_ faça o que estou pedindo e não questione , eu sou médico e estou bem,você só precisa seguir as minhas orientações, eu estou bem na medida do possível,porém quem parece que vai desmaiar a qualquer momento é você. Você está bem?
_ eu não gosto de ver sangue,nem de bicho nem de gente ,tenho agonia desde pequenininha. desembucho de uma vez ,assim ele vai saber que não poderá contar comigo para salvar a sua vida.
_ tudo bem ,me ajude a retirar a minha camisa e vou estancar o sangue, como você se chama? Onde está o meu cavalo.
_ o meu nome é Estela e o seu cavalo foi embora assim que você caiu,por sorte os seus pés não ficaram presos ou ele teria te arrastado pelas pedras. Eu não quero nem pensar em tamanho desgraça seu moço, eu...eu vou abrir a sua camisa para retirar pra océ , tudo bem? desabafo a falar feito uma matraca e é óbvio que eu estou muito nervosa,tanto que até esqueci dos meus próprios problemas pessoais.
_ faça isso por gentileza! diz me encarando e tenho certeza que estou vermelha feito um pimentão agora.
Lhe estendendo a mão e depois de sentado no chão ele termina de retirar a camisa e mesmo inconsciente eu dou uma olhada na sua barriga de tanquinho e músculos malhados,o homem é um pão e isso eu não posso negar .
_ já está escurecendo! O que faz por aqui a essas horas Estela? Pergunta me dando um olhar quarenta e três.
_ eu precisava pensar . Falo desviando o olhar.
_ precisamos achar um jeito de sair daqui , daqui a pouco será noite e não podemos ficar ao relento ,esse lugar é distante e isolado,como você chegou até aqui garota? A beira de um penhasco é um lugar muito perigoso.
_ eu vim andando, precisava por a minha cabeça em ordem e caminhar sempre me ajudou.
_ você tem um celular que possa chamar alguém? Pergunto sentindo o pedaço de tecido ensopar enquanto faço pressão no corte na minha cabeça.
_ não! você não para de sangrar,o que vamos fazer?
_ eu preciso de algo limpo para fazer pressão na ferida ,me dê um pedaço do seu vestido.
rasgo uma parte da saia do meu vestido sem me preocupar com nada e lhe entrego na mão.
_ passe em volta da minha cabeça e amarre bem apertado, dê o seu melhor nó Estela,eu já estou ficando tonto e não sei se vou conseguir me manter acordado por muito tempo.
_ não apaga por favor! Eu não sei o que fazer, não posso te carregar ,você é muito pesado e estamos longe demais de qualquer coisa.
_ alguém já deve está a nossa procura, tem algum lugar por aqui onde possamos nos abrigar para esperar por ajuda?
penso um pouco forçando os neurônios a funcionar e logo me vem a mente a solução para os nossos problemas.
_ tem um lugar, não é longe daqui, uma cabana que os caçadores usam para pernoitar quando estão na floresta em busca de presas .
_ me ajude a levantar,precisamos chegar até lá agora mesmo, eu não me sinto bem Estela.
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Atualizado até capítulo 76
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