Por Pedro/ Miguel
Olho para a estrada,a mesma estrada que por diversas vezes testemunhou o meu romance com Isa quando nos encontravamos escondidos no calar da noite como um típico casal de adolescentes envoltos na magia do primeiro amor, até parece que voltei no tempo mergulhado numa lembrança doce do passado , a minha mente revive a cena e vejo o olhar de mel de Isa se iluminar ao reencontrar o meu, seus olhos parecem duas estrelas brilhando no céu e ela corre em minha direção deixando os cadernos que trás nas mãos caírem no chão encardido e empoeirado e se atira nos meus braços como se soubesse voar, eu seguro a sua cintura fina de menina moça e a aconchego no meu corpo a erguendo do chão,ela é tão pequena e leve que até parece um pássaro voando nos meus braços enquanto eu a rodopio num abraço cheio de saudades, eu a coloco no chão olhando nos seus olhos que brilham feito nebulosas encandescentes no céu escuro de uma noite sem lua e lentamente os nossos lábios se tocam com uma delicadeza infinita , a minha língua ávida de provar o seu mel pede passagem em sua boca e ela corresponde da mesma maneira , tudo em nós dois se encaixam tão perfeitamente que até parecemos duas partes de um mesmo ser ,os nossos dentes batem pela falta de experiência e sorrimos um do outro pela nossa inocência,mesmo tão longe eu me guardei para ela e sei que ela fez o mesmo para mim nos encaramos tímidos de nossas ações e eu toco o seu rosto memorizando cada detalhe da minha menina mulher,Isa não é mais uma garota desajeitada, ela está tão bonita que me perco no seu sorriso e nas curvas do seu corpo , quando eu sai daqui deixei para trás uma menina e agora no meu retorno eu encontrei uma mulher ,tudo aconteceu tão rápido e de maneira tão intensa que não demorou a Heloísa está carregando um fruto do nosso amor,quando ela me contou eu subi aos céus de tamanha alegria,mas infelizmente eu desci ao inferno com a mesma velocidade que a felicidade se instalou no meu peito.
Seco as minhas lágrimas com as costas da mão e tento me recompor ,já estou perto da entrada da fazenda ,mais dez minutos de estrada e já estarei adentrando o lugar do qual jamais deveria ter saído .
Inspiro e expiro o ar lentamente até sentir um peso ser aliviado do meu coração , agora que estou mais calmo consigo voltar a realidade e seguir em frente, tenho tantas pendências a resolver que nem sei de certo por onde começar, mas o meu objetivo principal é encontrar a minha mãe, as informações que recebi de Heloísa no passado me levaram até uma clínica onde a minha mãe esteve internada por uma longa data,porém alguém a retirou de lá e as indicações sumiram como fumaça ao vento, eu contratei um pessoal para fazer as buscas para mim,porém eles não são tão eficientes quanto a delegada e o seu detetive então tudo o que consegui até agora foi o que me levou ao paradeiro do meu pai e a descoberta dos seus planos macabros , com a morte dele eu errei a estaca zero,a minha mãe continua desaparecida e se for preciso eu engulo o meu orgulho e imploro para que o Ricardo coopere comigo,eu sei que o marido da minha amada é o melhor no que faz e ele me deve a sua vida afinal fui eu que o operei quando a sua vida estava por um fio, como homem eu não faria isso de livre e espontânea vontade,porém eu fiz um juramento de salvar vidas independente de quem seja e preciso honrar com a minha palavra. Tomara que no momento que for necessário o Ricardo não se esqueça dos favores que lhe fiz.
Chego a fazenda e já sou barrado no portão de entrada por um grupo de pelo menos quatro homens armados até os dentes , é assim que as coisas funcionavam por aqui no passado e pelo visto não mudou ,um deles se aproxima do meu carro e bate no vidro que está fechado.
Eu aperto no botão e a barreira desce lentamente enquanto o homem me encara com uma cara de poucos amigos,a essa altura já passa da meia noite e ele não parece nada satisfeito por ser acordado durante o seu descanso.
_ boa noite,eu me chamo Miguel Linhares, estou aqui para tratar de alguns assuntos com o senhor Vilela, administrador desta fazenda, eu deveria chegar só amanhã porém como podem ver eu me adiantei.
_ você tem algum documento de identidade que comprove quem realmente é? O homem pergunta sem tirar os olhos de mim
_ sim! Eu vou pegar ,digo pegando a carteira no bolso traseiro da minha calça jeans e mostrando a minha carteira de identidade.
_ você está armado ? Pergunta me devolvendo o meu documento.
_ não,eu não porto nenhuma arma,pelo contrário,eu odeio armas e o estrago que elas fazem na vida das pessoas.
_ saia do carro! Eu vou te revistar para ver se carrega alguma coisa ilícita.
Tenho certeza que se esse otario soubesse com quem está falando ele baixava o tom e enfiava o rabo entre as pernas bem rapidinho, porém eu quero saber com quem estou lidando e o melhor jeito é me fazer de humilde ,então eu saio lentamente de dentro do carro e abro bem as pernas em sinal de concordância em ser revistado, deixo que o outro paspalho parado ao lado do primeiro que me abordou procure alguma coisa indevida nas minhas roupas e depois de ser todo apalpado pelo sujeito e ele não encontrar absolutamente nada fora do normal sou liberado a seguir em frente , um outro homem sai da guarita e diz que o chefe deles autorizou a minha entrada então entro no veículo novamente e quando o portão se abre sigo em direção a casa grande, observo tudo por onde passo,apesar de ser noite o lugar está bem iluminado,algumas coisas mudaram por aqui ,mas nada tão significativo que me faça estranhar a fazenda onde eu cresci e vivi boa parte da minha breve vida.
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Atualizado até capítulo 76
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