Por Pedro/ Miguel
Quando paro o carro enfrente a porta de entrada da antiga casa de dois andares com um modelo antigo porém bem cuidado ,um misto de emoção e tristeza fazem os meus olhos encherem de lágrimas,porém eu não as deixo cair, não posso ser emocionado ao ponto de deixar os outros perceberem o quanto esse lugar mexe comigo ,me recomponho com um outro carro buzinando logo atrás de mim, um dos homens que estava antes na portaria desce do veículo e vem em minha direção,ele chama a minha atenção e indica o lugar onde devo estacionar e depois de parar o carro num local apropriado eu o sigo até a porta de entrada do casarão.
O homem toca a campainha e quando a porta se abre uma senhora que já deveria estar aposentada a muito tempo me encara de olhos arregalados.
_ Pé...Pedro! Ela gagueja colocando a mão no peito .Maria foi a minha babá desde que eu me entendo de gente,ela junto da megera dona Ilda praticamente me criou junto com a minha mãe e sinceramente eu não esperava a encontrar aqui, principalmente a essas horas da noite.
_ desculpe senhora,eu sou o Miguel Linhares! Prazer. Digo lhe estendendo a mão enquanto ela permanece de olhos arregalados me encarando.
_ mas como meu fio? Océ é igualzinho ao menino Pedro.
_ eu sou um parente distante minha senhora, não cheguei a conhecer o primo a fundo , só nos vimos pouquíssimas vezes quando crianças,porém sempre dizem que eu me pareço muito com o meu primo falecido.
_ entrem faz favor! aí fora já está frio congelando. Ela diz parecendo voltar ao seu senso normal e nos dando passagem para adentrar a casa.
_ obrigado! Digo caminhando em direção a antiga sala da família,aqui fora realmente está com uma temperatura baixa , dou uma olhada no ambiente que pelo visto foi redecorado quase que por completo e não tem a mesma essência de antigamente.
_ aceita um café seu moço? pergunta forçando um sorriso, eu a conheço muito bem para não perceber que ela ainda está impactada com a minha aparência
_ aceito sim minha senhora, eu estou muito cansado e preciso me manter de pé. Digo sendo realmente sincero
_se sente ali que daqui a pouco o Dr Vinícius vem lhe atender.
_ eu já estou aqui dona Maria. Um homem magro e alto de aproximadamente uns cinquenta anos desce pela escada vestido um robe sobre o pijama enquanto ajeita os seus bigodes tão cafonas e fora de moda quanto a sua aparência. Sdd da
_pode ir passar o café que eu faço sala para o nosso convidado. Diz assim que termina de por os pés no último degrau e caminha em minha direção.
_ eu só esperava por você amanhã Sr Linhares.
_ bom ,já passa da meia noite então eu estou dentro do prazo.digo dando uma olhada no relógio em meu pulso.
_ cheio de gracinhas doutor! Não acredito que queira tratar de negócios a uma da madrugada,eu já estava dormindo a tempos e só me levantei para não parecer indelicado.
_ eu também preciso descansar ,dirigi praticamente o dia inteiro e estou só o pó.
- licença! Trouxe um cafezinho fresco pra ocês.
_ vocês Maria! Por aqui nunca se perde esse hábito de se falar errado.
_ desculpe doutor! é a força do hábito.
_ não precisa se desculpar Maria! Fale da maneira que lhe convir. Digo tomando a frente do arrogante ,quem esse cara pensa que é para querer humilhar os outros? Maria é como uma mãe para mim e nunca que vou deixar que um engomadinho qualquer a destrate.
_ sirva o café e nos dê licença Maria! O outro fala baixando o seu tom e me encara com um olhar desgosto.
Assim que a empregada sai ele se volta para mim
_ eu não gosto de ser repreendido perante os meus funcionários Miguel.
_ seus funcionários Dr vilela? Pergunto meio irônico.
_ enquanto eu for o administrador daqui , são meus funcionários sim então por favor não se meta onde não deve.
_ tudo bem, mais tarde veremos o que o senador Guimarães determinou em seu testamento,mas já lhe adianto que não vou permitir que nenhum dos colaboradores desta casa ou desta fazenda sejam desmerecidos, não na minha frente e muito menos pelas minhas costas,sabe aquele ditado que diz respeito é bom e eu gosto? Ele combina muito comigo,a dona Maria já é uma senhora de idade e por certo já deveria não mais trabalhar a pelo menos uma década ou maís então a trate bem por gentileza.
_ ninguém está sendo mal tratado aqui doutor,acho que o senhor interpretou mal as coisas. Diz colocando a xícara intocada sobre a mesa de centro. Melhor encerar essa conversa por aqui, pedi que lhe preparassem o quarto de hóspedes,como você mesmo disse passou o dia na estrada então aconselho que descanse .
_ eu agradeço! Digo tentando manter a educação, não quero ter que subir o meu tom com esse engomadinho,porém se for necessário eu até grito.
_ me acompanhe,logo um funcionário trará a sua bagagem.
Eu o acompanho até o segundo andar,passo pelo quarto que foi meu e sinto um calafrio percorrer a minha pele ,mas disfarço e quando ele pergunta apenas digo ser o cansaço.
Alguns minutos depois eu já estou banhado e doido para descansar , termino de secar o meu cabelo com a toalha e quando já estou prestes a me deitar alguém bateu na porta
_ quem é? Pergunto já sonolento
_ te trouxe um copo de leite morno meu filho! Diz uma voz rouca e cansada.
Abro a porta e pego a bandeja das mãos da doce senhora.
_ descanse bem meu fio.
_obrigado! Digo fechando a porta e ouço os seus passos se arrastando pelo chão de madeira velha.
Quando eu era criança Maria sempre me trazia um copo de leite morno com canela antes de dormir,isso me ajudava a relaxar e dormir mais rapidamente, eu preciso tomar muito cuidado ou a minha velha baba irá descobrir o meu segredo, Maria me conhece melhor do que ninguém então preciso ficar com os dois olhos bem abertos para não ser apanhado no pulo. já senti que não posso confiar nesse tal Dr vilela, eu já não tinha confiança nele antes e agora que o conheci pessoalmente e vi a sua arrogância confio menos ainda ,porém eu não posso julgar um livro pela capa nem sair por aí fazendo acusações infundadas então preciso analizar muito bem cada passo a ser dado para tomar as melhores decisões.
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Atualizado até capítulo 76
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