Por Miguel/ Pedro
Sem ter muito o que fazer resolvo voltar para a fazenda e tentar ocupar a minha mente com algo produtivo,o caminho inteiro da volta eu penso em como toda essa situação me amargura e talvez seja melhor eu sair do país novamente quando tudo estiver resolvido,a minha vida nos estados unidos era tranquila e pacata e também tem os meus pais adotivos que permanecem lá , então talvez fosse melhor deixar o antigo Pedro morto e enterrado e dar vazão a minha nova vida como Miguel, após percorrer o caminho sem dar muita atenção a estrada eu adentro os portões da fazenda ainda me sentindo cabisbaixo,resolvo ir direto para o meu quarto e antes de subir as escadas pego uma garrafa de uma boa vodka no bar que era só meu pai , assim que tranco a porta me jogou na cama e fico encarando a garrafa ainda fechada nas minhas mãos, eu sei que beber até está completamente embriagado não vai aliviar a dor em meu coração porém eu necessito me anestesiar de alguma maneira,estou a beira de um surto psicótico e quanto mais eu penso na felicidade de Isa com aquele detetive arrogante mais eu me afundo em um poço sem fim de melancolia e amargura.
Abro a garrafa e tomo um gole generoso no gargalhou mesmo sentindo o álcool queimar ao passar pela garganta e rasgar o meu estômago, não é um bom exemplo para um médico como eu,mas é o que temos no momento e eu só quero dormir e me esquecer de tudo o que aflinje o meu coração e a minha alma,alguns podem chamar de despeito ou algo do tipo porém eu não estou suportando mais essa situação,tudo o que eu queria era a Isa nos meus braços, sentir o calor do seu corpo e a ver sorrir tão apaixonada fazendo as covinhas das suas bochechas ficarem rosadas,eu só queria que ela olhasse para mim como olha para ele, que tudo voltasse a ser como era no passado quando o seu rosto se iluminava apenas ao me ver .
Engulo mais uma dose e permito que o choro que venho tentando conter escorra pelos meus olhos molhando o meu rosto, eu pareço um menino chorão fazendo isso, eu me lembro de quando era uma criança e me machucava ,o meu pai sempre dizia para engolir o choro pois não era uma criança chorona e sim um Guimarães como ele.
_ homens não choram Pedro! Ele dizia com o seu tom autoritário, engole o choro e volta lá,dessa vez faz direito, você é Pedro Guimarães e ninguém vai ousar dizer que o meu filho é um derrotado.
A sua voz até parece soar na minha cabeça tão nítida como se ele realmente estivesse aqui parado na minha frente, quem diria que quem me daria me sentir um derrotado seria ele mesmo,acho que o meu pai nunca teve noção do real mal que causou nas nossas vidas , por causa da sua postura de coronel temido e respeitado ,da sua posição na sociedade e do seu preconceito ele acabou com qualquer chance de felicidade na minha vida ,no fim das contas todo mundo sofreu inclusive o próprio coronel, acredito que também não tenha sido fácil lidar com a minha suposta morte, saber que mesmo que eu ainda estivesse respirando eu não era mais o seu filhinho querido e aos poucos ver a minha mãe definhar sem poder lhe contar a verdade e aliviar o seu sofrimento, o Guimarães sempre foi completamente louco pelo minha mãe,eu diria até que era obcecado por ela então não posso deixar de pensar o quanto sofreu quando a viu ruir,desmoronar e perder a sanidade devido as suas próprias ações, eu sempre vi o meu pai como um homem duro , calculista e frio,mas se tratando da dona Marta ele era um cordeirinho deitado aos seus pés,no fim era sempre as vontades dela que prevaleciam e eu admirava muito o controle que ela exercia sobre ele, apesar de ser visível que a mamãe não o amava , mesmo sendo seu filho eu nunca vi amor nos seus olhos, não em relação ao meu pai ,apesar de ser ainda muito imaturo eu entendia que era mais como um jogo ,uma relação de amor e ódio do que o companheirismo de um casamento, eu sei que tem uma história muito cabeluda por trás da frieza dela ,porém a dona Marta sempre se fechou no seu próprio mundo e eu não tive a oportunidade de saber a sua real história.
_ eu sinto tanto a sua falta mamãe! Digo ao ingerir mais um longo gole então me aconchego na cama e permito que todo o peso que percorre o meu corpo relaxe e acabo adormecendo entorpecido pelo álcool.
Quando abro os meus olhos já passou e muito do horário do almoço, me levanto incomodado pela claridade que entra pela janela ,já quase fim de tarde mas o sol ainda brilha forte lá fora , cambaleia para o banheiro e tomo um banho frio para espantar a ressaca da bebedeira e desço para comer alguma coisa,o meu estômago está dolorido e tem um gosto azedo de bebida na minha boca ao qual não estou acostumado.
Faço um lanche na cozinha mesmo sob o olhar atento de Maria e resolvo ir até o estábulo antes que ela resolva se intrometer na minha vida , eu conheço bem essa velha então não posso lhe dar a oportunidade de cascaviar todo o meu passado e futuro, o sol ainda está claro então talvez seja bom pra mim dar uma volta a cavalo , a equitação sempre foi uma das minhas paixões e é mais um elo que liga o meu passado ao presente,eu já estive no estábulo outras vezes desde que cheguei,porém ainda não havia me sentido a vontade para montar, escolho um carvalho caramelo puro sangue com porte de garanhão, eu já estou de olho nele desde a primeira vez que o vi,porém o animal é arisco e precisei conquistar a sua confiança antes de montar ,soube pelo tratador que esse animal e descendente de uma égua muito especial aqui na fazenda,a nevasca era o meu cavalo desde que me entendia de gente e infelizmente acabou morrendo a um tempo atrás , também já era uma idosa então não tenho porque ficar triste por ela.
_ preparem o ventania por favor! Digo alisando o pelo macio do cavalo.
_ o Sr tem certeza que quer sair com ele Dr? Esse cavalo é brabo e nem todo mundo consegue o controlar.
_ não se preocupe João,eu tenho experiência com cavalos,ele não vai me derrubar.
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Atualizado até capítulo 76
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