— Enrico, me espera!! Você não vai me deixar ficar falando sozinha igual uma doida.
— Doida você já é!
Ele para e me olha e vejo ele soltar um gemido de dor e eu corro até ele, preocupada.
— Enrico, aconteceu alguma coisa? Você parece mal..
— Eu acho que eu preciso tirar isso..
E ele tira uma espécie de colete e quando vejo sua camisa branca com sangue, eu iria gritar, se ele não tampasse a minha boca.
— Não grita! Eu estou bem..
Ele fala cansado.
— Você está tudo.. menos bem!! Você precisa de um médico urgente Enrico.
— Não! Foi apenas um tiro de raspão, que não é a primeira e nem a última que eu levo. Eu só preciso chegar em casa e tomar um banho.. entra logo no carro!
Sua voz fica soa ainda mais fraca..
— Não Enrico.. eu não vou deixar você dirigir nessa situação! Se você não quer ir ao médico, deixa que pelo menos eu dirija.
E ele solta uma risada, mesmo com dor.
— Você acha mesmo que eu te colocaria para dirigir o meu carro?
— Eu sou habilitada Enrico.. E é mais fácil nos dois sofremos um acidente com você dirigindo nessa situação, do que eu dirigindo.
E ele solta um suspiro fundo.
— Se você quebrar o meu carro, fique sabendo que é uma mulher presa!
Ele fala me entregando as chaves e eu sorrio vitoriosa e até estranhando por ele ter cedido tão rápido.
E eu entro no seu carro, me achando.
— Fica tranquilo querido Chefinho, e pense no lado positivo.. não vai ter nenhuma blitz para me parar, afinal o delegado que comanda eles está bem aqui do meu lado.
E eu sei que ele quer rir.. mais ele vira o rosto, disfarçando.
— Se você ultrapassar qualquer lei de trânsito, vou fazer questão de assinar uma multa bem alta para você pagar.
E eu reviro os meus olhos
— Eu estou pobre, e agora vivo de caridade.. especialmente do meu Chefinho.
E eu ligo o motor e simplesmente me assusto com a alta velocidade do carro.
— Eu acho que é você que vai matar nós dois garota!!
— É que.. esse carro é muito rápido.. e eu..
E eu não vejo o quebra mola, e o carro quase voa até o céu.. e o Enrico fica ainda mais furioso e irritado comigo.
— Para o carro agora!! Eu sabia que você não sabia dirigir coisa nenhuma!!
— Não Enrinco.. eu prometo que vou dirigir agora mais cuidadosa.. eu não vi mesmo o quebra mola. E você não está com condições de dirigir..
Falo um pouco nervosa e tento dirigir com cautela.
— Estou com muito mais condições que você.
— Não, você não está Enrinco.. olha para você, está muito machucado.
— Quanto mais machucado estou, mais sinal que estou fazendo jus da minha profissão. Enquanto alguns gostam de ficar na farra, eu preciso trabalhar para tornar esse mundo pelo menos um pouco melhor e menos violência.
— Sei que você sempre tera a pior imagem de mim Enrinco! E embora você estava trabalhando, eu também. Fiquei o dia todo praticamente te esperando aqui, porque simplesmente parece que sou menor de idade, e só posso ir embora acompanhada de pessoas maduras e mais velhas.
Falo irônicamente e ele rir com cinismo para mim.
— Realmente! Você está me dando muito mais trabalho do que uma criança pequena. E oh, a aborrecente está irritada porque pela primeira vez passou o dia todo fazendo algo útil? Sendo caridosa uma vez na vida sem receber nada em troca? E eu espero que você não tenha aprontado nada! Só não falei com a madre, porque não estava em uma situação boa. Mais amanhã ligarei para ela.
E eu me controlo.. me controlo firme, pois não quero cair nas provocações dele.. porém, um medo sobe em mim.. se a madre falar que aconteceu um acidente com a irmã Glória.. sei que o Enrinco vai pegar a minha cabeça e fazer dela em picadinhos. Sim, ele cruel.
— Mais não aconteceu nada Enrinco! Eu fui uma menina bem obediente. E olha para mim? Estou toda suja, isso é sinal que eu trabalhei também né? E não vejo a hora de poder tomar um banho, e apagar na cama..
Falo cansada e eu sinto seu olhar intenso em mim.. e claro, fico sem jeito, mais ah.. deve ser impressão minha. O olhar dele para mim é só carregado de desprezo.
E seu celular toca e ele atende, e eu presto atenção na estrada.
(...)
Assim que eu chegamos, eu desligo o carro, porém a vossa excelência sai sem ao menos me agradecer e deixa ainda por cima as chaves do carro dele comigo. E se eu fosse agora para a minha casa com o seu lindo e elegante carro? O que ele diria? Não seria uma má ideia.
E eu chego na mansão e a Samanta vem até a mim.
— Samanta, você viu o Enrinco? Olha só o que ele deixou comigo? As chaves dele. E do jeito que ele é, pode pensar que eu roubei e assim me prender.
— Oh minha filha, ela acabou de subir, deve foi para o seu quarto.. e ele estava com a aparência cansada e abatido.. deve trabalhou muito. Ele nem me respondeu se iria querer jantar! E ele geralmente chega faminto do trabalho.
— Ah Samanta, mais se ele não te respondeu, eu respondo por ele. Que vou querer jantar sim, porque além de eu está toda suja, capenga e xoxa, eu estou morta de fome. Acho que comeria qualquer coisa que visse pela frente! E eu nem sei quando foi que eu virei essa Keith Selvagem e esfomeada. Só foi eu me mudar para essa casa e enfrentar também o lobo mal que é o meu Chefinho.
E ela simplesmente começa a rir.
— Ain menina, dá onde você tira tanta imaginação hein? Aposto que no orfanato se divertiu muito e eu senti saudades dessa sua língua afiada e engraçada.
— Eu poderia ter chegado mais cedo né Samanta? E assim não sofreria tanto.. mais você não quis que o seu filho, que é o motorista dessa casa me pegasse lá.
— Eu só estou cumprido ordens minha filha.. eu não fiz por mal.
— Mais desligar o telefone na minha cara, foi o clássico.
Falo rindo e ela rir, pedindo desculpas por isso.
— Bom minha filha, agora vai tomar o seu banho e não se preocupe, que você pode jantar lá em casa. Eu só até o senhor Enrinco, perguntar se ele vai querer que eu ponho a mesa para ele jantar.
E meu estômago sorri na hora, eu gostei muito da comida da Samanta e de ter jantado com ela ontem, é claro que.. tirando a parte do seu filho que não parava de me provocar, mais ali eu sabia que estava sendo tentada pelo inimigo, mais sorrio vitoriosa ao ver que não cai.
— Tabom Samanta! Então vou tomar um banho e tirar essa roupa suja.
Falo dando um beijo na sua bochecha e ela rir mais.
E eu subo as escadas, querendo logo chegar no meu quarto.
E como eu gostaria de tomar meu banho Premium, ainda mais depois de um dia todo fora e cansativo. Porém, a minha fome não deixa e também não tenho a minha banheira com sais minerais aqui. Sim, dias de luta sempre.
Por está tarde, não lavo meu cabelo.. pois vai demorar para secar e infelizmente esqueci o bendito do meu secador no meu apê. E nem sei quando vou voltar lá.. falando nisso, está aí! Sei que terei que trabalhar para a vossa excelência igual uma escrava, mais eu tenho que pelo menos ter uma folga durante a semana para resolver também a minha vida.
Saio do meu banho rápido, e literalmente não tenho nada para vestir.. na verdade a maioria das minhas roupas são um pouco indecentes.. não tenho uma que combine com essa Keith agora. Só me resta usar esse vestido que não é muito grande, mais vai até a metade dos joelhos e ele não é tão colado assim. Esse vestido é a cara da Júlia.. taí, acho que será para ela que vou pedir algumas doações de roupas para mim. As delas são mais comportadas que a minha. E esqueci que agora o jogo virou. Ela é a irmã rica e eu a pobre.
Mais se bem que ela tem mais corpo que eu e é até mais alta. Eu, além de ser magra, sou uma anã.
Tento fazer um coque todo maluco nesse cabelo, e dá certo. Mais ele está mais parecendo é um ninho de passarinho, misericórdia.
Passo meu creme importado que pelo milagre eu ainda tenho... porque podem falar tudo, menos que eu não sou cheirosa.
E eu saio do quarto, mais já ia esquecendo as chaves! Meu Deus.. eu esqueci de entregar as chaves do carro do Enrico!! Também, eu não me atrevo a ir no quarto da vossa alteza outra vez, para ser tratada igual um lixo? E pisada? Não, não mereço isso e nem quero passar por isso outra vez. Me lembro bem das sua palavras que me machucaram. O Enrinco é esse tipo de homem, que julga as pessoas sem conhecer direito. Mais não vou me abalar por aquele coração de pedra dele.
Pego as chaves novamente no quarto e desço. Melhor eu deixar elas lá embaixo mesmo na sala. Pois tudo que eu menos quero agora, é mais uma briga e confusão. Nossa, soa até estranho. A Keith do passado adorava um BO. Mais hoje não.. hoje estou muito cansada. Trabalhei muito naquele orfanato, correndo atrás daquelas crianças bagunceiras, e ainda tive que limpar toda hora a frauda da florzinha. Que claro, estou com uma vontade enorme de saber se ela está bem.. se terá alguém cuidando dela. Pois me deu uma pena e uma profunda agonia em ver a freira falando que falta muitas coisas para ela.. principalmente profissionais para ajudar ela a se desenvolver melhor, porém o orfanato não tem esse tipo de verba e nem recursos.. eu fiquei com dó, e com uma enorme vontade de ajudar ela e eu sofri, sofri quando veio um leque de pensamentos que como eu poderia ter sido útil há anos atrás da minha vida, ajudando tantas pessoas que precisam. Ao invés de eu gastar quase todo o meu dinheiro em farras e bebidas, ele poderia ser gasto de forma melhor. É claro que não adianta mais eu chorar ou ficar me lamentando pelo o meu passado, mais não vou dizer que isso não me causa uma frustração. Pois é como se eu tivesse perdido meu tempo atoa.. mais agora eu quero recomeçar, e a cada dia estou passando por uma provação, mais creio que isso é para me deixar mais fortes. Aliás, é nos momentos mais difíceis, que descobrimos a força que nem achávamos que tínhamos. E eu sou a prova viva disso..
(...)
— Samanta, eu já estou aqui!!
Falo chegando na sala e ela toma um susto e depois rir.
E eu aproveito e coloco as chaves do Enrinco no móvel perto do sofá.
— Até que fim menina!! Eu pensei que você não iria mais jantar lá em casa.
— Atá parece! Estou azul de fome e se fui convidada para jantar na sua casa, é claro que eu aceito de bom grado. Meu estômago agradece muito.
— Samanta, pode ir! A senhoria Sullivan irá jantar aqui hoje. Afinal, ela trabalhar aqui, não na sua casa.
E quando ouço essa voz grossa do Enrinco, meu corpo parece imóvel como sempre.
— Como quiser senhor Enrinco.. eu pensei que o senhor não iria se importar, tanto que eu coloquei um prato na sua mesa.
A Samanta fala com cheia de medo dele e eu fico é irritada.. ele pensa que manda em mim!! Mais não manda mesmo. E quando eu me viro para começar a gritar com ele, confesso que fico sem palavras.. droga, porque ele tem que ser tão bonito e charmoso assim. Ele está com roupas casuais, e seu rosto sério e fechado, parece que o deixa ainda mais irresistível e enigmático.
— Pois, pode colocar o prato da senhorita Sullivan na mesa, junto ao meu também Samanta e assim que terminar, você pode ir para a sua casa.
E confesso que eu fico tensa.. está sozinha aqui com ele, e ainda mais com ele me olhando desse jeito como se quisesse caçar a minha cova e eu está sobre esse seu olhar de predador.. me faz querer correr e me esconder dele.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Ninha Arguello
Eita fogo no parquinho
2024-10-21
1
Creusa Alves Ferreira
que delegato Jesus!
2024-09-04
0
Benedita Barboza
Ele é muito lindo. Delegato
2024-07-27
0