02

Três dias após ter assumido um caso, me encontrei escondido em cima de um telhado em um subúrbio, esperando meu alvo para conseguir mais provas fotográficas. Após horas de espera, finalmente, o carro do alvo estacionou. Com minha câmera, consegui o que faltava para fechar o trabalho.

“Finalmente acabou!”, pensei aliviado. Mas ao revisar a foto que acabara de tirar, notei algo estranho. Um pouco mais longe na foto, havia uma ação policial ocorrendo sob uma árvore. Com a câmera, consegui ver o que estavam fazendo: quatro policiais estavam recebendo dinheiro de cerca de seis pessoas, que eu presumi serem traficantes. Em troca, os policiais entregavam três presos, que pareciam ser rivais dos que estavam pagando. Enquanto observava, fotografei tudo.

Duas horas depois, cheguei em casa e fui direto para o banho. Pronto para deitar na cama com minha esposa Ana, que já dormia há horas, perguntei a ela que horas eram.

“Já são duas horas, meu anjo”, ela respondeu. Mal consegui dormir pensando no que tinha visto. Ao amanhecer, Ana acordou e me encontrou sentado na beira da cama.

“Amor, está tudo bem?”, ela perguntou.

“Um pouco, meu anjo”, respondi.

“O que houve? Tem algo a ver com o trabalho?”, ela perguntou.

“Não tem nada a ver com o caso que peguei, mas sim com o que vi nele”, respondi.

Ana então começou a falar sobre como ela não gostava quando eu pegava casos de traição e mencionou uma vez em que tive que entrar em uma boate. Eu a tranquilizei, dizendo que não tinha nada a ver com o que ela estava pensando.

“Então, o que é, docinho?”, ela perguntou. Eu dei um leve sorriso e olhei para Ana.

“Ontem vi policiais sendo subornados. Eles pegavam dinheiro em troca de presos rivais dos que estavam pagando. Com certeza, esses presos estão em apuros agora. Fotografei tudo, o número da viatura, os rostos dos policiais. Dá para ver nitidamente os nomes nas fardas”, disse enquanto acariciava o rosto de Ana, que ainda estava deitada.

Ana parecia preocupada. “Esqueça isso, você não tem um bom histórico em relação a tentar fazer essas coisas”, disse ela, tentando me acalmar.

“Vou levá-los para a corregedoria! Lá eles farão o certo”, respondi.

“Só não quero te ver em mais problemas do que seus serviços já trazem”, disse Ana com um tom triste.

Mas, mudando de assunto, tentei animar a conversa. “Tenho uma ótima notícia para você e para os meninos. Que tal umas férias na próxima semana?”, perguntei.

“Sério? Eu ia adorar”, Ana respondeu, animada.

“E para melhorar, será na Disneylândia”, acrescentei.

“Onde arrumou tanto dinheiro? Que eu me lembre, nossa conta não está tão alta!”, disse Ana, espantada.

“Meu irmão vai pagar tudo. Ganhei dele após aceitar a oferta de emprego que ele vinha fazendo há meses. Decidi deixar de pensar em mim mesmo e me sacrificar para garantir um futuro melhor para você e nossos filhos”, expliquei.

“Até que enfim resolveu deixar seu orgulho de lado e aceitar a ajuda de seu irmão”, retrucou Ana.

“Não é tão emocionante quanto o meu trabalho, mas me acostumo com o padrão do dia a dia. Pelo menos, vou ganhar cinco vezes o que ganho arriscando a vida”, respondi.

“Bom, papai, você vai ganhar um presentinho mais tarde pelo seu esforço!”, disse Ana, fazendo um gesto carinhoso.

“Então, por que fazer mais tarde se podemos fazer agora?”, perguntei com um leve sorriso, olhando nos olhos de Ana. Ela segurou minha camisa e, indo ao meu ouvido esquerdo, sussurrou:

“Porque as crianças já devem estar acordadas e não queremos assustá-las, certo?” Sorri e disse: “Estarei esperando então.”

Ao sair do quarto, fui em direção ao quarto de nossos filhos. Ao abrir a porta, os vi brincando no chão com carrinhos.

“Bom dia!”, disse. Maurício e Guilherme olharam para mim e disseram: “Bom dia, papai! Dormimos bem. Só que o Guilherme não quis escovar os dentes”, respondeu Maurício.

“Então, trate de escovar os dentes e se arrumem direito para tomar o café da manhã”, disse, e logo em seguida encostei a porta do quarto, saindo em direção à cozinha. Enquanto saía, o irmão mais velho, Maurício, advertiu Guilherme, dizendo: “Tá vendo, eu te avisei!”

No café da manhã, com todos sentados à mesa, contei aos meus filhos sobre as férias em Orlando na Disneylândia e que passaria mais tempo com eles, pois estava mudando de emprego para um melhor, com o irmão deles. Maurício e Guilherme ficaram cheios de alegria e pularam para abraçar-me. Fiquei feliz em ver a emoção de meus filhos. Após esse momento, saí para a casa de meu irmão e, logo após isso, ainda estava decidido a passar na corregedoria para entregar aqueles policiais. Meu irmão é um homem bilionário chamado Paulo.

“Eu não acredito! Com tanto dinheiro, é uma mansão como esta, e você não é casado!”, disse a Paulo.

“Quando você tem tanto dinheiro, você não tem certeza se a mulher que deita ao seu lado é devido ao seu dinheiro ou pelo que você é!”, argumentou Paulo.

“Se eu fosse solteiro, trocaria de lugar contigo por uns meses para saber como é!”, brincamos.

“Vai por mim, depois se torna enjoativo e sem graça!”, respondeu Paulo.

“Disso eu não sei, mas ainda sinto inveja que meu irmão mais novo de 10 minutos tem 300 vezes mais dinheiro que eu!”, disse com um sorriso no rosto.

“Sou mais novo que você apenas com diferença de oito minutos!”, retrucou Paulo.

“Oito minutos que fizeram muita diferença na vida. Engraçado, sempre fomos iguais e, após 20 anos após te encontrar, você ainda imita minha aparência!”, disse em meio a risos.

“Culpa do destino ser seu irmão gêmeo, tenho que me conformar que sou feio igual a você!”, rimos.

“Lembro que sempre me metia em confusões e você vinha me defender. Você sempre foi o cara durão, o garoto das brigas! Sempre me defendia e gostava das coisas erradas!”, disse Paulo.

“E aquela vez em que fugi do orfanato e você levou a culpa por minha causa, pensaram que foi você. Nunca me esqueci da surra que você levou e ainda por cima de tudo assumiu a culpa por mim”, disse enquanto olhava para o jardim da casa de seu irmão.

“Eu sempre fui o medroso, que tinha medo de tudo e fugia das consequências. Mas a pior lembrança foi do dia que você foi levado para o conselho tutelar e nesse período fui adotado. Nunca mais te vi!”, disse Paulo, meio entristecido.

“Está tudo bem, agora estou aqui para te defender de novo!”, disse ao meu irmão enquanto segurava o seu ombro direito.

“Nada disso, agora é minha vez. Depois que fiz boxe, sei brigar melhor que antes. Mas agora só quero ajudar você a sair dessa miséria financeira!”, disse Paulo.

“Quero ir amanhã fazer uma visita a vocês antes de irem viajar”, disse.

“Minha casa não é a sua mansão, mas pode ir quando quiser”, respondi.

"Não me importo com isso, só julgo que morar numa fazenda no meio do nada a distância de uma sociedade me dá medo, acho meio inseguro e sem acesso". Disse Paulo:

— Foi por isso que mudei para lá, meu trabalho deve manter certo tipo de cuidado e não vejo um lugar seguro e melhor, aliás, me traz paz a mim e a minha família. Argumentou Marcos que continuou dizendo:

— Agora, se você tem medo de cavalo, sendo a única coisa que lá tem, penso que você não seja meu irmão de verdade (risos). Marcos e Paulo ficaram ali conversando por cerca de uma hora te que Marcos saiu para resolver o que ele queria.

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!