Passei os últimos oito anos pensando nela e fiz promessas pra mim mesmo que cumpro até hoje. Tá, sou traficante, tecnicamente não faço coisas boas, mas não sou ruim. E ela oito anos depois ainda sabe disso.
A Luna não quis se envolver nos meus assuntos, não tenho vergonha do que eu faço, mostraria a ela, mas ela não quis. Até achei bom, por que ela é muito linda e chama muito a atenção, mesmo que não queira.
Quando ela chegou no baile de mãos com o Lucas eu poderia ter arrancado a cabeça dele na hora. Acabei sendo grosso com ela, maldita ideia, se as pessoas me acham bravo, agora conheceram essa mulher. Ela arrebentou a mão da Vanessa sem esforço nenhum, sim, aprendeu isso comigo, existe um jeito mesmo que você não tenha muita força, de apertar a mão de uma pessoa e fazer ter tanta dor que chega a ajoelhar. A bela, é fera.
Mas a Luna lida com a vida de outro jeito, logo ela ficou de bem comigo de novo. Meu plano era não tirar mais os olhos dela, foda-se o que eu tinha que fazer ali hoje.
Até que ela me deixou fazer o que eu queria há muito tempo. Tive ela nos meus braços, beijei ela, eu consegui fazer isso. O menino dentro de mim tava gritando, o homem se segurando.
E como sempre, ela tinha razão, eu tinha coisas importantes pra fazer, negócios. Agora que fiquei com ela, ela ficaria segura desde que tivesse no mesmo ambiente que eu.
Óbvio que eu mandei as outras vazarem dali, só ficaram as que estavam com os outros caras. O Lucas eu não sei se eu mato ou se eu dou um presente, descido depois.
Fiquei mais tranquilo quando a Ágata foi falar com ela, as duas sempre se deram bem. Negócios intermináveis depois, sai com ela de lá e fui pra minha casa com ela. Ela sorriu quando chegamos.
Rael: por que tá sorrindo? - ela me olha e ri
Luna: você é o mesmo, não adianta - ela da de ombros
Entramos em casa, ela tira os sapatos na porta e senta no sofá.
Rael: você sabe que agora vai ser mais difícil de se livrar de mim não sabe? - sento do lado dela e ela ri
Luna: por que eu iria querer me livrar de você? - ela suspira - se eu quisesse isso ia chamar você de maluco quando me deu aquele chocolate - eu rio
Rael: não maltrata meu coração Luna - coloco as mãos no coração, fazendo drama e ela sorri
Luna: sabe o que me contaram - ela chega mais perto de mim e olha nos meus olhos - você não deixa ninguém chegar perto do seu coração Rael - ela sorri - ele tá seguro então
Rael: esse morro tá muito fofoqueiro - ela ri - mas ninguém conhece a história toda
Luna: conta, conta, conta - ela se ajeita no sofá, fica sentada em cima das pernas, fazendo beicinho igual quando era criança
Rael: é isso aí - aponto pra ela - sabe aquele quebra cabeças favorito que toda criança tem? Monta e desmonta até perder aquela última peça e ficar só com a vontade de ver ele completo de novo? - acaricio a bochecha dela com a ponta dos meus dedos e ela fica quietinha me olhando - eu sou o quebra cabeças Luna, você é a peça
Luna: se você sempre se sentiu assim, por que nunca me procurou? Olha todos os meios que você tem? Eu já falei que não procurei você porque aceitei tudo fácil demais, mas e você Rael? Por que? - ela me encara seria
Rael: eu não queria colocar você em perigo - ela ri - talvez você gostasse da vida que tava levando, eu já era acostumado com a minha, pra que trazer você de volta?
Ela se levanta e arruma o cabelo em um coque, estala o pescoço e me olha séria.
Luna: Rael, eu cresci aqui, eu gostava daqui, eu amava a vida que eu vivia aqui, amava viver com você - ela suspira e me olha nos olhos - você achou o que? Minha mãe tem dinheiro, casou com um governador e levou a menina do morro pra viver na casa da Barbie, como você disse eu sou a peça, o que se faz com uma peça sem sentido? Geralmente se joga fora, mas, a minha mãe não, a minha mãe moldou, mexeu e restaurou pra um novo quebra cabeças - ela aponta pra ela - a patricinha perfeita, enquanto você que tinha tudo pra me salvar daquilo, seu pai o todo poderoso, que sabiam que meu pai tava vivo, me deixaram lá, feliz? - levanto e abraço ela
Rael: desculpa tá? Eu sou paranóico eu acho - ela me olha e sorri
Luna: tem tanta m3rda que você não sabe Rael - ela parece pensativa - eu tenho tanta coisa pra resolver
Rael: tipo? - ela da uma risada sem graça
Luna: um noivado com o Senador por exemplo? - seguro o queixo dela com delicadeza e a faço olhar pra mim
Rael: você vai casar? - dói até falar isso
Luna: não se eu puder impedir - ela sorri e suspira - eu tenho que ir pra casa do meu pai Rael
Rael: vou com você então - ela concorda e fica me esperando na sala, vou pro meu quarto, tomo um banho rápido e visto uma bermuda, coloco um chinelo e desço.
Ela tá sentada mexendo no celular, apesar de parecer tão forte, tô começando a achar que ela não é tão dona dela mesma. Mas se a mãe dela acha que vai poder tirar ela de mim de novo, não vai mesmo.
Eu mudo de vida, faço o que for por ela, mas não deixo ela casar forçada com esse engravatado.
Rael: hoje vai ser diferente, vou dormir na sua cama, tá podendo não tá? - apareço atrás dela e ela ri
Luna: tô nada, virgem só na testa, porque aí embaixo já teve festa - ponho a mão no coração e finjo dor
Rael: não crava a faca assim não Luna - ela ri, levanta e vem até mim, me dando um selinho
Luna: pelo que eu lembro seu primeiro beijo foi comigo também - fico de boca aberta
Rael: você me agarrou quando você tinha três anos - ela sorri
Luna: devo ser meio tarada - começo a rir e ela me dá um empurrãozinho no ombro - vamos pra casa Rael
Essa mulher tem o dom, é a única que consegue mexer comigo, ela tá certa, foi um selinho de criança, mas ela tá certa. Ela finge não lembrar das coisas, mas ela lembra de tudo que tem a ver com a gente.
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Atualizado até capítulo 32
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Rena
A mãe dela vai fazer um inferno
2024-04-04
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