Depois da Vida

Cercado por um passado tumultuado, podemos vislumbrar a origem de sua maneira tensa de lidar com suas emoções. Enquanto as minhocas percorriam a terra que agora abrigava suas cinzas, ele se permitiu mergulhar em uma realidade onde tudo era possível.

Refletindo sobre seus próprios fracassos, ele revivia os momentos mais infelizes de sua vida de forma intensa. A imagem dela em seus braços, sem vida, era a manifestação de sua maldição.

Ele olhou ao redor, tentando compreender o lugar estranho em que se encontrava. Não havia céu nem inferno, apenas um vazio atemporal. As imagens de seu passado continuavam a assombrá-lo, cada lembrança mais nítida e dolorosa do que a anterior.

Ele se viu diante de momentos de sua vida que preferia esquecer, momentos em que escolheu o caminho errado, magoou pessoas queridas e traiu a si mesmo. A sensação de arrependimento o consumia, como se as próprias memórias estivessem o julgando por seus atos.

Com um suspiro resignado, ele se ajoelhou, sentindo o peso de sua existência sobre seus ombros. Será que havia alguma forma de redenção para alguém como ele? Será que suas ações tinham condenado sua alma para sempre?

Ele sentiu um arrepio percorrer sua espinha enquanto observava atentamente a paisagem ao seu redor. A névoa densa dificultava a visão, mas ele podia distinguir silhuetas indistintas se movendo na distância. O ar gelado fazia seus dentes baterem de leve, e ele se encolheu um pouco, tentando se aquecer com as próprias mãos.

Cautelosamente, começou a caminhar, seus passos ecoando de forma sombria naquela terra misteriosa. Cada sombra parecia esconder um segredo, cada movimento parecia um sussurro do passado. Ele se sentia como se estivesse em um sonho, um pesadelo surreal que não conseguia acordar.

Enquanto avançava, a névoa parecia se adensar, envolvendo-o completamente. Ele podia ouvir vozes sussurrantes ao seu redor, murmurando palavras indistintas que pareciam ecoar dentro de sua mente. Sua respiração ficou mais rápida, seu coração batendo forte no peito. Ele sabia que não estava sozinho naquele lugar estranho, mas não conseguia ver quem ou o que estava ao seu redor.

Ele se viu diante de suas próprias escolhas, um ciclo interminável de arrependimento e repetição. Cada vez que pensava em mudar, suas ações o arrastavam de volta ao mesmo caminho sombrio. Ele se sentia aprisionado em sua própria culpa, condenado a reviver seus erros para a eternidade.

Mesmo com a consciência de seus atos, ele se via incapaz de romper esse ciclo vicioso. Cada vez que tentava mudar, era como se uma força invisível o puxasse de volta ao seu antigo eu, incapaz de escapar de sua própria natureza auto-destrutiva.

Ele olhou ao redor, vendo outras almas perdidas vagando pelo purgatório, cada uma presa em sua própria prisão de remorso e arrependimento. Ele sabia que não estava sozinho em sua dor, mas isso não lhe trazia consolo. A ideia de estar condenado a esse destino para sempre era mais do que podia suportar.

Ele sentiu uma pontada de felicidade, uma sensação tara em meio ao tormento que o consumia. Estava feliz nesse destino que tomou, ele merecia isso.

As vozes sussurravam em seus ouvidos, tentando minar sua determinação recém-descoberta. Elas ecoavam com palavras de desesperança e desistência, tentando convencê-lo de que era inútil continuar lutando. Mas ele se recusava a ceder ao pessimismo que elas tentavam semear em sua mente.

Ele entendia que as vozes eram parte de seu próprio tormento, manifestações de seus medos e arrependimentos. No entanto, ele se recusava a deixar que elas o dominassem.

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