Nos instantes finais de sua existência, ele segurou seu isqueiro com firmeza, consciente de que essa seria sua última lembrança neste mundo. Seria tudo isso apenas uma ilusão de sua mente torturada?
Sentiu vergonha de si mesmo, pela insensibilidade que o caracterizou. Seu corpo permanecia imóvel, oculto sob camadas de plástico, descartado em um aterro sem que ninguém notasse sua presença.
Rapidamente, os ratos começaram a se aproximar, atraídos pelo odor de decomposição. Sua carne foi sendo devorada, expondo suas entranhas ao ar livre. Mesmo sem vida, seu corpo ainda dava pequenos espasmos, como se tentasse responder ao seu destino cruel.
Ele encarava o céu com ternura, sentindo a brisa suave acariciar sua pele nua, enquanto as pessoas ao redor pegavam suas roupas, deixando-o exposto ao mundo.
Ele tinha apenas um cigarro desgastado na boca, a ponta enegrecida pelo fumo.
O homem, com suas roupas amarrotadas, aproximou-se do corpo caído, observando-o atentamente. Ao perceber uma respiração leve e quase imperceptível, ele fechou os olhos em sinal de respeito, mas logo se afastou, assustado. Como era possível que o homem à sua frente, claramente morto, ainda apresentasse sinais de vida?
O mistério o perturbou, e ele decidiu não ficar por perto para descobrir a resposta. Rapidamente, afastou-se do corpo, deixando-o sozinho para apodrecer em seu silêncio macabro.
A noite se aproximava, e as primeiras gotas de chuva caíam sobre o corpo, misturando-se com o sangue seco e atraindo baratas que começavam a devorá-lo por dentro. Seus cabelos estavam grudados e sujos, cobertos por manchas de sangue recente, enquanto os ferimentos em seu corpo exibiam manchas roxas e veias salientes. Grandes buracos se abriam em sua pele, causando bolhas nos braços e pernas, sinais visíveis do estado de decomposição avançada em que se encontrava.
A solidão era completa, exceto pela companhia dos insetos e grilos que preenchiam o ambiente com seus sons. Seus olhos, semiabertos, pareciam quase se fechar, enquanto larvas se moviam incessantemente em suas pupilas.
A chuva, agora mais forte, batia com força sobre o lixão, fazendo com que ele transbordasse e a sujeira se acumulasse ainda mais ao redor do corpo em decomposição. O ambiente era sombrio e macabro, ecoando a tristeza e a brutalidade da cena diante dos olhos de quem passasse por ali.
A força da chuva o levou para a rua, que estava um pouco alagada, aumentando ainda mais o estado deplorável em que se encontrava. Com o amanhecer do dia, a polícia foi acionada e levou o corpo para uma perícia detalhada.
O necrologista examinou seu corpo, identificando um buraco de bala alojado em seu tórax, além de várias outras cicatrizes. A chuva dificultou a identificação de possíveis evidências adicionais.
A polícia identificou o foragido morto, concluindo sua missão. Sem familiares ou conhecidos próximos, seu corpo foi cremado, com um padre realizando uma breve cerimônia em sua despedida.
O caso foi encerrado, e o relatório final concluiu que o suspeito provavelmente morreu em decorrência de sua profissão como assassino de aluguel. Com isso, encerraram-se as longas investigações e as noites de vigília observando seus passos silenciosos.
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Atualizado até capítulo 24
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