Ele se arrependeu profundamente de seus atos. Seus olhos percorreram o corpo caído da mulher, coberto de sangue, e notaram seus olhos vazios fixos nas paredes de concreto. A menina, pequena e frágil, segurava a mão da mulher, soluçando baixinho, mantendo sua cabeça baixa em desespero.
A criança ousou tocar nos ferimentos profundos enquanto ele, imóvel, observava tudo em terceira pessoa, tomado pela culpa avassaladora.
Os seus olhos arregalados permaneciam fixos na criança, enquanto ele questionava os seus próprios valores. Jurou a si mesmo que nunca mais tiraria a vida de alguém, especialmente a de uma criança.
Mas a situação o forçava a fazer aquilo, pois parecia ser a única forma de sair daquele lugar horrendo.
Ele sabia que aquela justificativa não era suficiente para apagar a dor que havia causado. Mesmo sob pressão, ele se perguntava se existia alguma outra alternativa, alguma outra escolha que pudesse ter feito. No fundo, ele sabia que não havia desculpa para o que fez. O peso da sua decisão o acompanharia para sempre.
De repente, a menina chorosa o olhou com raiva, escondendo as mãos enquanto se levantava e se aproximava dele. Num movimento rápido, esticou os braços e o esfaqueou na barriga, da mesma forma que o homem misterioso havia sido ferido. A dor aguda o atingiu, enquanto ele olhava surpreso para a criança, sem compreender o motivo do seu ataque.
Ele compreendeu que havia cometido um ato terrível, mas ver uma criança agindo daquela maneira o deixou com uma sensação horrível.
"Mesmo que você retorne, estarei sempre aqui, te destruindo nos jogos. Minha mãe morreu por sua causa, seu verme! Quando chegar o fim, eu mesma estarei lá para testemunhar seu sofrimento eterno."
A menina empurrou a estaca ainda mais fundo, sentindo-a perfurar os seus órgãos. O homem sentiu uma dor excruciante e uma profunda sensação de remorso e desespero.
Ele empurrou-a para longe, segurando a faca parada no seu abdómen, sentindo a dor intensa pulsar por todo o seu corpo. A menina começou a gritar, correndo na sua direção. Os seus olhos cruzaram-se, e a garota se contorceu numa feição assustada, percebendo a gravidade do que acabara de fazer.
Num movimento rápido e impetuoso, ele retirou a faca do seu abdómen e a cravou na menina. A garota caiu instantaneamente, com as mãos no ferimento, estática ao lado do corpo frio da sua mãe. O silêncio envolveu o ambiente, interrompido apenas pelo som abafado dos soluços da menina e pela respiração entrecortada do homem, que se ajoelhou, dominado pelo peso das suas ações.
O sangue dela se misturava com o sangue dele, criando uma poça ao redor dos corpos inertes. O homem observou a cena, tomado por uma mistura de horror e tristeza, enquanto as lágrimas escorriam por seu rosto. Ele sabia que nunca mais seria o mesmo após aquele momento.
A menina o olhou uma última vez antes de partir, uma única lágrima escorrendo de seu olho. Ele saiu dali, percorrendo o corredor até chegar a uma sala grande, cheia de pessoas que se movimentavam apressadas, como se suas vidas dependessem dos jogos.
Todos o olhavam com desdém, e ele simplesmente seguiu, para o desconhecido, caminhando sem rumo. Cansado de tudo, ele tirou as suas luvas e óculos, quebrando-os, simbolizando o fim de uma era na sua vida.
Ele olhou para uma mulher que se parecia muito com a que ele havia matado. Na verdade, ela era idêntica a ela. A mulher carregava uma criança no colo, uma menina que se assemelhava àquela outra criança que ele também havia ferido. O homem sentiu um aperto no peito ao encarar aquela cena, percebendo a magnitude das suas ações e o impacto devastador que haviam causado.
Ele percorreu mais um corredor, as suas pernas fraquejando até que, sem forças para continuar, caiu no chão. Sentiu-se mais um covarde do que corajoso, a realidade das suas ações pesando sobre ele de forma avassaladora. Lágrimas escorreram por seu rosto enquanto ele encarava o vazio, atormentado pela culpa e pelo remorso.
A dor na sua barriga se espalhava, mas naquele momento, isso parecia insignificante. O peso das suas ações, o peso da culpa e do arrependimento, era o que verdadeiramente o consumia.
Os seus olhos percorreram as janelas brancas, sentindo um alívio momentâneo por estar a presenciar algo puro e inocente em contraste com os seus atos.
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Atualizado até capítulo 24
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