10/12/95
"Seu canalha nojento! Você acha que eu te matei apenas por inveja? Seu desgraçado maldito!"
O rapaz gritou, arremessando um copo contra a parede, assistindo-o estilhaçar em mil pedaços.
"Te dei uma mão e em troca recebi uma facada!"
Ele continuou, sua voz carregada de raiva e frustração. Ele avançou em direção ao homem caído, agora apenas um cadáver, e o chutou, colocando um de seus pés em seu tórax.
O homem abaixo dele estava desacordado, já morto. Provavelmente por conta das longas torturas que ele mesmo havia infligido naquela noite.
"Você não merece nem um pingo de misericórdia!"
Ele cuspiu as palavras, falando mais para si mesmo do que para o homem sem vida diante dele. Suas mãos enluvadas estavam ensanguentadas, o líquido vermelho escorrendo entre seus dedos, deixando à mostra os machucados profundos e várias cicatrizes.
Ele estava falando sozinho com um cadáver, mas suas palavras ecoavam na sala vazia, cheias de angústia e desespero. Era como se toda a sua vida tivesse levado a esse momento, a essa explosão de violência e autodestruição.
Ele pegou um crachá que estava no chão, com o nome "Simon" escrito em negrito, e o guardou no bolso. Uma ideia surgiu em sua mente: ele poderia se passar por aquele homem e talvez escapar da situação em que se encontrava.
Porém, ao olhar em volta, viu um cartaz com seu próprio rosto estampado, indicando que ele estava sendo procurado pela cidade toda. Seu plano de se passar por Simon poderia colocá-lo em ainda mais perigo, mas ele sentia que não tinha outra opção. Teria que agir com cautela e esperar que ninguém percebesse a troca de identidade.
Ele saiu pelos becos sombrios, as sirenes estridentes ecoando ao longe, indicando que a polícia estava cada vez mais perto. Seus passos eram rápidos e silenciosos, enquanto ele tentava se misturar com as sombras, evitando ser visto.
O suor escorria pelo seu rosto tenso, sua respiração ofegante denunciando a ansiedade que o dominava. Cada esquina era um novo desafio, cada sombra uma possível ameaça.
Finalmente, ele alcançou uma rua mais movimentada e se viu cercado por pessoas. Ele tentou se misturar à multidão, mantendo-se atento a qualquer movimento suspeito ao seu redor.
As sirenes ainda ecoavam ao longe, mas ele sabia que não podia parar. Sua única opção era continuar correndo, esperando que a escuridão da noite e a confusão das ruas o ajudassem a escapar do seu destino inevitável.
A vibração do celular o alertou, indicando que seu trabalho estava concluído. Já passava da meia-noite quando ele fez a ligação.
"Está tudo sob controle?"
A voz do outro lado perguntou.
"Me encontre na passarela, depois do ponto de ônibus em frente. Estou em um carro preto, placa BA4i."
Ele concordou, sem dizer uma palavra. Após desligar, ele seguiu apressado pelas ruas, avistando o carro conforme o combinado.
Ao encontrar seu cliente, ele recebeu uma boa quantia em dinheiro e, em seguida, partiu a pé em direção à sua casa. O trabalho estava feito, e ele poderia finalmente descansar, pelo menos por enquanto.
Ele não tinha medo de ser perseguido ou sofrer um atentado. Essa era a realidade do seu trabalho: matar pessoas. Ele aceitava os riscos e as consequências que vinham com ele, sabendo que não poderia se dar ao luxo de ter medo. A vida que escolhera não permitia fraquezas ou hesitações.
Ele acendeu um cigarro, deixando que a fumaça rapidamente preenchesse o ambiente ao seu redor. Enquanto fumava, observou seus dedos cortados, as linhas recentes de machucados que marcavam sua pele. Eram lembranças físicas de seu trabalho, de todas as vezes em que precisou usar suas mãos para cumprir suas tarefas. A dor nos dedos era insignificante comparada à dor que ele carregava em sua alma, as vidas que ele havia tirado e os segredos que guardava. Ele suspirou, deixando a fumaça do cigarro se misturar com seus pensamentos sombrios, perdido em suas próprias reflexões.
Ele observou o monte de dinheiro em sua mesa, uma pilha tentadora que representava o fruto de seus trabalhos sombrios. Mas, apesar da quantia, ele se questionou até quando iria continuar nessa vida de crime e violência.
Antes que pudesse refletir mais sobre isso, seu celular vibrou, trazendo-o de volta à realidade. Era hora de voltar ao trabalho, mais um dia na vida de um assassino de aluguel. Ele pegou o telefone, pronto para receber as próximas instruções, enquanto a incerteza do futuro continuava a pairar sobre ele.
Após atender a ligação, ele recebeu uma missão aparentemente simples: eliminar um alvo em um local público. Sem pensar duas vezes, ele se preparou e partiu para o local indicado. No entanto, ao chegar lá, ele se deparou com uma cena que o deixou chocado e abalado.
O alvo era uma mulher jovem, com um bebê nos braços. Ela parecia assustada e desesperada, implorando pela vida dela e de seu filho. O assassino hesitou por um momento, tocado pela situação. Ele viu o medo nos olhos da mulher, o amor que ela tinha por seu filho, e isso mexeu com ele de uma forma que ele não esperava.
Finalmente, ele decidiu não seguir adiante com o trabalho. Ele se aproximou da mulher, entregou todo o dinheiro que tinha recebido pela missão e disse para ela fugir dali o mais rápido possível. Antes de partir, ele olhou para trás e viu a mulher e seu filho correndo para longe, em busca de uma nova chance de vida.
Aquela experiência mudou algo dentro dele. Ele percebeu que havia mais na vida do que matar e dinheiro, e que suas ações tinham consequências reais sobre as pessoas ao seu redor. A partir daquele momento, ele decidiu abandonar sua vida de crime e buscar uma redenção pelos seus pecados passados.
Ele sabia que sua decisão de não cumprir a missão teria consequências. A organização para a qual trabalhava não tolerava falhas, e ele agora era considerado um traidor. Ele recebeu uma nova ordem: se não completasse a missão original, ele seria o novo alvo.
Seus olhos percorreram a mulher, que corria desesperadamente para longe, seu filho nos braços, em busca de uma chance de vida. Mas antes que pudesse alcançar a segurança, ele sentiu a bala perfurar seu tórax, derrubando-a no chão.
O homem pisava nele com força, demonstrando sua autoridade e questionando sua recente desobediência.
"Essa foi a primeira vez que você me desrespeitou em anos de colaboração, Jake. Por que agora?"
Jake sentiu a pressão aumentar em seu corpo, mas permaneceu em silêncio, resignado aos acontecimentos.
Enquanto isso, um franco-atirador se posicionava, mirando na mulher e no filho que tentavam escapar. A esperança de ter feito algo bom foi brutalmente interrompida pela bala certeira do atirador, que atingiu seus alvos sem piedade.
O assassino percebeu, com tristeza e arrependimento, que suas ações haviam desencadeado uma tragédia irreversível. Ele estava encurralado, à mercê de um destino cruel e implacável.
Por mais que desejasse, Jake sabia que estava preso em um ciclo de violência e morte há muito tempo. Suas escolhas o haviam levado a esse momento, onde ele era apenas uma peça no jogo de poder de pessoas cruéis e sem escrúpulos.Ele se perguntou se algum dia poderia encontrar redenção, se poderia se libertar desse fardo que carregava consigo. Mas as respostas pareciam distantes, perdidas em meio à escuridão de sua própria alma.
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Atualizado até capítulo 24
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