Ele havia morrido, foi estilhaçado por aqueles vira-latas imundos durante à noite enquanto miava desesperado por ajuda. O garoto estava bêbado em algum lugar escuro provavelmente, seus últimos meses foram os piores da sua vida. Pela manhã menino via os pelos e sangue de Louie na rua, sua cabeça doía, seu corpo não reagia aos estímulos que estava vendo, o garoto queria gritar e matar aqueles cães que mataram o seu único amigo, ao mesmo tempo que ele não expressava nenhum tipo de sentimento aparente, já que seu corpo estava dopado com remédios e álcool da noite passada.
_ O bichano estava velho, ele ainda foi caçar bagunça na rua durante à noite com os cachorros do ferro velho, já era de se esperar que isso iria acontecer! (Daniel murmurava, mas no fundo ele sentia pena do gato, Daniel não brincava muito com Louie, mas o gato era manhoso e esperto).
_ Aquela bruxa da sua mãe poderia ajudar a gente trazendo a pá, não é? Para a gente fazer um enterro digno do gato! (Daniel sentiu pena do menino, para rosto do garoto era tão inexpressivo e frágil, que ao mesmo tempo que não demonstrava nada, era vulnerável).
Amélia odiava o menino, depois que o garoto abortou, ela começou a obrigá-lo a se vestir da forma que Amélia queria. Depois sua mãe começou a revirar seu quarto todos os dias de forma incansável em busca de provas para saber quem era o pai da criança e sem sucesso ela parecia ter desistido daquilo, mas de vez em quando suas coisas sumiam ou estavam reviradas novamente.
O menino era forçado a tomar remédios para ists, mesmo fazendo exames e mostrando que o seu corpo estava limpo, Amélia cismava que o garoto tinha HIV ou sífilis, mas o menino não tinha nada e se sentia horrível toda vez que ela enfiava aqueles remédios em sua boca. Mas, o pior de tudo era quando Amélia pegava suas roupas e as rasgavas falando que tudo de ruim que acontecia era culpa dele, por ter deixado o diabo entrar em sua vida, mamãe sempre falava que o capeta amava minha alma, pois ela era corrompida feito ele, e que Deus me perdoaria se eu parasse de ser eu, ou se e eu morresse a deixando em paz sem lhe causar vergonha.
Mamãe tinha razão o diabo gostava de mim, pois eu era confuso, corrompido e infeliz feito ele, eu deixei matar o meu melhor amigo por causa se um vício em bebidas que é a única coisa que me faz ânimo para continuar prosseguindo junto de meu manto surrado e me sentia péssimo ao lembrar que gerei um ser inocente e o matei sem ao menos saber como ele era, isso doía horrivelmente dentro de mim. Jessie tinha razão, eu não tinha capacidade de fazer nada certo, eu não conseguia dormir pensando naquele dia horroroso em que matei mais uma pessoa sem ao menos conhecê-la.
_ VLoteienterra o gato, ele era seu e eu não vou pegar nisso! Aja feito um homem, como se voce fosse um! (Papai me debochava, mesmo sofrendo com a perda do gato, ele fingia não ligar e ainda ria do meu rosto idiota).
O menino não chorou quando pegou o animal, muito menos quando enterrou o pobre na cova rasa. Louie estava livre, não precisava mais ter que ver o rosto do seu dono dia ou outro melancólico e inexpressivo, o bichano não precisava mais tentar fazer o menino levantar da cama a força e tentar fazer algo que seus demônios não o permitia fazer. Louie finalmente não precisava mais ter que tolerar os problemas intermináveis da cabeça de seu dono que vivia confuso e deprimido.
_ Como você está? Já tem um tempo que não nos vemos! (A psicóloga dizia com um riso tosco no rosto).
O menino não disse nada, só deu um suspiro profundo e a olhou, talvez já estivesse na hora de dizer algo sem ser apenas o que ela queria ouvir, mas o menino não conseguia dizer o que sentia. Para ser sincero, o menino não sabia o que estava acontecendo consigo, ele sentia vontade de chorar, se sentia sozinho, sentia como se fosse um estorvo esquisito no meio de sua família, ele sentia falta do que nunca teve, e principalmente sentia culpa de ter perdido o que jamais deveria ter tido.
_ Vi que aconteceu algumas coisas com você, com o seu corpo! Você quer falar um pouco sobre isso, sobre o que sentiu quando descobriu que estava... (O menino fechou o rosto e a negou).
_ Eu não quero falar sobre isso! Eu quero fazer a cirurgia, quero arrancar essa droga, quero parar de ser confundindo como uma lésbica! Eu não sou lésbica, não gosto de garotas! Eu só queria me sentir melhor comigo mesmo, mas é tão esquisito e difícil, aí vem você me perguntando como me senti quando engravidei! Francamente, senti vontade de arrancar esse útero e jogar no rosto da enfermeira que me atendeu! Engravidar não me fez querer ser mulher, não me fez querer ter uma criança, muito menos ainda me fez me sentir feminina, eu não me sinto uma mulher, estou preso nesse corpo esquisito que desprezo todos os dias da minha vida, e estou apenas pedindo ajuda para parar de me sentir um erro, mas parece que ninguém me entende! Nem você me entende, porquê toda vez você me faz a mesma droga de pergunta, de como estou me sentindo! Não está vendo? Eu me sinto um lixo, eu matei uma criança, já não é coisa demais pra mim, perdi o Louie e matei uma criança! (Era horrível ter que tolerar aquele tipo de pergunta, eles obrigavam o menino a ser uma garota, o sentimento de culpa o fazia tremer e ficar horas e horas pensando em quão montruoso ele era).
_ Quer um copo d'água? (A psicóloga lhe indagou perplexa).
_ Eu queria whiskey! Assim voltaria sorridente para droga da minha casa e poderia falar para Amélia que a psicóloga finalmente me curou da minha demência! (Debochando o menino negou a água).
Dessa forma a psicóloga viu que não houve nem um progresso desde a última vez que se viram, mas sim um retrocesso pior do que a psicóloga esperava. O menino ainda bebia para esquecer os problemas, e isso infelizmente estava acontecendo com tanta frequência que parecia que o garoto já estava virando um álcoolatra. O menino bebia desde os 13 anos, e agora com 20 esse hábito estava sendo difícil de ser desfeito.
Nisso o menino recebeu mais uma receita de rivotril e zolpidem, e uma escrita bem grande de procurar hobby, um novo animal de estimação para ele não se sentir só, é buscar fazer amizades saudáveis, fazer exercícios físicos e dormir cedo. Ela indicou também um nutricionista, já que o menino estava abaixo do peso e sua anemia não o possibilitava de tomar remédios injetáveis.
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Atualizado até capítulo 28
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