Seguro

_ Eu sabia que você iria vir! Sobe aqui no meu quarto! (Christopher gritou lá de cima o mostrando a escada de madeira).

O menino o olhou confuso, Chris havia dito para subir em seu quarto, mas aquilo era galpão, e aonde Christopher estava era uma extensão do galpão, não era um cômodo, era apenas um piso e nem havia escadas para subir, Christopher mostrava uma escada móvel de madeira, que parecia que iria quebrar a qualquer momento.

Vendo que o menino demorou muito para subir, Chris desceu rapidamente as escadas como se aquilo não fosse nada e foi até o menino o puxando depressa com um riso enorme no rosto.

_ Não seja tímido, eu vou te mostrar o meu quarto! Aqui em baixo é minha área de serviço, eu moro no andar de cima, não é grande, mais é tudo que preciso pra viver! Petits Cheveux Bleus, vous allez aimer ici! (Como aquele francês era um louco, "Cabelinho Azul, você vai adorar aqui!", como ele podia afirmar algo sem ao menos saber do que o menino gosta?).

Chris o mostrava a escada e o menino encarava com medo, era muito alta e lá em cima não havia nem grade para segurar, se eles caíssem lá de cima, com certeza quebrariam o corpo todo, se não morresse antes.

Sendo arrastado feito uma boneca rígida, o menino pensava em soltar a mão de Christopher, cair não seria um problema, ele não tinha nada a perder se caísse enquanto era levado escada a cima. Os pensamentos intrusivos o despertava juntamente de seus demônios que lhe atormentavam o mostrando o quão alto estavam, e isso fez o menino abrir um sorriso involuntário e delicado, enquanto olhava o chão trêmulo subindo as escadas.

_ O seu sorriso é tão bonito! (Christopher o disse, o encarando levemente).

O menino corou e chegou no local onde Chris havia dito que dormia. Tinha uma porta no telhado, era estranho, embaixo havia uma janela, realmente lá não era um cômodo, mas também não era tão pequeno, talvez por falta de móveis parecia ser grande, lá havia muitos livros, um colchão no chão, um telescópio, algumas ferramentas, uma porta onde ia ao banheiro que era tão pequeno que mal conseguia entrar uma pessoa lá dentro. Havia também uma minicômoda, onde tinha as roupas do francês, junto do material escolar, mais ferramentas e um notebook dentro com um robô meio acabado. Em cima da minicômoda tinha uma foto dele com sua família, e no chão uma mini geladeira, era tão pequena que batia em sua coxa, o francês o olhava com um rosto bobo, enquanto pegava algumas tralhas o vendo mexer em seu robozinho curiosamente.

_ Você é muito bisbilhoteiro! (Chris o dizia enquanto via o menino mexendo nos fios de cobre do robô que acabou lhe dando um choque na mão).

O garoto ficou cabisbaixo esfregando a mão que ardia, era um choque tão bobo, mas doeu de qualquer forma, e isso o deixou mexido, ele não deveria ter mexido em nada, ele nem sabia o que estava fazendo ali, já estava tarde e ele deveria ir para casa, para ser sincero ele não deveria nem ter ido naquele lugar.

_ Quer um biscoito? (Abrindo a geladeira, Christopher o mostrou um pote com biscoitos de maizena e o ofereceu).

O menino olhava o biscoito gelado com certa perplexidade, nunca havia visto um biscoito na geladeira, e negou aquilo, era bizarro demais, até para ele, Christopher era muito novo para construir aquilo tudo, e sua geladeira só tinha biscoitos de maizena e suco de morango.

Já Christopher o achava muito quieto e misterioso, o menino quase não falava, só respondia com uma voz funda, parecia sempre estar em outro mundo, seu rosto sempre era um pouco distante e triste. Era difícil entender o menino, Christopher tentava o entender, mas, ao mesmo tempo gostava de não compreendê-lo.

A tarde foi divertida, Chris mostrou o seu trabalho para o rapaz que demonstrava curiosidade sutilmente. Christopher ficava eufórico quando via o menino tentar resolver algum defeito que suas criações tinham, algumas até funcionaram depois que o menino pegou as ferramentas e disse o que talvez seria o possível problema. Christopher não gostava muito que mexiam em suas criações, a não ser que fosse o seu tio que o ajudava e o incentivava a criar, e alguns colegas que também tinham habilidades e compreensão de tecnologias e criações. O menino era especial, Chris já havia visto ele construir um protótipo miniatura de um foguete que só não decolou porque foi sabotado por João, mesmo assim o protótipo era leve e perfeito, e com certeza voaria por no mínimo 5 metros de altura.

O menino se sentiu mais leve ao ficar com Christopher naquela tarde. Ele concertou alguns objetos e fez alguns ajustes em outros, ele nem havia percebido que o tempo estava passando. Christopher não era tão preguiçoso como ele pensou que o francês seria, e sua casa não era tão ruim, apesar de não ser convencional, foi agradável, ele se sentiu acolhido ao estar com Christopher, e isso o fez não querer voltar para sua casa, o seu lar era tão turbulento, sua mãe revirava a sua mochila em busca de algo inexistente e o praguejava quando não via nada.

Seu pai também não era muito acolhedor, ele discordava o tempo todo de sua mãe, mas quando ela o atacava seu pai se unia a ela. E lembrar que quebraram seus remédios o acarretando novamente em uma crise de ansiedade e um sentimento de vazio, as únicas coisas que o menino ganhou foi uma rejeição de sua cirurgia e vários mutilamentos no braço para se acalmar.

O menino pensava do porquê daquilo tudo, qual era o seu real problema com a sua família. Ele sempre se dedicava a tudo, ia bem na escola, ajudava em tudo, mas quando não conseguiu mais esconder seus pesadelos, a sua vida começou a desmoronar, todos viraram as costas, ele não entendia porquê era tão ruim ser daquele jeito, se pudesse ele não havia vindo daquele jeito, o seu pai murmurava revoltado o chamando de aberração, talvez ele fosse de fato uma, e sentimento medo de aproximar das pessoas e elas descobrissem que ele não era cem por cento perfeito, fizesse todos se afastarem novamente, sua mente era tão barulhenta e bagunçada.

A mente de Jessie era bagunçada também, mas ela não era rejeitada como ele, ela era amada de certa forma, os seus avós gostavam de brincar com ela, lhe davam presentes estranhos, ela sentia um pouco de inveja que os seus primos ganhavam outros tipos de presentes. Jessie sempre mostrou gostar de outras coisas, sempre foi diferente das outras, Jessie não queria ser igual as outras, talvez se ela fosse igual as outras garota, hoje ela não estaria dentro de um buraco vazio, tentando entender onde foi que ela errou.

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