E sem eu perceber o que estava acontecendo. Lágrimas desciam dos meus olhos me lembrando que se minha filha estivesse comigo ela estaria com a mesma idade. Eu tinha que controlar as minhas emoções. Ela apertou seu abraço em mim como nunca tivesse sido abraçada por alguém. Quando de repente Isabel apareceu na sala vendo aquela cena comovente. E eu tive que voltar à realidade, colocar os pés no chão. Afinal de contas ela não era minha filha, era apenas uma nova amiga que eu estava conquistando.
— Parece que ela gostou de você!
— A senhora acha? — Perguntei para Isabel.
— Com certeza! Porque ela não costuma abraçar ninguém, tem medo de se aproximar das pessoas.
— Talvez ela tenha algum motivo. Ou alguém tenha maltratado ela!
— Por que você está dizendo isso?
— Toda criança tem uma sensibilidade muito grande, e ela não costuma mentir. Deveria perguntar para ela se ela não está sendo maltratada pela babá. Desculpe-me senhora, eu me meter. Eu sou assim mesmo, a minha língua é muito solta, eu tenho que falar o que eu sinto, o que eu penso, e às vezes acabo indo longe demais.
— Eu gostei do seu jeito. Eu preciso de pessoas sinceras que dizem o que pensam, e o que acham. Eu admiro que sejam assim. Queria ser igual, mas falta coragem.
— Deu para perceber, mas isso pode mudar quem sabe!
— Você acha que eu posso mudar minha maneira de pensar?
— Com certeza, tem tudo para mudar, mas quem sou eu para estar julgando, e quem sou eu para dizer o que a senhora deve fazer. Eu acho que deveria ficar mais atenta.
— Como assim? O que você está querendo dizer?
— Eu acho que falei demais. Para ser sincera, não fui com a cara dessa babá que cuida da sua filha. Desconfio que ela maltrata sua filha. Na minha opinião, não tenho certeza, e nem provas.
— Hum! Falei demais. Deixei Isabel calada, preocupada. Depois eu me arrependi de ter falado isso, eu tenho que controlar essa minha língua de trapo, porque quando eu começo a falar não paro mais. Ela ficou olhando para todos os lados para ver se a babá não chegava, queria dizer algo.
— Para ser sincera contigo tenho as minhas desconfianças, mas eu preciso de provas, já senti isso, a minha filha não gosta dela, faz beicinho quando eu digo para ficar com a babá, e não foi uma, nem duas vezes que ela pediu para eu mandar ela embora, mas não quis dizer porque.
— Nem eu, e nem Isabel nos damos conta que Emily estava sentada no meu colo mexendo nos meus brincos e no meu cabelo, a emoção de segurar ela no meu colo fez esquecer de tudo que eu estava agindo como uma legítima Babá. Ou uma legítima mãe. Quando ela falou.
Mamãe! Voxê xabia que a xua amiga conta história de conto de fadas?
— É minha filha, eu não sabia disso.
— Pois é, ela sabe contar história, voxê nunca me contou, porque mamãe?
— Ah, filha, não tenho tempo, a mamãe trabalha muito, e papai também. A babá nunca te contou?
— Não mamãe, acho que ela não gosta de mim. — Eu, e Isabel ficamos admiradas, e olhando para os lados para ver se não chegasse a babá. E quando ouvimos alguém vindo na nossa direção, era Verônica chamando Emily para tomar banho de sol que costumava fazer todos os dias. A reação de Emily foi imediata.
— Mamãe eu não quelo ir, eu quelo ficar aqui com a xua amiga.
— Filha, por que você não quer ir com a baba? O que aconteceu?
— Eu não goxto dela, mamãe.
— Por que você não gosta dela? O que ela fez?
— Ela é muito chata, ela não blinca, e só grita comigo mamãe, um dia desses, ela me beliscou.
— Ah é, ela fez isso, aonde? — Ela puxou a manga da blusa para cima e mostrou que havia uma mancha roxa, para fúria de Isabel que levantou e encarando a babá.
— Verônica, é verdade isso que a Emily está dizendo que você beliscou? — Verônica tentou se justificar criando várias desculpas dizendo que não foi ela. E que foi um menino da escolinha. Isabel voltou para sua filha.
— Você tem certeza que não quer ir com a babá tomar banho de sol?
— Não mamãe, eu quelo ficar aqui com a xua amiga, eu gostei dela, deixa eu ficar, mamãe? Ah vai mãe deixa, eu quelo que ela me conte uma história. Já que voxê não vai contar. — Isabel ficou rindo do jeito dela. E começamos a conversar, então imediatamente contei uma historinha de conto de fada, não muito longa para não atrasar o meu trabalho que ainda eu tinha que fazer as unhas da minha cliente que agora pelo jeito estava se tornando uma amiga minha.
E para desviar um pouco a atenção comecei a fazer as unhas da minha cliente, mostrei os designers que ela queria que eu fizesse.
Um formato de coraçãozinho, e florzinhas, pelo jeito ela gostou do coraçãozinho vermelho, e da cor vinho. Fiz as unhas, e ela ficou encantada com meu trabalho admirando a minha capacidade e criatividade.
Enquanto eu fazia as unhas, começamos a conversar. Então ela me perguntou:
— Você gosta do que faz?
— Gosto sim, não é o que eu queria, mas não tenho outra alternativa, mas acabei me acostumando e gosto do que faço.
— Dá pra perceber que você é muito esforçada. Antes de começar a trabalhar como manicure, o que você fazia, me desculpe a minha indiscrição.
— Eu trabalhei três anos numa casa de um casal que tinha um idoso, onde eu fui cuidadora de um senhor de 95 anos.
— Nossa, não é fácil cuidar de um senhor de 95 anos.
— De fato é um trabalhão, ainda mais que ele estava de cadeira de rodas, e tinha que trocar fralda e dar banho nele, é um trabalho como qualquer outro. Nunca tive medo de trabalhar.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 89
Comments
Fatima Gonçalves
ELA ESTÁ PRECISANDO MUITO MULHER LERDA PARECE QUE TEM MEDO DA BABA
2025-03-22
0
Elsa Maria Rego
mande a sua nova amiga ir a psicólogo ou terapeuta.
2024-08-11
0
Rita Silva
Credo!!! Essa babá se faz de sonsa!! Mas, a Emily não teve medo de acusá-la de lhe ter beslicado no braço. Tomará q ganhe o olho da rua!!! /Joyful//Joyful//Joyful/
2024-03-18
1