Depois do que aconteceu naquele parque da mulher batendo naquela menina, Sabrina não conseguiu dormir à noite. E se virava de um lado pro outro tentando se acalmar.
Sentia que precisava fazer alguma coisa, sair um pouco e voltar para aquele bar, àquela menina não saia da sua cabeça. Precisava encontrar ela urgentemente e saber se estava tudo bem com ela.
E tinha que ser uma hora antes de começar a trabalhar. Não podia perder o seu emprego, embora não sendo o emprego dos sonhos. Mas era o que tinha naquele momento. Ela levantou cedo, escovou os dentes, tomou um banho, e foi caminhar pelo parque.
Precisava exorcizar seus pensamentos sobre aquela menina que não saia da sua cabeça sendo maltratada por aquela mulher maluca.
Voltou naquele bar lancheria mais uma vez. O garçom ficou surpreso.
— Você, aqui?
— Porque a surpresa? Por acaso está proibida a minha entrada aqui?
— Calma senhorita, achei que não voltaria mais aqui!
— E porque não?
— Por nada. Depois daquele episódio achei que ficou com raiva de mim?
— E porque eu ficaria?
— Por eu ter chamado de senhora!
— Vamos esquecer, quero um café bem forte com leite, é claro, e um sanduíche!
— Pois não, já vou providenciar. — Enquanto ele preparava o lanche, ela ficava olhando para todos lados para ver se enxergava aquela mulher com aquela menina que não saía do seu pensamento. O garçom trouxe o lanche e ela comeu e saiu deixando uma gorjeta para o garçom que agradeceu e foi para seu trabalho como cuidadora do senhor. Chegando no trabalho na hora certa, nem um minuto a mais e nem um minuto a menos.
E com isso ela ganhava mais admiração pela sua patroa. Sabrina sugeriu a ela que deveria levar o senhor para passear.
— Porque você está querendo mudar a rotina, não gosta de ficar aqui em casa?
— Não é nada disso, senhora.
— Se me chamar de senhora mais uma vez será demitida, falou rindo.
— Me perdoe, senhorita. Às vezes falo rápido demais e esqueço de chamar de senhorita. não tiro a sua razão. Esses dias também briguei com um garçom que me chamou de senhora.
— É, você fez isso?
— Fiz sim, não sou capaz de levar desaforo para casa!
— É, deu para perceber! Mas vamos mudar de assunto porque você quer levar meu pai passear?
— Ele precisa sair um pouco para pegar um sol que faz bem para saúde, e deixa ele menos estressado.
— Sendo assim eu aceito a sua sugestão. — E de fato o que deixava aquele senhor estressado era deixar ele trancado igual um animal enjaulado, era por isso que ninguém aguentou cuidar dele.
Na verdade, Sabrina estava entediada por estar presa dentro de um apartamento fechado sem pegar sol e refrescar um pouco a mente dela. Ela trocou as fraldas dele que naquele dia estava rabugento.
— Onde você vai me levar?
— Ainda não sei, mas estou pensando em levar o senhor a vários lugares, onde o senhor prefere?
— Há muito tempo que eu gostaria de ver corrida de cavalo, mas eu não quero apostar, só quero ver.
— É longe daqui?
— Não, dá umas três quadras.
— Então vamos fazer um passeio lá mesmo, mas me promete que não vai querer apostar?
— Prometo!
Ela não sabia se ele estava sendo sincero, não queria ficar mais naquele apartamento, estava afim de mudar um pouco, ela estava cansada de ficar presa, se sentia como um animal acuado assim como ele também.
Tinha esperança de que
poderia encontrar aquela menina. Depois de estar tudo pronto, e ter trocado as fraldas do senhor Alfredo, era esse o nome dele. Desceram pelo elevador e saíram para passear. O dia estava lindo e maravilhoso, estação primavera era agradável, não fazia frio e nem calor. Dia perfeito para sair. Mesmo que tivesse que empurrar a cadeira de rodas, mas que estava lhe dando maior prazer.
E passando pelo parque ficou olhando para todos os lados para ver se ela enxergava novamente aquela menina, mas nada encontrou, tinha esperança que isso ia acontecer novamente, porque ela não podia desistir, e passou a caminhar por aquele lugar diariamente levando aquele senhor. Às vezes levava ele para o Shopping, e outras vezes nas corridas de cavalo que ele adorava, e às vezes ficava sentada num banco do parque.
E ele ficava calado, não falava nada, só ficava observando, de vez em quando contava histórias para ela, mas infelizmente, ela pouco dava atenção para ele.
Enquanto ele contava suas histórias, seus olhos ficavam procurando aquela menina. Ela lembrou aqueles olhinhos azuis assustados loirinha, cabelo preso abraçando forte com medo que aquela mulher batesse novamente.
E aquele dia ela tinha prometido que aquela mulher maluca não ia bater mais, só não sabia qual a razão que isso estava acontecendo. E aquela angústia e desespero dentro dela ficou por uns 3 meses. Depois disso, seguindo a mesma rotina levando o senhor para passear no Shopping em corrida de cavalo em parques para pegar um sol.
Até que chegou o dia que o senhor morreu, e sentiu muito a morte dele. Porque estava acostumada com a ideia de cuidar de alguém e dedicar a sua vida a uma pessoa que se tornou especial para ela. Após a morte do senhor Alfredo, ela não tinha mais o que fazer naquele apartamento.
Então a filha o demitiu, mas pagou os três anos que trabalhou lá. Recebeu três meses de férias, três meses de aviso prévio, e mais seguro desemprego, e fundo de garantia, e uma bonificação. Para ela, era muito dinheiro. Embora tenha nascido de uma família rica, mas naquele momento era muito importante.
A sua patroa colocou todo o dinheiro dentro de um envelope e pediu para que Sabrina conferisse.
— Confira se está tudo certo! — Ela conferiu e achou que sua patroa estava enganada.
— Como assim enganada?
— Acho que tem muito dinheiro.
— Não é, você merece, você foi a única que cuidou bem do meu pai.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 89
Comments
Fatima Gonçalves
EITA QUE COISA
2025-03-22
0
Rita Silva
Ahh...e agora!!! Para onde Sabrina vai??!!! 😲😲😲
2024-03-18
3