Capítulo 17 Laços Rompidos

A tensão pairava no ar, densa como a iminência de uma tempestade, enquanto Osvaldo e Celma se encontravam na sala, enfrentando a delicada conversa que moldaria o destino de seu casamento. O momento de ruptura havia chegado, e ambos reconheciam a inevitabilidade desse desfecho.

Osvaldo, com uma respiração profunda, reuniu coragem para expressar o que se tornara inescapável. "Celma, acredito que é hora de encerrarmos isso. Nossa relação atingiu um ponto insustentável, e vejo no divórcio a única saída possível."

Celma, com olhar abaixado, respondeu com firmeza: "Compreendo, Osvaldo. Se é o melhor para ambos, não me oponho. No entanto, quero apenas o que é justo para mim, sem sair desse processo de mãos vazias."

Surpreendido pela resposta equilibrada de Celma, Osvaldo concordou: "Você está certa, Celma. Não quero disputar bens materiais. Busco apenas encontrar um caminho para seguirmos adiante separadamente."

A conversa prosseguiu, com detalhes práticos sendo discutidos, desde a partilha de bens até a forma como comunicariam a notícia a amigos e familiares. Uma difícil conversa, mas ambos determinados a enfrentá-la com maturidade e respeito mútuo.

A decisão de se separarem estava tomada, e o caminho à frente se desenhava desafiador e incerto. Enquanto enfrentavam a realidade de laços outrora sólidos agora rompidos, as memórias compartilhadas os atormentavam.

A conversa se intensificava, tornando-se mais emocional. Celma, tomando a iniciativa, revelou um aspecto crucial: "Fui eu que traí, Osvaldo. Não quero nada que seja seu. Amanhã, partirei. Estou grávida e sem trabalho. Não sei como cuidarei dessa criança."

Preocupado, Osvaldo indagou sobre o futuro. "Celma, não podemos ignorar a realidade. Preocupo-me com você e o bebê. Como será sua vida? Onde morará? Como se sustentará?"

Com lágrimas nos olhos, Celma respondeu determinada: "Osvaldo, isso é minha responsabilidade. Confio que Deus proverá. Não quero depender de você. Precisamos seguir adiante separadamente."

Num abraço, compartilharam um momento de tristeza e compreensão. Após alguns minutos, se separaram, e Celma dirigiu-se ao quarto para arrumar suas coisas.

Dentro do silêncio do quarto, Celma começou a arrumar suas coisas, escolhendo com cuidado cada objeto que faria parte de sua nova jornada solitária. Enquanto dobrava roupas e empacotava lembranças, suas mãos tremiam, revelando a turbulência emocional que a acompanhava.

As lágrimas que antes haviam sido contidas agora fluíam livremente, marcando o fim de uma era e o início de uma desconhecida. Entre fotografias e cartas, ela se deparava com fragmentos de uma vida compartilhada, agora transformada em resquícios de uma história que não podia mais ser vivida.

Ao mesmo tempo, Osvaldo, caminhando pelas ruas, tentava dar sentido ao turbilhão de pensamentos que o assombrava. Cada esquina carregava memórias, e o peso da decisão de se separar tornava-se mais tangível a cada passo.

No quarto, Celma encontrou uma caixa esquecida no canto do armário. Ao abri-la, deparou-se com cartas antigas, bilhetes de amor e pequenos presentes que os dois trocaram ao longo dos anos. Esses vestígios do passado agora eram testemunhas silenciosas de um amor que, apesar de desfeito, deixara uma marca indelével em suas vidas.

Entre as lágrimas e a nostalgia, Celma encontrou uma força interior que desconhecia. Olhando para o futuro incerto, ela sabia que a jornada seria difícil, mas estava determinada a enfrentar os desafios que viriam pela frente. Em meio à desordem do quarto, começou a visualizar um espaço para recomeço, uma página em branco esperando para ser preenchida com capítulos ainda desconhecidos.

As lágrimas de Celma caíam silenciosamente enquanto segurava o álbum do casamento que se deparou com ele entre os pertence dentro da caixa. Suas mãos percorriam as páginas amareladas, e ela se deteve diante da fotografia no altar, onde ambos trocavam votos de amor eterno. As memórias inundavam seu coração, misturando-se às emoções presentes.

Com voz embargada, ela sussurrou como se estivesse dialogando com o passado: "Lembras daquele dia, Osvaldo? Juramos amor eterno, prometemos enfrentar juntos tudo o que a vida nos reservasse." Uma pausa se seguiu, enquanto suas lágrimas caíam sobre a imagem congelada no tempo.

"Os desafios vieram, Osvaldo, e enfrentamo-los lado a lado. Mas, em algum ponto, o caminho se desviou, e aqui estamos, diante da dolorosa despedida." Suas palavras ecoavam no quarto vazio, como se as paredes guardassem a história de um amor que se transformou.

A fotografia no altar parecia ganhar vida diante de seus olhos marejados. "Nunca imaginei que este álbum se tornaria um relicário de lembranças que agora pesam tanto." Celma, com um suspiro, fechou os olhos, revivendo mentalmente os momentos que ali estavam capturados.

"Os sorrisos, as promessas... Parecia que o tempo não teria poder sobre nós. Mas aqui estamos, Osvaldo, diante de um adeus que nunca imaginei pronunciar." A melancolia envolvia cada palavra, enquanto ela continuava a dialogar com a fotografia, como se buscasse consolo nas lembranças.

Entre suspiros e soluços contidos, Celma abraçou o álbum por um momento, como se pudesse segurar ali, nas páginas amareladas, um fragmento do que um dia fora. A decisão de seguir em frente, mesmo carregando o peso do passado, tornava-se mais real a cada lembrança revivida naquelas páginas.

O som brusco da porta se fechando ecoou no silêncio da casa, assustando Celma. Ela ergueu a cabeça do álbum, olhando para a porta, agora fechada. O quarto, antes preenchido pelo diálogo nostálgico com as lembranças, tornou-se subitamente solitário e silencioso.

Enquanto isso, do lado de fora, Osvaldo sentiu o peso da atmosfera carregada da casa. Uma sensação de sufocamento o impulsionou a sair para espairecer. Cada passo pelas ruas conhecidas parecia uma jornada em direção ao desconhecido, refletindo a incerteza de seu futuro pós-separação.

Enquanto caminhava, as memórias compartilhadas dançavam em sua mente, uma mistura de momentos felizes e desafios superados. O som do fechamento da porta ressoava em seus ouvidos, simbolizando não apenas a saída física, mas também uma transição emocional. A necessidade de processar a realidade da separação era inegável, e Osvaldo buscava um refúgio nas ruas familiares, agora carregadas de um significado diferente.

Cada passo, cada esquina, era uma oportunidade para refletir sobre o que se desenrolava em sua vida. A noite, antes previsível, agora se revelava como um cenário de possibilidades desconhecidas. Osvaldo, sentindo-se sobrecarregado pela magnitude da decisão tomada, procurava respostas dentro de si, enquanto as estrelas observavam silenciosamente sua jornada noturna em busca de clareza.

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