Capítulo 13: O Ponto de Não Retorno

A cozinha estava impregnada com uma atmosfera carregada de tensão. Osvaldo, com o resultado médico em mãos, encarava Celma com uma expressão de fúria contida. As palavras ficaram presas em sua garganta, mas a intensidade de seu olhar dizia o suficiente.

Celma, notando a raiva nos olhos de Osvaldo, sentiu seu coração acelerar. Ela sabia que algo estava errado, mas não tinha ideia do que ele havia descoberto. Seu café da manhã se tornou um nó em sua garganta enquanto ela esperava pelo que estava por vir.

Osvaldo finalmente quebrou o silêncio, sua voz carregada de emoção reprimida. "O que é isso, Celma?" Ele balançou o envelope do resultado médico como se fosse uma acusação.

Celma engoliu em seco, sentindo-se encurralada. Ela sabia que a verdade havia vindo à tona, e agora era hora de enfrentar as consequências de suas escolhas. Com um suspiro profundo, ela respondeu com sinceridade, "É um resultado médico, Osvaldo. Algo que eu estava esperando o momento certo para lhe contar."

Osvaldo apertou o envelope com força, os nós de seus dedos brancos de tensão. "Então, o que é isso, Celma? O que você está escondendo de mais?" Osvaldo exigiu, sua voz repleta de acusação.

Celma fechou os olhos por um momento, reunindo coragem para revelar a verdade. "Eu estou grávida. Mas..." Celma começou logo chorando.

O impacto da confissão ecoou na cozinha, e a atmosfera já tensa tornou-se ainda mais carregada. Osvaldo estava atordoado, incapaz de processar completamente o que acabara de ouvir. O futuro de seu casamento e a paternidade do bebê se tornaram questões iminentes, e eles estavam prestes a enfrentar o ponto de não retorno em sua jornada tumultuosa de redenção e perdão.

O silêncio na cozinha era ensurdecedor, apenas interrompido pelos batimentos cardíacos acelerados de ambos. O futuro de seu relacionamento pendia no equilíbrio frágil, enquanto eles se encaravam, cada um esperando que o outro tomasse uma decisão sobre o que aconteceria a seguir.

Osvaldo ficou paralisado diante da confissão de Celma. Seus olhos oscilavam entre choque e confusão, enquanto tentava processar as palavras que acabara de ouvir. Finalmente, ele conseguiu encontrar sua voz, embora tremesse de emoção.

"Tu estás grávida! E não tens certeza de quem é o pai?" A incredulidade em sua voz era evidente.

Celma assentiu, seus olhos cheios de lágrimas. "Sim, Osvaldo, é a verdade, não sei de concreto. Não queria esconder isso de ti, mas também não queria que soubesses dessa forma."

Osvaldo deixou escapar um suspiro pesado e passou a mão pelo cabelo em frustração. "Como isso aconteceu! Ah, Celma? Como chegamos a esse ponto?"

Ela abaixou o olhar, as palavras saindo com dificuldade. "Eu não estava bem emocionalmente, Osvaldo. Nossas brigas constantes, a sua distância... Levou-me a este precipício. Envolver-me com outra pessoa foi um erro terrível, que me arrependerei por resto da minha vida."

Osvaldo cerrou os punhos, lutando para controlar suas próprias emoções. "Tu achas que isso mudará alguma coisa! Que podemos simplesmente ignorar e seguir em frente como se nada tivesse acontecido?"

Celma sacudiu a cabeça, um turbilhão de emoções refletido em seus olhos marejados, lágrimas escorrendo por seu rosto. "Não foi isso que eu disse, Osvaldo. Sei que não é simples, estou tentando ser honesta consigo, mesmo que seja doloroso. Eu não sei o que fazer agora, só não quero esconder mais nada."

A sala estava imersa em um silêncio denso, uma tensão palpável pairava no ar. Osvaldo, com a expressão marcada pelo choque e a tristeza, sentia-se como se estivesse à beira de um abismo emocional. A verdade crua que Celma acabara de revelar reverberava entre eles, criando uma distância que ia além da física.

Ao afastar-se, Osvaldo rompeu não apenas com a proximidade física, mas também com a harmonia que compartilhavam outrora . O espaço entre eles parecia crescer, uma metáfora vívida das brechas que surgiam agora no seu relacionamento. O silêncio continuou, pesado como uma névoa carregada de incertezas.

"Eu preciso de tempo. Preciso pensar em tudo isso", disse Osvaldo, suas palavras ecoando no vazio da sala. Era como se o tempo se estendesse, cada segundo ampliando a distância emocional entre eles.

Enquanto o silêncio pesado pairava sobre eles, ambos sabiam que haviam alcançado um ponto de não retorno em seu relacionamento. A descoberta da gravidez e as incertezas sobre a paternidade lançaram uma sombra sobre o que um dia fora um casamento feliz. Agora, enfrentavam um futuro repleto de desafios e decisões difíceis, com consequências imprevisíveis para seu relacionamento.

Osvaldo e Celma agora estavam envolvidos numa conversa tensa, onde as emoções estavam à flor da pele. As palavras de Osvaldo ecoavam na sala enquanto ele tentava entender a gravidade da situação.

"Quanto tempo de gravidez? Quando foi que você descobriu?" A voz de Osvaldo estava carregada de angústia.

Celma engoliu em seco, sentindo-se acuada. "Estou com quase três meses de gravidez. Descobri há algumas semanas, estava apenas esperando pelo seu regresso."

Osvaldo estava visivelmente perturbado. "Por que você escondeu isso de mim? Gravidez é algo sério, não se esconde. Por que não me contou imediatamente?"

Enquanto isso, Celma lutava para conter as lágrimas que escorriam por seu rosto. "Não estava a esconder nada, e do jeito que tem sido a nossa comunicação, fiquei com medo, Osvaldo. Medo da sua reação, medo de ti perder de vez. Eu sei que errei, mas também sabia que a qualquer momento teria de partilhar essa informação."

A fúria de Osvaldo estava à flor da pele. "Comunicação! Achas que isso muda alguma coisa? Que podemos simplesmente ignorar, esquecer e seguir em frente? Tenho que perguntar quem é o pai, Celma?"

A pergunta de Osvaldo cortou o ar como um raio, aumentando a tensão na sala.

As lágrimas de Celma continuavam a cair enquanto ela respondia com sinceridade. "Eu não sei, Osvaldo. Eu sei que é uma situação terrível, mas não posso afirmar com certeza quem é o pai. E eu não quero que isso destrua tudo o que tínhamos."

Osvaldo estava à beira do desespero. "Já destruiu, querida. Com esse teu comportamento, acabasse de dilacerar o que o nós um dia construimos com tanto sacrifício. Olha para nós! Aonde estamos agora, por sua causa!"

Osvaldo estava inconsolável, sua voz ecoando com dor. "Agora olha onde nós estamos, olha que porta você nos levou! Me diz, não fica calada nessa hora. As lágrimas não são as respostas que eu preciso. Ou queres me prender com um filho que não é meu!"

Celma, apesar de sua própria angústia, procurou se aproximar dele. "Não diz isso, meu amor", ela murmurou, estendendo a mão para tocá-lo.

Osvaldo recuou, a dor e a nova descoberta ainda muito frescas no seu coração. O futuro deles, agora, estava repleto de incertezas e conflitos, e as palavras ditas naquele momento marcariam um ponto sem retorno na sua história de amor.

Celma soluçou, sentindo a dor das palavras de Osvaldo. "Eu sei que falhei, mas por favor, não cometa o mesmo erro Osvaldo, nós não sabemos, essa criança pode sim ser sua."

Osvaldo estava inconsolável. "Esquece, agora queres levantar essa hipótese! Aonde pretendes chegar com tudo isso?"

Celma tentou desesperadamente encontrar palavras de conforto. "Ao lado nenhum, Osvaldo." Com os olhos marejados, continuo respondendo com uma sinceridade dolorosa: "Osvaldo, o pai sou eu é mãe também. Sou a responsável por essa situação, e estou aqui, de coração aberto, tentando encontrar uma maneira de seguir adiante juntos, se você ainda quiser."

O silêncio caiu sobre eles novamente, mas dessa vez era um silêncio carregado de tristeza e desespero.

Osvaldo e Celma haviam alcançado um ponto de não retorno, e o futuro de seu casamento estava mais incerto do que nunca. As decisões difíceis que precisavam tomar e as consequências de suas ações os atormentariam nos dias que estavam por vir.

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Anady Lima

Anady Lima

nossa como uma editora aceita tantas repetições

2024-02-12

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