Capítulo 13

A união entre companheiros é sagrada para nossa raça. Nada pode enganar nosso lobo, pois é ele quem escolher nossa companheira. Meu irmão estava certo quando disse que desde o início ele estava encantado por ela.

— Posso dar as boas-vindas à minha filha? — Minha mãe falou, olhando para nós com um sorriso no rosto. Ela se aproximou de Aurora, e fui obrigado a soltá-la. — Bem-vinda à família, minha querida! Eu achava que meu filho nunca encontraria uma companheira para esse lobo rabugento dele. — Ela riu. — Mas aí você apareceu, e tive certeza de que era a única capaz de acalmar essa fera.

— E colocar um pouquinho de juízo nessa cabeça de vento dele. — Meu pai completou a frase de minha mãe e, em seguida, a abraçou. — Bem-vinda à nossa família, Aurora!

— Posso ter minha mulher de volta, por favor? — Falei, e todos riram de mim. Em seguida, a puxei e a abracei por trás, cheirando seu pescoço, o que satisfez meu lobo. A possessividade dela com ela era gigantesca.

— Bem, meu filho, sinto informar que vamos começar a reunião, então você vai ter que largar sua companheira e nos acompanhar até o escritório. — Meu pai falou rindo, enquanto eu e meu lobo não ficamos nada felizes por nos separar de Aurora. No entanto, seguimos meu pai e os outros machos até o escritório.

Os lobos eram predadores por natureza, gostávamos de batalhas, desafios e conquistas. No entanto, diante das mudanças na sociedade humana, com seu egoísmo e a constante busca por mais, nunca ficando satisfeitos com o que conquistavam, tivemos que nos adaptar. Não queríamos causar uma guerra com eles, mas precisávamos proteger nossos territórios, e seria o que faríamos. Como não tínhamos um alfa específico, apenas os anciãos que ditavam nossas leis, meu pai presidiu aquela reunião.

Após quase uma hora do início da reunião, minha irmã invadiu o escritório, dizendo que a Aurora não estava bem. Aquilo me desesperou. Corri até minha companheira e a encontrei inconsciente no chão, com minha mãe ao seu lado segurando sua cabeça, enquanto os outros apenas observavam. Meu lobo rugiu ferozmente em minha mente, querendo descobrir quem era o culpado por aquilo e ansiando por seu sangue.

— O que aconteceu? — Perguntei de forma ríspida, enquanto já segurava minha companheira em meus braços.

— Ela apenas disse que seu corpo estava queimando, meu filho, mas antes que pudéssemos fazer qualquer coisa, sentiu uma dor intensa e caiu no chão inconsciente. — Minha mãe explicou.

A levei para dentro, desesperado por vê-la daquela forma, desfalecida. A coloquei no sofá e tentei, de alguma forma, fazê-la acordar. A chamei por diversas vezes, ouvindo seu coração bater, mas sem entender o motivo dela não desperta.

Minha mãe trouxe um pouco de álcool para fazê-la cheirar, como já tínhamos vistos outros humanos fazerem, mas pareceu que aquilo não tinha efeito sobre Aurora. Senti sua pele fria, e meu lobo queria emergir. Ele estava enfurecido por vê-la daquela forma. O médico que meu pai havia contatado chegou e a examinou. Meu lobo rugia, insatisfeito por outro homem estar tocando no que era nosso. Eu sabia o quanto ele era possessivo, mas naquele momento não podíamos fazer nada, apenas observar.

O médico fechou os olhos e pousou a mão na testa da Aurora, buscando o que poderia estar errado com minha companheira. Após um tempo que pareceu uma eternidade, ele abriu os olhos, olhando para ela com olhos indecifráveis.

Sabíamos que ele precisava de um tempo após fazer sua avaliação, uma imersão na alma, para localizar o problema que afetava o enfermo, enfraquecia-o. No entanto, estava muito impaciente para esperar ele se recuperar. Sentir a mão de meu pai em meu ombro, fazendo sinal para apenas aguardar.

— Ela parece uma humana, mas não é! — Ele exclamou e aquilo nos deixou confuso. — Vocês têm alguma ideia a qual raça ela pertence? — Naquele momento, o silêncio reinou no local, e o médico nos avaliou, olhando especialmente para mim. — Ela é sua companheira. Senti o elo que liga vocês, e seu cheiro está nela. Você não sabe o que ela é?

— Acredito que, se ela for algo além de humana, nem ela mesma tem essa informação. Mas qual o problema dela? Você sabe como resolvê-lo?

— Após a avaliação, não vi nada de errado com essa jovem. Não detectei nenhuma doença que a mantenha neste estado. Apenas percebi que ela recebeu uma carga de energia intensa, e seu corpo precisou desligar para se recuperar. Por isso, ela não acordou ainda. Suas energias precisam ser recuperadas do que quer que a tenha afetado.

Olhei para aquele médico, que me pareceu um inútil, e retornei para o lado da Aurora, tentando mais uma vez despertá-la daquele estado em que se encontrava.

— Sinto informá-lo que isso não vai funcionar. Ela só despertará quando estiver com suas energias recuperadas.

— Recuperadas de quê, seu inútil? — Meu lobo se fez presente. Logo minha mãe e minha irmã estavam ao meu lado, cada uma com uma mão em meu ombro, tentando me transmitir calmar. No entanto, o médico não se ofende com minhas palavras.

— Sei que, como companheiro, você deve estar desesperado. No entanto, tudo que ela precisa é de um tempo para se recuperar. Tenho certeza de que, assim que ela acordar, poderá explicar melhor o que houve. Nesse momento, preciso ir, pois meus serviços não são mais necessários aqui. — Então reuniu suas coisas e desapareceu.

— Meu filho, acredito que será mais confortável para ela se você a levar para o quarto dela. — Meu pai disse, avaliando a situação.

— A partir de hoje, ela ficará no meu quarto! — Estava enfurecido por não poder fazer nada mais pela minha companheira, além de esperar. Meu lobo sentia a necessidade de quebrar tudo ao meu redor, mas sabia que precisava mantê-lo sob controle, antes que ele fizesse algo impensável.

Peguei a Aurora em meus braços e a levei até meu quarto, colocando-a na cama onde a fiz minha, algumas horas antes. Vê-la daquela maneira estava nos consumindo. Queria que ela despertasse e me olhasse com aqueles olhos verdes onde frequentemente me perdia. Que seu sorriso iluminasse tudo ao meu redor, como sempre fazia, ou que simplesmente me desafiasse com seu olhar. Aceitaria qualquer coisa que não fosse vê-la inerte como estava agora. Sentei ao seu lado e segurei sua mão.

— Acorda meu amor! Não nos deixa assim, desesperado. Precisamos ter certeza de que você está bem. Preciso de você para acalmar a fera que ruge em mim. — E pela primeira vez na vida, me senti impotente.

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Comments

Fátima Ramos

Fátima Ramos

Será a família dela a tentar que ela volte junto à árvore sagrada

2025-02-01

0

Cinthia Merces

Cinthia Merces

pensei isso também

2025-02-12

0

Juliana Sousa

Juliana Sousa

por não saber qual raça pertence, a marca do lobo , deixou ela fraca ,pois é uma humana com outra mistura de raça ... acho que por isso o desmaio...

2024-11-11

2

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